Nao me Comove mais
O lugar dum psicopata é na cadeia, ou no cemitério; amar o inimigo não é virtude, é burrice. Quem estende a mão a um monstro torna-se cúmplice do próximo crime!
Quero alguém para chamar de meu.
Não por posse, mas por escolha.
Alguém que eu reconheça como casa.
Quero sentir o cheiro do aconchego,
e nos seus braços não apenas estar
mas ser lar também.
Porque amar, para mim, não é passagem.
É permanência.
É ter onde repousar o medo
e onde a alma possa descansar.
Quero alguém que não seja estrela cadente
que passe riscando o céu e desapareça.
Quero constelação.
Presença que permanece,
luz que mesmo distante continua visível.
Quero alguém que, quando a noite vier,
seja o meu ponto fixo no escuro.
Não brilho que impressiona
mas brilho que orienta.
Porque eu não quero mais marolas.
Quero céu firme.
Quero estrela que fica.
Tem dias em que a gente é tempestade.
Não aquela que destrói por maldade,
mas a que carrega dentro de si o peso do céu inteiro.
Relâmpagos de pensamentos,
trovões de palavras não ditas,
chuvas que caem pelos olhos em silêncio.
Ser tempestade é não caber em calmarias rasas.
É sentir demais,
é transbordar.
Mas toda tempestade também limpa.
Arranca o que estava seco,
lava o que estava sufocado,
abre espaço para o que precisa florescer.
Se hoje você é tempestade,
não se envergonhe do barulho.
Às vezes, é preciso estremecer por dentro
para depois voltar a ser céu.
Sonhos não são apenas aquilo que nos visita enquanto dormimos…
são também os sussurros daquilo que ainda insiste em nascer dentro de nós.
Às vezes, eles chegam suaves, quase tímidos.
Outras vezes, inquietam, tiram o sono, pedem coragem.
E há aqueles que a gente tenta esquecer… mas que, de algum jeito, continuam nos lembrando de quem somos por dentro.
Nem todo sonho é para ser vivido de imediato,
mas todo sonho carrega um pedaço de verdade sobre nós.
Talvez o maior erro não seja sonhar alto,
mas desistir baixo demais.
Porque no fim…
sonhos não nos afastam da realidade,
eles nos aproximam da vida que, em silêncio, a gente sabe que merece.
Há um instante em que o olhar se recolhe e as cortinas se fecham, não como fim, mas como pausa — a lente descansa do excesso, aprende a não capturar a dor que insiste, e no silêncio desse apagar de luz, nasce a coragem de escolher: ou se acende de novo por dentro, ou se aceita, com dignidade, que até desistir também pode ser um gesto de lucidez.
Decifre-me, então…
Mas não com pressa, nem com olhos apressados de quem só deseja o óbvio.
Há em mim caminhos que não se mostram à primeira vista, e talvez seja justamente aí que mora o que te inquieta.
Você me chamou de linda e misteriosa…
mas mistério não se revela a quem apenas observa
se entrega a quem ousa sentir.
Descubra-me nos detalhes que não anuncio.
No silêncio entre uma palavra e outra.
No jeito que recuo… não por falta,
mas por querer ser encontrada com intenção.
Há partes de mim que não se explicam
se percebem.
E outras que só existem quando alguém tem coragem de permanecer.
Se quiser me decifrar, venha sem atalhos.
Sem fórmulas prontas.
Sem medo de se perder um pouco no caminho.
Porque eu não sou um enigma para ser resolvido…
sou uma experiência para ser vivida.
E talvez, no fim,
você descubra que o mistério não está só em mim
mas no que eu desperto em você.
Em minha defesa, meu querer é simples, mas não é raso: quero ser leve nos braços de um homem, não forte demais para carregar um menino
Desejos Impossíveis
Há desejos que não batem à porta. Eles entram silenciosamente, ocupam um canto da alma e aprendem a morar ali.
Tentamos ignorá-los. Mudamos os caminhos, desviamos os pensamentos, ocupamos as horas com outras urgências. Dizemos a nós mesmos que já passou, que não faz sentido, que é melhor seguir adiante. Mas alguns desejos conhecem atalhos que desconhecemos.
Eles atravessam o tempo escondidos em uma lembrança, reaparecem no perfume que o vento traz, em uma música esquecida, em um instante qualquer entre a distração e o silêncio.
Quanto mais fugimos, mais percebemos que a distância nem sempre é capaz de desfazer o que criou raízes.
E assim o desejo caminha.
Não apressa os passos, não exige explicações. Apenas permanece, percorrendo os corredores mais secretos do coração, esperando o dia em que será acolhido, transformado ou, quem sabe, compreendido.
Porque há desejos que não nasceram para ser esquecidos. Apenas seguem existindo, atravessando estações, sobrevivendo às ausências e encontrando maneiras de nos lembrar que algumas partes de nós continuam vivas, mesmo quando tentamos convencê-las do contrário.
Hoje, não peço ao dia que seja extraordinário.
Basta que ele encontre um jeito de pousar leve sobre os ombros cansados, de abrir uma fresta onde antes só havia muro, de lembrar ao coração que nem tudo precisa florescer de uma vez.
Há sementes trabalhando em silêncio sob a terra. Há respostas amadurecendo longe dos olhos. Há caminhos se formando enquanto a gente apenas continua.
E, às vezes, continuar já é milagre suficiente para um dia. 🌿
Não se demore longe...
Fique apenas o suficiente para que a saudade floresça mansa dentro de mim,
como quem rega uma ausência necessária para tornar o reencontro ainda mais bonito.
Mas não vá tão longe a ponto de levar consigo os vestígios da tua presença.
Deixe ficar o eco da tua voz,
a lembrança do teu riso,
os pensamentos que insistem em me encontrar nos momentos mais distraídos do dia.
Ausente o bastante para que eu sinta tua falta.
Presente o bastante para que eu continue te sentindo.
Porque há distâncias que aproximam,
e saudades que, em vez de afastar,
nos fazem habitar ainda mais profundamente o coração um do outro.
Então não se demore longe...
Fique apenas o tempo necessário para que a saudade exista,
mas nunca o bastante para que eu precise aprender a viver sem você.
A Favor da Vida
Hoje acordei com vontade de ficar do meu lado.
Não para travar batalhas ou cobrar mudanças imediatas, mas para me acompanhar com a mesma paciência que a natureza dedica às suas transformações. Há um tempo para a semente repousar na terra, um tempo para criar raízes e outro para romper o solo em direção à luz. Nada acontece antes da hora, e ainda assim tudo acontece.
Tenho pensado que talvez viver seja isso: aprender a cuidar do que cresce dentro de nós. Regar os sonhos sem afogá-los na ansiedade. Podar os excessos sem ferir a própria essência. Reconhecer que algumas folhas caem não porque a árvore está morrendo, mas porque está se preparando para uma nova estação.
Quero me permitir esse cuidado. Quero abrir espaço para os dias simples, para os pequenos recomeços, para as alegrias discretas que muitas vezes passam despercebidas. Quero habitar minha própria companhia sem pressa de chegar a outro lugar.
A vida já carrega movimento suficiente. Ela traz e leva ventos, muda paisagens, aproxima caminhos, apresenta pessoas, recolhe outras. Talvez a beleza esteja justamente em não tentar controlar tudo, mas em manter a porta do coração livre das ferrugens do medo.
O que for verdadeiro saberá chegar. O que for bom encontrará abrigo. E o que não for, seguirá seu caminho como as águas que passam sem permanecer.
Enquanto isso, sigo aqui, cuidando do meu jardim. Não porque espero alguma estação específica, mas porque florescer é uma forma de agradecer pela vida que continua nascendo em mim, todos os dias.
Hoje não estou muito bem.
Há dias em que a gente não desaba porque aprendeu a guardar. E, de tanto guardar, vai enchendo gavetas que já não fecham mais, empurrando para o fundo do armário tudo aquilo que não teve tempo, lugar ou permissão para sentir.
Hoje sinto o peso dessas gavetas.
O frio da noite parece encontrar cada uma dessas sombras escondidas. Os pensamentos caminham em desordem, cruzam minha mente sem pedir licença, enquanto eu tento, silenciosamente, colocar tudo em equilíbrio. Não porque esteja tudo bem, mas porque a vida continua exigindo que eu siga.
Não tenho a opção de parar para sentir.
Então continuo. Arrumo o sorriso, organizo as tarefas, respondo às pessoas, respiro fundo... mas sinto.
Sinto o cansaço de quem precisou ser forte por tempo demais. Sinto o peso das palavras engolidas, das lágrimas adiadas, das dores que aprenderam a esperar pela madrugada para aparecer.
E talvez seja isso que mais doa: não é a falta de sentimentos. É a falta de tempo para acolhê-los.
Mesmo assim, sigo.
Não porque seja fácil, mas porque, por enquanto, é o único caminho que encontrei. Carrego comigo a esperança silenciosa de que um dia eu possa abrir essas gavetas sem medo, deixar entrar luz onde hoje habitam sombras e, finalmente, descansar o coração de tudo aquilo que ele insistiu em suportar calado.
Observo pessoas indiferentes aos sofrimentos dos outros o tempo inteiro... Fingem que não enxergam, ignoram, são cegos por conveniência, por interesse próprio.
Meu amor se você voltar pra mim
Eu não vou lhe fazer sofrer assim
Vou fazer tudo que quiser meu bem
E te amar como nunca amei ninguém.
Sei que fiz tudo errado mais foi
Tudo sem querer nunca passou
Pela cabeça magoar você.
As vezes a gente nem percebe
E erra sem saber, o que é
Que custa pelo menos tentar entender.
Deus, se não for para mim, tira de mim esse querer.
Se a minha vontade não estiver alinhada à Tua, por que permitir em mim um desejo em vão?
Quero seguir a Tua vontade e os Teus propósitos para a minha vida. Se estás a me preparar, não permitas que nada me desvie do Teu chamado nem do destino que me reservas.
Socorre-me, meu Senhor. Que a Tua graça, a Tua bondade e a Tua misericórdia me alcancem antes que eu me perca em meus próprios desejos.
Se for Teu, confirma.
Se não for, aquieta meu coração.
Mas, acima de tudo, não me deixes caminhar longe de Ti.
Eu não sei sentir sem sentir muito.
Não sei querer se não for por inteiro.
Não sei ser, se for para ser pela metade.
Carrego intensidade até no silêncio, verdade até no que calo, entrega até no que temo.
Por isso me pergunto: por que me invades?
Se sabes que, quando entras, nada em mim permanece raso.
Tudo transborda. Tudo ganha nome. Tudo pede permanência.
Porque em mim, o pouco nunca soube morar.
Enquanto existo só em mim, carrego duas vontades: a de morrer… e a de viver de verdade. Não apenas passar pelos dias, não apenas respirar por obrigação, não apenas sobreviver. Quero tudo o que a vida ainda me permite tocar, sentir, descobrir e construir.
Mas há também essa desistência silenciosa, que tantas vezes me faz abrir mão de tudo antes mesmo de tentar. Uma força escura que me convence a parar, a recuar, a aceitar menos do que minha alma deseja.
Que morra em mim essa desistência. Que cesse esse hábito de abandonar sonhos, caminhos e a mim mesma. Porque não nasci para apenas suportar os dias. Nasci para habitá-los.
Enquanto travo essa batalha invisível, sigo sobrevivendo um dia de cada vez. E às vezes isso já exige uma coragem imensa. Há dias em que levantar é vitória. Há dias em que continuar respirando já é resistência.
Mas no fundo de mim ainda pulsa algo que não se rendeu. Uma centelha que insiste em querer mais, em querer vida inteira, em querer verdade.
Talvez seja por ela que ainda sigo aqui.
E talvez seja ela que, no tempo certo, me ensine a viver — não só existir.
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