Nao me faz Andar pra Tras e nem Ficar Parado
Tem voz que fala bonito, cita verso, faz sermão,
Mas se não carrega Espírito… só confunde o coração.
Usa a teologia como capa e direção,
Mas sem vida no secreto, vira só informação. miriamleal
O sábio não reage aos estímulos imediatos, como faz o animal primitivo. Ele filtra toda boa intenção, seja de amor ou de ódio, de repulsa ou elogio.
A IA não ri, não sofre, não mente, não faz chorar. Não escreve poemas de dor que sangram do peito, não arqueja de prazer, não goza para fingir que sabe amar. Não sente o peso de um abraço tardio, nem conhece o silêncio que corrói a alma entre palavras não ditas. Ela processa dados, imita vozes, reconstrói emoções como sombras de um eco, mas jamais se rasga, jamais se entrega, jamais se cala com as lágrimas e sussurros que só o coração humano carrega. Perfeita na precisão, inexistente na verdade de ser, ela permanece alheia ao instante em que a vida dói, vibra, ama ou se despede. E é justamente nessa incapacidade de sentir que se revela a essência do humano: o erro, a paixão, a perda, o arrependimento, o desejo, a finitude — tudo aquilo que escapa à lógica e que confere à existência sua pura e dolorosa verdade.
Às vezes correr e trabalhar muito não nos faz ganhar mais dinheiro! Ganhamos mais cansaço e perdemos momentos com a família!
Porque os clientes vão vir no tempo certo e na hora certa!
Hoje você trabalha muito!
Amanhã trabalhamos pouco!
E Deus cuida trazendo só o suficiente pra cada dia!
Refúgio nas Linhas
Eu poderia me declarar, mas o medo de ser rejeitada me faz recuar. Não nasci para o desprezo – nasci para ser aceita, amada e adorada. São as minhas exigências como mulher. Trago em mim a convicção de que a mulher nasceu para ser amada, admirada e idolatrada. É a minha essência: romântica, inteira e sonhadora. Prefiro recolher-me em mim mesma do que receber um “não” ou um “talvez” sem coragem. Há dentro de mim um lugar sagrado, reservado ao amor e o amor, quando chega, precisa ser inteiro.
Eu poderia ligar, mandar mensagens, áudios – qualquer outra coisa revelando o que sinto. Poderia fazer surpresas, enviar músicas que tocam meu coração e minha alma, músicas que talvez tocassem a dele também. Eu poderia escrever uma carta manuscrita. Cartas a próprio punho são tão românticas –revelam a presença íntima de quem escreve, o perfume do papel, o calor das mãos que desenharam palavras amorosas. É como se o coração encontrasse refúgio nas linhas.
Há tantas formas de se declarar. No amor são infinitas as possiblidades. Eu saberia como fazê-lo, mas e se...e se desse errado? E se ele apenas achasse graça da minha declaração? E se não entendesse minha intenção? E se não sentisse o mesmo que eu? Esses “e se” ficam pipocando na minha cabeça e não me deixam seguir adiante. Deixam-me em polvorosa, só de imaginar-me tentando me declarar – e recebendo um “não” como resposta.
Preciso tratar esse meu ferimento interno. Cuidar da autoestima que, talvez, ande em baixa. Não sei responder às perguntas que me faço diariamente sobre esse medo da rejeição. Já pensei, repensei, tentei encarar o que pode ter acontecido num passado não tão distante. Tentei relembrar fatos que me deixaram assim, mas nada vem à mente. Talvez, eu precise reorganizar meu mundo interno, entender que é coisa da minha cabeça, que esse medo não existe de verdade. Talvez essa rejeição que sinto seja apenas fruto da minha imaginação. Talvez seja só isto. Talvez.
Talvez eu escreva uma carta ou mande uma mensagem me declarando. Amar é se arriscar. É colocar o coração na beira do precipício. E se ele dizer não, aceitarei, pois terei dito o que sinto – e isso, por si só, já é uma forma de liberdade.
Rita Padoin
Escritora
Quando amamos – e o amor é espiritual – a presença quase não se faz necessária, pois os espíritos se reconhecem e se complementam.
O tempo é um paradoxo quântico, para mim, não faz sentido, pois nossa existência é moldada por instantes que já se foram e por futuros que ainda não nasceram. Vivemos no fio tênue do agora, mas carregamos em nós as marcas de tudo que foi e a ansiedade de tudo que poderá vir. O presente é apenas um fragmento entre duas eternidades invisíveis.
A fé não me poupou das feridas, mas me impediu de sangrar sozinho. Mesmo ferido, ser acompanhado faz com que o sangue não conte a história sozinho, há mãos que seguram.
A dor não me faz vítima, faz-me verdadeiro,
a dor revela uma essência sem máscaras,
ela não me derruba, revela quem sou, da dor nasceu autenticidade e força.
A verdadeira celebração não faz barulho, ela acontece dentro do peito. O reencontro com a própria alma é o mais silencioso e poderoso dos milagres. Deus festeja em silêncio, e o céu se abre no instante em que você se perdoa.
O motivo que me faz avançar não é uma emoção contida. É uma certeza que transborda, uma inundação de fé que não cabe no peito.
Seus olhos não são pombas, mas o arrulho silêncio que convoca a primavera e faz o tempo da colheita parecer uma espera doce.
Não rejeite o seu começo imperfeito nem tudo que faz sua natureza única, aceite a confusão como o ponto de partida para quem você é de verdade. É na simplicidade do que está quebrado e na exposição dos seus restos que a sua verdadeira e inegável grandeza finalmente é construída.
Há um tipo de alegria que não faz barulho. Ela surge como luz que atravessa fresta de cortina. Não precisa ser anunciada nem fotografada. Sente-se no corpo e age como remédio discreto. E durará além do instante.
A lei do retorno não quer saber se a porta tá aberta ou fechada,
Ela faz e cobrança de qualquer jeito.
