Nao me Julgue antes de me Conhecer
"Sócrates Por Acaso"
Estas coisas sem nenhum sentido,
Estes pensamentos que me confundem,
Estes desejos que me dominam
E me levam a estes atos inconseqüentes.
Parece um tanto lúdico,
Um tanto louco,
E é claro que por tudo isso: MUITO BOM!
Se não fosse eu não estaria assim.
Difícil de descrever,
Impossível de se demonstrar,
Mas o complicado mesmo
É saber no que vai dar.
Incerto? Talvez.
Concreto? Não sei.
É como Sócrates falou:
“Só sei que nada sei!”
A arte de sorrir
temos autonomia para sorrir
razões para chorar
motivos para se divertir
viver e amar
Compartilhar erros
criticar o voo correto
conviver com falhas e tropeços
e depois tá tudo certo
Acordar no pesadelo
caminhar pelos sonhos
enfrentar o nosso medo
e destruir seus monstros
Desenhar o verbo amar
com belas cores colorir
da pintura inspirar
a arte de sorrir
nenhum de nós está feliz
mas nenhum de nós quer desistir
então continuamos nos machucando
e chamando isso de amor
Lições de Motim
DONA COTINHA: Viver sozinho vicia. Chega uma hora que gente incomoda. Dá uma espécie de gastura, e é essa gastura o primeiro passo para a solidão. É claro, só gosta de solidão quem nasceu pra ser solitário. Só o solitário gosta de solidão. Quem vive só e não gosta de solidão não é um solitário, é só um desacompanhado. Solidão é vocação, besta de quem pensa que é sina. Por isso, tem que ser valorizada. E não é qualquer um que pode ser solitário não. É preciso ter competência pra isso. Pra viver bem com a solidão temos de ser proprietários dela e não inquilinos. Quem é inquilino da solidão, não passa de um abandonado. Não é que eu não goste de gente, eu não suporto é ser usuário, o que é bem diferente. Minha solidão tem um nome: renúncia. Eu renunciei ao gênero humano. É simples e só. Perdi a crença nas pessoas. O certo é que eu sou um descreste de gente, só isso. Tirei as pessoas da minha vida, como tirei o açúcar de minha diabete. Minha solidão é medicinal.
Quando algo nos faz falta precisamos preencher esse vazio. Só que, quando o que nos faz falta é o amor, não há nada que verdadeiramente seja suficiente.
Soneto de Intimidade
Nas tardes de fazenda há muito azul demais.
Eu saio às vezes, sigo pelo pasto, agora
Mastigando um capim, o peito nu de fora
No pijama irreal de há três anos atrás.
Desço o rio no vau dos pequenos canais
Para ir beber na fonte a água fria e sonora
E se encontro no mato o rubro de uma amora
Vou cuspindo-lhe o sangue em torno dos currais.
Fico ali respirando o cheiro bom do estrume
Entre as vacas e os bois que me olham sem ciúme
E quando por acaso uma mijada ferve
Seguida de um olhar não sem malícia e verve
Nós todos, animais, sem comoção nenhuma
Mijamos em comum numa festa de espuma.
E por mais que meus olhos alcance as estrelas, jamais alcançaram o brilho intenso dos teus olhos, e por mais que o calor dos meus braços alcance o calor de um belo pôr do sol, jamais alcançaram o calor de seus braços acolhedores, e por mais que meus beijos alcancem a doçura do mais puro mel, jamais alcançará o doce néctar de seus beijos doces, e por mais que o amor que exista em meu coração alcance a raiz da minha alma, jamais alcançará o amor eterno que um dia existirá em seu coração...
Queria ter podido lhe dar boa-noite. Queria ter podido te levar ao primeiro dia de aula. Queria estar presente para poder lhe ensinar piano. Queria ter podido dizer para não ir atrás do garoto. Ter podido abraçar você numa hora de dor. Queria ter podido ser seu pai. Nada que eu fizer vai poder substituir isso.
Imagino que a tragédia real do pobre é que a única coisa que ele é capaz de sustentar é a autonegação. Os pecados bonitos, assim como as coisas bonitas, são privilégios dos ricos.
Olhamos para um bebê e é tão puro, tão livre e tão limpo. Os adultos são essa confusão de tristezas e fobias.
