Nao me Peca pra te Esquecer
O Limiar
Sinto tua falta como quem sente culpa,
não apenas dor.
Há um frio que não vem da ausência,
mas do que eu seria
se cruzasse a linha que me separa de ti.
Compreendi — tarde demais ou cedo demais —
que entre o querer e o tocar
existe um espaço que não me pertence.
O que me atrai não é a vida contigo,
é o risco, a queda,
a vertigem de um amor que cobra tudo.
Nada posso fazer.
Não por fraqueza,
mas porque há desejos que, ao serem atendidos,
destroem o que tocam.
Sou criatura do limiar:
preciso de permissão para entrar,
não na tua casa,
mas na região mais vulnerável da tua alma.
E sei que isso não seria amor.
Seria fome disfarçada de ternura.
Não me salvaria,
não te despertaria —
apenas nos perderia.
Eis o dilema humano:
amar e, ainda assim, escolher não tomar.
Ser condenado a observar,
não por falta de coragem,
mas por excesso de consciência.
Amaldiçoado não por amar demais,
mas por entender o preço do amor.
Há amizades que chegam como salva-vidas improvisado. Não seguram a embarcação, mas dão tempo. Com elas aprendi a pedir socorro sem vergonha. O orgulho, às vezes, é coisa que afunda. E, por sorte, há mãos que nos puxam de volta.
O silêncio cheio é aquele que não pede resposta. É morada de quem já entendeu demais para falar. Quando me sento nele, o mundo afrouxa o ritmo. Permite-me respirar sem justificativa. E isso, por si só, é privilégio raro.
A paz que busco não tem vagar, é pedacinho em cada ato. Ela aparece quando lavo a louça sem pressa. Quando atendo uma ligação com atenção plena. Pequenos rituais que somados viram habitação. E a casa interior se mantém menos vulnerável.
A noite guarda segredos que o dia não entende. Ela tem diplomacia de quem aceita contradições. Sento-me à sua mesa e aceito seu cardápio. Alguns pratos são amargos, outros, surpreendentemente doces. E eu como tudo com fome de entender.
O perdão que me proponho é lento, como cerâmica. Modela-se com mãos que não esmorecem. Algumas peças racham no forno e perdem a forma. Outras saem perfeitas, surpreendendo até o artesão. E percebo que imperfeição também é beleza.
Quando a saudade alcança, não nos dá esperança, só dá pancada, vem sem aviso, acerta o peito, desorganiza o fôlego e nos lembra, com brutal delicadeza, que houve amor onde hoje só mora o vazio.
Pare de pensar no que ficou para trás... Se não seguiu com você, é porque não acreditou nos seus passos... Começa a pensar no presente. Siga de acordo com o seu coração. A chance de dar certo é muito maior...
Faça valer cada instantes de plenitude e contentamento... Não os desperdice. Eles podem não durar a vida toda...
Não se deve julgar alguém à revelia sem, antes, se observar exaustivamente todas as circunstâncias singularidades do caso.
Não adianta ficar parada esperando a vida passar.
A beleza da existência é lutar por aquilo que seu sonho permite alcançar...
FELIZ DIA DO APOSENTADO
Assim é a vida de aposentado
Não importa a nossa idade
Bom é poder usufruir com saúde
Relembrar a mocidade
Dinheiro não é importante
O que importa é a felicidade.
Acordar a hora que desejar
Mesmo com salários ultrapassados
Essa é a nossa realidade
Não valorizam os aposentados
Imagine se os governantes
Imagine se eles estão preocupados.
Fica aqui o meu abraço
Carregado de emoção
A todos os aposentados
Que cumpriram sua missão
Em especial aos colegas
Que lutaram na educação.
Irá Rodrigues.
.
