Nao me Deixa te Odiar
Não dá pra reclamar de violência, deslizando os dedos sobre a Morte ou os Traumas Iluminados de alguém.
Porque, nessa claridade azul, há mais que uma morte à mesa.
A primeira é a visível — os corpos entregues ao espetáculo.
A segunda, a sensível — a alma dos que assistem, lentamente embotada.
A terceira, a coletiva — o apodrecimento ético de uma sociedade que transforma tragédia em passatempo.
E a quarta… a mais cruel — a que quase sempre se esconde no brilho da própria tela, comprada às vezes no mercado negro, com o preço invisível da dor de quem a perdeu.
Há quem, sem perceber, alise o sangue seco nesses vidros, julgando a partir da zona confortável de sua poltrona, o mesmo crime que alimenta.
Banquete farto, servido à luz fria do progresso —
onde cada toque é um gole de conforto e uma migalha de culpa.
É o Banquete das Mortes Iluminadas!
Podemos encontrar uma justificação para tudo, ou também podemos não encontrar nenhuma.
A beleza não salvará o mundo, mas ela pode aproximar-nos da felicidade.
O fundo do poço é o lugar mais visitado do mundo, mas ninguém tira selfie nele. Não se iludam e nem se sintam inferiores com a vida perfeita das pessoas nas redes sociais.
Diz o ditado: quem não se arrisca não petisca. E quem se arrisca por demais, pode acabar com as mãos e com o coração vazios.
Não há príncipe ou princesa encantada. Quando a nuvem cor de rosa se dissipa, vem a realidade e mostra que a vida não é um conto de fadas. Portanto, deixe de ilusões!
A melhor pregação é aquela que não agrada aos ouvidos, mas a que quebra o coração, e faz bem a alma!
