Nao me faz Andar pra Tras e nem Ficar Parado

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Do Vácuo Eterno (Dissolução e Retorno)

“O nada não é ausência, mas pausa do divino.”
“Quem aprende a respirar no vácuo descobre que o silêncio é Deus em repouso.”
“O mago que teme o vazio ainda não encontrou a plenitude.”
“Entre o nada e o tudo repousa a paz que cria o universo.”
“Ser é apenas uma forma transitória de não ser.”
“A eternidade é o instante sem pressa.”

Vivendo uma vida não performática num mundo viciado em performance.

A Dor da Luz

Antes da forma, havia a luz.
Mas luz sem sombra não possui rosto.
Brilhava infinita, indivisível,
e nada podia ser visto dentro dela.

Então a inteligência despertou
no silêncio da eternidade.

E desejou conhecer.

Para conhecer,
afastou-se da unidade.
E nesse afastamento nasceu o limite.

O limite deu contorno ao infinito.
O tempo começou a respirar.
E Saturno ergueu seus muros de pedra
para que a consciência tivesse onde caminhar.

Pois sem limites não existe percepção,
e sem oposição não existe visão.

Assim a inteligência aceitou a dor,
não como punição,
mas como preço da liberdade.

Porque sem liberdade não há erro,
e sem erro não há aprendizado.

A queda abriu os olhos da consciência.
A sombra desenhou o rosto da luz.
E o universo surgiu como um espelho
onde o espírito poderia reconhecer a si mesmo.

A forma é a luz interrompida.
A matéria é a pausa do infinito.

E no coração da experiência
a inteligência aprende lentamente
que a escuridão não destrói a luz,
apenas revela seu contorno.

Assim caminha o ser:

da unidade inconsciente,
à queda na dualidade,
até o retorno consciente à origem.

Pois a jornada da consciência
não é fugir da sombra,
mas atravessá-la.

E quando finalmente retorna à luz,
traz consigo aquilo que antes não existia:

sabedoria.

Porque Deus cria a luz.

Mas é a experiência que ensina
a vê-la.



São José dos Pinhais, 05 de março de 2026.

Mago Trimegista

CONHECIMENTO NÃO DEVE PERMANECER INFORMAÇÃO, MAS CONVERTER-SE EM TRANSFORMAÇÃO DA MANEIRA DE EXISTIR.

O MAGO NÃO PROCURA DESTRUIR SEUS ARQUÉTIPOS. PROCURA COLOCÁ-LOS EM CONSELHO. DA IDENTIFICAÇÃO COM O ARQUÉTIPO À ADMINISTRAÇÃO DOS ARQUÉTIPOS.

OS RESULTADOS, MUITAS VEZES, NÃO PRETENDEM PROVAR OBJETIVAMENTE A NATUREZA DAS EXPERIÊNCIAS.

UMA DAS MAIORES FORÇAS DO MAGO NÃO ESTÁ APENAS NA QUANTIDADE DE MATERIAL ESTUDADO, MAS NA CAPACIDADE DE CONSTRUIR CORRESPONDÊNCIAS ENTRE TRADIÇÕES DIFERENTES SEM SIMPLESMENTE REDUZI-LAS UMAS ÀS OUTRAS.

NÃO ADIANTA POSSUIR UMA COSMOLOGIA EXTRAORDINÁRIA E SER DERROTADO PELA DESORGANIZAÇÃO ORDINÁRIA.

O MAGO NÃO APRESENTA SEUS ESTUDOS COMO MECANISMO DE DEPENDÊNCIA. AO CONTRÁRIO, SUA PRÓPRIA DEFINIÇÃO REJEITA DEPENDÊNCIA ESPIRITUAL.

O MAGO NÃO É PROPRIETÁRIO ABSOLUTO DO CONHECIMENTO. ENSINAR OBRIGA AQUELE QUE ENSINA A REORGANIZAR AQUILO QUE PENSA SABER.

O OBJETIVO NÃO É PERMANECER EM UM EXTREMO, MAS APRENDER O RITMO, ATRAVESSAR OS POLOS E HABITAR CONSCIENTEMENTE O CENTRO. PORÉM, QUERER CONTROLAR O PÊNDULO TAMBÉM PODE SER UMA FORMA DE PERMANECER PRESO A ELE.

COMPREENDER NÃO SIGNIFICA ATINGIR.

O MAGO NÃO POSSUI FIÉIS. O MAGO ENSINA QUE CONSCIÊNCIAS SÃO CAPAZES DE CONSTRUIR SEUS PRÓPRIOS TEMPLOS.

Gratidão não é cortesia, é caráter.

⁠ODE À CHUVA


Deixa eu ver a chuva,
olhar não me satisfaz.


Deixo tudo de lado
para os meus lados
ouvirem essa queda
de água pingada.


Deixa a suspensão do chão
trazer cheiro de infância,
essa dança das folhas
a me abanar a face.


Deixa eu ver a chuva,
que muito tardia
é agora sua vinda.


Deixa.


É rápida
e logo finda.


Téia Alves

PERGUNTA NÃO INDAGA


O que há atrás das uvas
Dos pés descalços
Das tristezas
Da espera
Da esperança?


O que é essa sombra da água
Do vento que para
Da nuvem que ensaia chuva
Do vento que nada leva?


Como secar o que água não molha?


Há algo que exista,
Que resida e resista
na pessoa de alma molhada?


O que tem essa bendita fruta de pés descalços?


O que eu tenho?


O que há, portanto, ó sacrossanto?


Porque eu sou essa indagação de ontem?


Téia Alves

Quem dorme sem sonhos acorda adormecido.
A alienação é infectada para os não vacinados em propósitos definidos

Se não tens botas, marcha descalço.
Se não tens dentes, morda com a alma.
Mas nunca permitas que o inimigo faça da tua terra a casa dele, e de ti, o seu escravo.

Se na biologia a autopoiese é o milagre de uma célula que continuamente se produz para não morrer, na experiência humana ela é a arte de reconstruir a própria identidade diante de um universo imprevisível.

Há flores


Há sempre flores
que se abrem onde não esperamos...
Sons em lugares onde sequer estamos...
Sabores nos dissabores...
Dias nas noites mais insones
Às vezes é apenas uma janela
que não sabe fechar...
Uma porta que se mantém entreaberta...
Ou algumas frestas que se fazem nascer pra deixar luz entrar.
Há sempre esperança nas nuvens mais densas...
Há sempre um barquinho num porto num canto qualquer desse mar imenso...
Uma voz pra assegurar que tudo se vai ajeitar...