Nao me Comove mais

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Dá-me a tua mão desconhecida, que a vida está me doendo, e não sei como falar – a realidade é delicada demais, só a realidade é delicada, minha irrealidade e minha imaginação são mais pesadas.

Clarice Lispector
A paixão segundo G. H. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Pensava que escrevia por timidez, por não saber falar, pelas dificuldades de encarar a verdade enquanto ardia, arvorava, arfava. Há muitos que ainda acreditam que começaram a escrever pela covardia de abrir a boca. Nas cartas de amor, por exemplo, eu me declarava para quem gostava pelo papel, e não pela pele, ainda que o caderno seja pele de um figo. O figo, assim como a literatura, é descascado com as unhas, dispensando facas e canivetes. Não sei descascar laranjas e olhos com as unhas, e sim com os dentes. Com as mãos, sei descascar a boca do figo e o figo da boca, mais nada. Acreditei mesmo que escrever era uma fuga, pedra ignorada, silêncio espalhado, um subterfúgio, que não estava assumindo uma atitude e buscava me esconder, me retrair, me diminuir. Mas não. Escrever é queimar o papel de qualquer forma. Desde o princípio, foi a maior coragem, nunca uma desistência, nunca um recuo, e sim avanço e aceitação. Deixar de falar de si para falar como se fosse o outro. Deixar a solidão da voz para fazer letra acompanhada, emendada, uma dependendo da próxima garfada para alongar a respiração. Baixa-se o rosto para levantar o verbo. É necessário mais coragem para escrever do que falar, porque a escrita não depende só de ti. Nasce no momento em que será lida.

A violeta é introvertida e sua introspecção é profunda. Dizem que se esconde por modéstia. Não é. Esconde-se para poder captar o próprio segredo. Seu quase-não-perfume é glória abafada mas exige da gente que o busque. Não grita nunca o seu perfume. Violeta diz levezas que não se pode dizer.

Clarice Lispector
Água viva. Rio de Janeiro: Rocco. 1998.

Gastei uma hora pensando um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.

Carlos Drummond de Andrade
Alguma poesia. Belo Horizonte: Edições Pindorama, 1930.

As coisas assim a gente não perde nem abarca. Cabem é no brilho da noite. Aragem do sagrado. Absolutas estrelas.

Viva hoje! Arrisque hoje! Faça hoje! Não se deixe morrer lentamente! Não se esqueça de ser feliz!

Desconhecido

Nota: Trecho de versão adaptada da crônica "A Morte Devagar", de Martha Medeiros

A gente não cansa de amar, a gente cansa de não ser amado.

Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo.

Entretanto, não se deve acreditar que todas as dificulades se atenuem nas mulheres de temperamento ardente.
Ao contrário, podem exasperar-se. A pertubação feminina pode atingir uma intensidade que o homem não conhece.

Simone de Beauvoir
BEAUVOIR, S. O Segundo Sexo Vol 2: A Experiência Vivida, Difusão Européia do Livro, 1967

Eu sou uma banheira transbordando sentimentos. E não tem ninguém pra fechar a torneira.

Ou isto ou aquilo

Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo…
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

Você não terá piedade diante de seus inimigos. E ao se voltarem contra você, calar-se-ão diante de sua grandeza de alma.

As nuvens vagueiam no espaço sem lar nem raiz. O ódio não é o real, é a ausência do amor...

Eu estou triste de uma tristeza absurda. Muito triste. Quase não dá pra suportar, mas dá.

Mesmo que o inimigo queira te ver caído
Triste, ferido e abatido, jamais se renda não se entregue,
Foi DEUS quem te escolheu.
Mesmo que muitos esperem pra ver sua derrota
Creia que foi DEUS quem lhe abriu a porta,
Os planos do inimigo não vão prevalecer
Ainda que lancem pedradas pra lhe atingir
Pode ter certeza, se você cair
A mão do SENHOR vem pra levantar você
Creia ninguém vai vencer um Escolhido de DEUS,
DEUS abala a terra, move o céu pra lhe dar vitória, Ele é fiel!
DEUS dá força aos cansados e vigor aos fracos e desanimados.
Até os jovens se cansam, até os moços perdem
as forças e caem de tanto cansaço, mas os
que esperam no SENHOR sempre renovam suas energias.
Caminham e não perdem as forças.
Correm e não se cansam, sobem...
VOANDO COMO ÁGUIAS.
(Isaías, 40:29-31)

Bíblia
Isaias, 40:29-31

Não basta sonhar, você tem que lutar e acreditar.

Não se esqueça de se esquecer quem te esquece.

Não era a vaidade que a atraía para o espelho, mas o espanto de se descobrir nele.

Milan Kundera
A insustentável leveza do ser. São Paulo: Companhia das Letras, 2022.

Se não vale nada por que a gente paga pra ver?

O que eu posso, eu não posso como quero...às vezes!