Desejos Impossíveis Há desejos que... Jorgeane Borges
Desejos Impossíveis
Há desejos que não batem à porta. Eles entram silenciosamente, ocupam um canto da alma e aprendem a morar ali.
Tentamos ignorá-los. Mudamos os caminhos, desviamos os pensamentos, ocupamos as horas com outras urgências. Dizemos a nós mesmos que já passou, que não faz sentido, que é melhor seguir adiante. Mas alguns desejos conhecem atalhos que desconhecemos.
Eles atravessam o tempo escondidos em uma lembrança, reaparecem no perfume que o vento traz, em uma música esquecida, em um instante qualquer entre a distração e o silêncio.
Quanto mais fugimos, mais percebemos que a distância nem sempre é capaz de desfazer o que criou raízes.
E assim o desejo caminha.
Não apressa os passos, não exige explicações. Apenas permanece, percorrendo os corredores mais secretos do coração, esperando o dia em que será acolhido, transformado ou, quem sabe, compreendido.
Porque há desejos que não nasceram para ser esquecidos. Apenas seguem existindo, atravessando estações, sobrevivendo às ausências e encontrando maneiras de nos lembrar que algumas partes de nós continuam vivas, mesmo quando tentamos convencê-las do contrário.
