Nao me Comove mais
Para que serve a literatura, a poesia, a arte, a música, se não for para tornar o mundo mais justo e mais humano?
Quando escrevo um poema, um ensaio ou um livro, faço como se fosse meu último ato consciente nesta vida, como minha última oportunidade de fazer algo de valor. Saber que um texto ou um poema meu causou algum tipo de reação positiva em outro ser humano, me faz sentir que não é inútil meu ofício.
De fato, tudo vale a pena, quando temos pelo menos o desejo de que a alma do mundo seja grande, e que a vida não seja assim tão absurda quanto parece.
Os homens mais subterrâneos estão na política e na religião, pois não são atraídos pelos ritos nem por ideologias, com raras exceções, buscam apenas poder, dinheiro e fama...
EVAN HENRIQUE
Tenho filho mais que especial, não mais especial que os outros, mas especial por ser único, singular em seu modo de viver. Este filho que ainda me chama de paizinho apesar de ser um homem vigoroso e forte, com fibras morais que não herdou apenas de mim, foi a junção de duas almas ternamente apaixonadas que o formaram.
Ele é a materialização do amor em nossas vidas,
a certeza de que sonhos se realizam.
Sua mãe e eu ainda o tratamos como uma criança, e a ideia de que ele precisa enfrentar este mundo cruel e injusto
provavelmente em pouco tempo sem a nossa dedicação diária me assusta. Tenho medo de que alguém lhe faça algum mal, que não lhe trate com o respeito que dispensa a todas as pessoas com que tem relação.
Ele desperta sentimento paternal mesmo em pessoas que ainda não tiveram seus próprios filhos, ouvimos diariamente amigos dizerem que só teriam um filho se
pudessem saber de antemão que lhe seria igual.
Este filho que agora fará vinte anos, com sonhos e conquistas em curso, me faz enxergar o mundo com alguma expectativa boa. Vale a pena viver, constituir e preservar uma família, mesmo num mundo onde o imprevisto pode nos tirar a paz e a alegria.
A soma de todas as experiências pode ser a conclusão de que o mundo pode até não ter o objetivo, mas o amor sempre terá. Vejo-o crescendo, tomando posição no mundo e construindo seu próprio universo, uma alma de altíssima sensibilidade e inteligência.
Aos vinte anos geralmente, para quem não se adiantou ao tempo e à natureza, é a idade ideal para se apaixonar e para se descobrir prazeres especiais que só o amor recíproco pode oferecer.
Me lembro com forte emoção a canção de Fagner, onde ele canta "um rapaz novo e encantado com vinte anos de amor," construindo castelos e oferecendo estrelas para sua amada.
Evan Henrique, quanta honra me foi concedia em ser teu Pai
Relembrar é morrer
a vida que não temos mais
um barco esquecido no mar
de saudade que ficou ao vento
no esquecimento dos temporais
relembrar é voltar ao passado
e saber que aquele cais já não existe
só o que persiste é a ilusão
em um lugar inatingível
que engana os incautos
relembrar nunca foi viver
só se vive uma vez
sentir saudades é voltar
ao que se perdeu no tempo.
"Não se pergunta para um poeta como ele faz sua obra, ou em que momento é mais criativo, ou quantos poemas já fez. É o mesmo que perguntar para uma dona de casa quantos pratos ela já lavou na vida."
Um cão amarrado e com fome
até ladra mais morde
esperneia mas não come
se alguém não lhe soltar
lá de cima veio a ordem
para o homem dominar.
Não é a força que nos faz
superior ao animal
é a luz da inteligência
que ilumina nossa mente
para um estágio imanente
pra escolher o bem o ou mal.
Mas cada passo que dou é uma agonia maior
pois por mais que eu procure, não te encontro,
e a fome que sinto é cada vez mais forte
como o grito lancinante de uma ave perdida.
Ah, como queria saciar esta minha fome louca,
entregar-me ao sabor do teu corpo, da tua pele,
sentir a doçura do teu beijo em minha boca,
e nutrir meu espirito com o amor que me impele.
Ó minha amada, onde estás neste momento?
Por que te escondes de mim, minha paixão?
Não suporto mais esta dor e este tormento,
traga-me teu amor, traga-me tua sedução.
E assim vou caminhando, com fome e com sede,
à procura deste amor que não encontro,
espalhando pelas ruas minha saudade
e alimentando minha alma com este desencanto
A distração fácil não me atrai. Quanto mais desço, mais fundo cavo.
Vivo sob o risco de afundar. E aceito. Porque viver na superfície me parece uma espécie de morte lenta, embalada em risos automáticos e telas que piscam. O que me move é o mergulho — na contramão do tempo, contra a leveza tóxica que nos vendem como liberdade.
No contexto da arte, isso é quase um crime. Tudo nos empurra para o raso. Para o vendável. Para o que se compreende em dez segundos. Mas eu não quero ser entendido tão rápido. Nem quero criar o que consola. Quero o que inquieta, o que fere, o que obriga a parar.
A arte, quando é verdadeira, nos obriga a cavar. Tira o chão. Desloca. E é nesse deslocamento que penso, que existo. Filosofia, pra mim, não é sistema, é vertigem. É quando a pergunta fica maior que qualquer resposta possível. E eu sigo, mesmo assim.
Por isso escolho o abismo. O fundo. O lugar onde o olhar do outro se perde, mas onde talvez haja verdade. Porque há mais vida num gesto sincero do que em mil performances vazias. Há mais beleza no silêncio de quem sente do que no discurso de quem apenas representa.
Não quero distração. Quero escuta. Quero confronto. Quero o risco de não ser compreendido. Porque só quem desce até o fundo pode voltar com algo que vale a pena.
Nada me inspira mais do que a raiva. Não essa raiva histérica, superficial, que grita sem saber por quê. Falo da raiva que nasce do abuso, da injustiça cotidiana, do silêncio imposto aos que ainda têm alma. A raiva que surge quando vejo gente boa sendo engolida por um sistema que premia a mentira, que endeusa o disfarce, que trata a hipocrisia como virtude social.
A indignação me dá vida. Me acorda. Me empurra pra escrita. Não sou movido a paz interior, nem a frases de autoajuda. O que me move é o desconforto. O que me guia é a vergonha de ver o mundo como está e fingir que está tudo bem. Eu não me adapto, não consigo. E não quero.
Escrever, pra mim, não é florescer: é rasgar. É reagir. É cuspir de volta o que me enfiaram goela abaixo. Minha arte não é gentil — é necessária. É a forma que encontrei de não enlouquecer. Porque se eu me calar, se eu aceitar, se eu sorrir junto, aí sim estarei perdido. A raiva me lembra que estou vivo. A indignação me prova que ainda sinto. E enquanto isso durar, ninguém vai me domesticar.
Não viva no passado, porque você não mora mais lá. Não vivas no futuro, porque pode ser que não estaja lá, mas viva o presente, porque ele é único e nele as coisas acontecem.
"Não seja crente idolatra que condena os católicos mais é pior que eles... menorá não salva, estrela de Davi não muda sua vida, Águia não lhe traz força, Leão não é a imagem de Jesus, Arca da Aliança está no céu e não na terra, shofá é coisa de judeus e não de gentios... acorda pra vida antes que seja tarde, leia mais a bíblia e caia menos em anedotas"
"Dizer SIM pra tudo é o mais puro ato de covardia de alguém que não saber dizer NÃO, você ira viver refém para sempre, de si mesmo"
"Não peço a Deus nada Material,
porque isso, eu mais quero que
preciso, Deus me dá o que
preciso e que as vezes nem
sei que eu quero"
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