Nao Magoe um Alguem
Jordan Freitas de Moura é um escritor,... julio
Jordan Freitas de Moura é um escritor, poeta e voluntário brasileiro com mais de 30 anos de experiência em saúde mental e promoção do protagonismo cidadão.
Jordan Freitas de Moura atua há mais de três décadas como voluntário em saúde mental, trabalhando com os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), incluindo Nise, Espaço Aberto ao Tempo Severino dos Santos e Dircinha Batista, promovendo a cidadania e o protagonismo dos pacientes
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. Ele é reconhecido por integrar a sabedoria popular e a equipe técnica para transformar a psiquiatria e a psicologia de forma inclusiva e humanizada
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Literatura e Publicações
Além de seu trabalho em saúde mental, Jordan é poeta e autor de livros. Entre suas obras, destaca-se Colocando o Cidadão no Protagonismo no Cume da Montanha, que aborda a importância de colocar o cidadão no centro das políticas públicas, promovendo gestão participativa, desenvolvimento social sustentável e empowerment individual
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. Ele mantém presença online em plataformas como o Clube de Autores e blogs pessoais, compartilhando poesias, reflexões e experiências de vida
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Filosofia e Contribuições Sociais
Jordan Freitas de Moura enfatiza a fé e a espiritualidade como pilares de sua vida e trabalho, integrando valores cristãos em suas ações sociais e voluntariado
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. Ele criou a Lei da Mente Sã, um método e doutrina espiritual, científica e política voltada para o protagonismo do cidadão e a justiça social
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. Sua atuação também inclui críticas à marginalização histórica e à falta de dignidade social, defendendo que o verdadeiro protagonista é o cidadão que sustenta a sociedade com seu trabalho e impostos
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Reconhecimentos
Jordan é membro da União Brasileira de Escritores (UBE), registrado sob o número 4380, e é amplamente reconhecido por sua contribuição à literatura, saúde mental e voluntariado
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. Sua trajetória combina experiência prática, engajamento social e produção literária, consolidando um legado de transformação e inclusão social.
Em resumo, Jordan Freitas de Moura é uma figura multifacetada, cuja vida se dedica à promoção da cidadania, à literatura e à transformação social, sempre guiado por princípios de fé, justiça e protagonismo cidadão
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eu tô bem.
Tem uma mentira que a gente aprende a contar tão bem que, depois de um tempo, começa a acreditar nela. “Eu tô bem.” Sai automático, quase educado. A pessoa pergunta como você está e você responde sem pensar, porque explicar o que acontece por dentro dá trabalho demais e, sinceramente, tem coisa que nem cabe numa resposta curta.
Eu tô bem, é o que ele diz. Só que ninguém vê o silêncio depois que a porta fecha, o quarto escuro, a cabeça procurando respostas onde já não existe pergunta. Ninguém vê as coisas que ele deixou de falar porque percebeu que algumas verdades, quando ditas em voz alta, deixam de ser esperança e viram despedida.
E talvez estar bem não seja ter esquecido. Talvez seja conseguir carregar sem deixar cair tudo o que ainda pesa. É passar pelos lugares onde antes existia alguém e continuar andando. É ouvir uma música e não precisar procurar significado em cada palavra. É lembrar de uma conversa sem imaginar como ela poderia ter terminado diferente.
Porque tem gente que vai embora, mas deixa uma versão sua morando no lugar onde ela esteve. E demora até essa versão entender que acabou. Ela continua esperando uma mensagem, uma ligação, qualquer sinal de que aquilo não foi só mais uma coisa bonita que não soube durar.
Mas uma hora a gente entende.
Nem tudo que foi verdadeiro precisava ser eterno. Nem todo amor que marcou a vida precisava ficar nela. Algumas pessoas chegam para mostrar uma parte do mundo que você ainda não conhecia e depois seguem o caminho delas, levando algumas versões antigas suas embora junto.
Então, sim, eu tô bem.
Não porque nada mais dói. Não porque eu virei pedra. Não porque deixei de sentir.
Eu tô bem porque finalmente entendi que sentir falta não é o mesmo que precisar voltar. Que lembrar não significa esperar. Que amar alguém também pode significar aceitar que aquela história terminou antes que o coração estivesse pronto para terminar junto.
E talvez esse seja o verdadeiro significado de estar bem: não é quando você para de sentir. É quando aquilo que um dia te derrubava começa a caber dentro de você sem te destruir.
Eu tô bem.
E dessa vez, talvez eu esteja falando sério.
O agora é o princípio do fim e o início de um novo tempo e dias melhores pertencem àqueles que acreditam na grandeza de seus sonhos.
Ninguém escapa do passado. Vou dar um exemplo claro, a questão da escravidão. Tivemos um período prolongado de sistema escravocrata, espalhado por todo o país. Quem abrir qualquer jornal do século 19 verá escravos sendo vendidos, leiloados, penhorados, com seguro. Essa realidade está inscrita nos nossos costumes e no nosso vocabulário, sobretudo porque durante largo tempo lidamos com essa questão de forma envergonhada. Achava-se melhor não falar.
É absurdo presenciar um cenário tão ofensivo nas redes sociais. A que ponto deplorável a espécie humana está chegando!
É estarrecedor testemunhar um cenário tão ultrajante. É lamentável constatar a degradação à qual a humanidade chegou.
Tinha pouca fé na Igreja Católica contemporânea. E, ao elegerem um Papa americano, optei por ter mais fé e menos religiosidade!
Imunidade de rebanho?
O Brasil possui um rigoroso calendário vacinal para os rebanhos, mas o gado bozolóide é contra a vacina!
Se o alistamento é obrigatório, o patriotismo é um dever e o
Maior direito é ficar calado; votar é direito, dever e obrigação!
Que tiro foi esse? Trump é retirado às pressas de jantar na Casa Branca! Foi ouvido um forte barulho! A casa está caindo?
Jesus Cristo foi um homem de grande conhecimento e sabedoria, dignos de um rei, mas foi perseguido e condenado por um crime considerado hediondo. Em razão disso, passou a conviver com os plebeus e a sofrer as consequências de sua condição e do meio em que estava inserido.
Se o conteúdo foi útil para você e quiser apoiar via Pix: julianorossi787@gmail.com
O meu eu de 1975
Tenho vários “eus” dentro de mim.
Gosto de todos eles. Cada um viveu seu tempo, enfrentou suas dificuldades, teve seus sonhos, seus medos e suas escolhas.
Mas existe um que é especial.
Ele nasceu em 1975.
Foi assim.
Eu trabalhava como vendedor externo em uma empresa de materiais elétricos. Visitava empresas de grande porte na região de Guarulhos e, naquela manhã, estava na antessala do comprador da Philco, aguardando para ser atendido.
Havia outros vendedores esperando também.
Por curiosidade, comecei a mexer em um rádio que estava fixado em um painel de demonstração dos produtos Philco.
Não estava exatamente olhando para ele.
Estava tentando ligá-lo.
E não conseguia.
Foi quando um dos vendedores que estavam ali se aproximou, apertou alguma coisa e o rádio funcionou.
Ele olhou para mim e disse:
— Demorei para aprender. Outro dia fiquei um tempão tentando ligar. Fui mexendo nele até ele funcionar.
Rimos.
Como o comprador estava demorando para nos atender, começamos a conversar.
Foi uma conversa simples, dessas que normalmente começam e terminam ali mesmo.
Mas aquela conversa mudou a minha vida.
Ele trabalhava em uma empresa de Belo Horizonte, uma multinacional do setor energético, dividida em vários segmentos de produtos elétricos. Em um deles, estavam procurando uma pessoa para uma determinada função.
Ele perguntou se eu não gostaria de tentar.
Eu era jovem e solteiro, dois requisitos importantes para o trabalho, principalmente porque seria necessário viajar muito. Ele não poderia assumir a função porque era casado.
Fiquei interessado naquele “projeto”, mesmo sem saber exatamente do que se tratava.
Ele pediu que eu passasse no dia seguinte pela filial de São Paulo, onde me explicaria melhor.
Marcamos.
Foi então que descobri que aquela multinacional fabricava ferramentas especiais para trabalhos em redes elétricas de alta tensão.
Eram ferramentas fabricadas em fibra de vidro que permitiam ao eletricista trabalhar com a rede energizada, sem precisar desligar o sistema.
Para explicar melhor, ele fez uma comparação:
— É como se você estivesse tomando banho e precisasse trocar a resistência do chuveiro sem desligar a energia da casa.
Achei aquilo meio loucura.
Mas minha vontade era maior do que minhas dúvidas.
Talvez eu já fosse assim naquela época.
Tem pessoas que nascem como postes: ficam sempre no mesmo lugar.
Outras nascem como vento.
Eu nasci vento.
Não paro. Nunca.
Na semana seguinte, eu estava em Belo Horizonte para uma reunião com o presidente e o vice-presidente da empresa.
A entrevista foi objetiva.
Fiz o psicotécnico, acertamos a parte financeira e, quinze dias depois, lá estava eu mudando para Belo Horizonte.
Comecei estudando o material técnico.
Pela manhã, lia e estudava.
À tarde, tinha contato direto com as ferramentas.
Eram inúmeras.
A técnica de trabalho em linha viva, ou linha energizada, ainda estava começando no Brasil. Nos Estados Unidos e no Canadá também era uma tecnologia relativamente recente.
A empresa possuía um campo de treinamento onde os trabalhos eram simulados.
Ali eu treinava todos os dias.
Montava as ferramentas.
Desmontava.
Subia nos postes.
Descia.
Montava novamente.
E começava tudo outra vez.
Durante aproximadamente noventa dias fiquei naquele ritual.
Até que chegou o momento de sair do treinamento e enfrentar a realidade.
A empresa possuía um técnico que havia sido treinado pelos americanos. Ele seria responsável pela entrega das primeiras ferramentas vendidas no Brasil e também ministraria o treinamento aos eletricistas.
Agora seria de verdade.
Era junho de 1975.
A primeira operação aconteceu na Celpe — Centrais Elétricas de Pernambuco.
As ferramentas haviam sido adquiridas para trabalhos em uma linha de 69.000 volts.
Durante aproximadamente um mês, quase todos os dias, subíamos e descíamos das estruturas, trabalhando com a rede energizada.
Depois fomos para Curitiba, para a Copel.
Agora a tensão era de 230.000 volts.
Mais um mês de treinamento.
Na sequência, fomos para Paulo Afonso.
Ali o desafio era ainda maior.
A tensão da rede chegava a 500.000 volts.
Nessa operação, a empresa americana enviou um técnico para ministrar um treinamento chamado bare hand — trabalho com contato direto do eletricista com a rede energizada.
Quanto maior a tensão, maiores são as distâncias necessárias entre os componentes que isolam os cabos da torre.
Chega um momento em que o eletricista precisa ser conectado ao próprio potencial da rede, no ponto energizado, para realizar determinados serviços.
Para isso, utilizava-se uma roupa especial, extremamente condutiva, além de uma plataforma isolante que permitia levar o eletricista até o ponto de trabalho.
Era uma tecnologia que, para mim, parecia quase inacreditável.
Hoje, trabalhos desse tipo também podem ser realizados com o auxílio de helicópteros.
Depois de todo aquele período de treinamento, começamos a ministrar cursos para outras empresas.
Passei a atender São Paulo, trabalhando principalmente com a Cesp, a Eletropaulo e a CPFL.
Meu amigo ficou responsável pelo Norte e Nordeste.
Como aquela tecnologia era uma novidade no Brasil, algumas escolas de engenharia nos convidavam para fazer apresentações aos alunos e explicar aquela nova maneira de trabalhar com redes energizadas.
Aquela atividade acabou se tornando muito mais do que um emprego.
Era uma profissão.
Era uma especialidade.
E, de certa maneira, era uma parte da minha identidade.
Depois de alguns anos, meu instrutor abriu sua própria empresa e eu passei a atender também os clientes do Norte e Nordeste.
Foi quando comecei a perceber que estava sobrecarregado.
Eu já era casado.
E quase não parava em casa.
Vivia dentro de aviões.
Às vezes ficava quinze, vinte dias fora.
Até que surgiu um convite irrecusável.
Uma empresa de São Paulo havia se associado a uma empresa americana, concorrente daquela onde eu trabalhava, e me fez uma proposta.
O salário e a possibilidade de voltar a morar em São Paulo pesaram muito na minha decisão.
Aceitei.
Não foi fácil deixar a empresa que havia mudado a minha vida.
Foi ali que eu havia aprendido uma profissão que jamais imaginara existir. Foi ali que conheci a linha viva e descobri um caminho profissional que me levaria a lugares que eu nunca tinha imaginado.
Mas não havia outro jeito.
Fui admitido na nova empresa.
Comecei fazendo aquilo que sabia fazer: divulgando a tecnologia, visitando clientes e trabalhando com as empresas que já conhecia.
Parecia que começava uma nova etapa.
Mas seis meses depois aconteceu algo que eu não esperava.
A empresa americana que era sócia da empresa onde eu havia acabado de ingressar comprou a parte brasileira.
Mais uma vez, minha vida profissional mudou de direção.
Pedi demissão.
E recomecei.
Hoje, quando olho para trás, percebo que aquele rapaz que, numa manhã qualquer, estava tentando ligar um rádio na antessala de um comprador da Philco não fazia ideia do que aquela conversa iria provocar.
Ele só estava esperando ser atendido.
E, enquanto esperava, a vida apareceu.
Foi assim que nasceu o meu eu de 1975.
O toque do amor e a força da vida
Que o amor abrace, envolva e se faça sentir como um toque físico, concreto, quase palpável.
Que a vida toque profundamente e revele, em cada instante, a sua força vital pulsando, atravessando o corpo e sustentando cada passo.
Deus pode ser percebido no vento: na força que se manifesta de maneira avassaladora e, ao mesmo tempo, na suavidade da brisa que toca como a carícia de um pai sobre um filho.
Há também o desejo de sentir o amor não apenas como uma ideia, mas como presença viva; de perceber a força da vida bombeando nas veias, pulsando no coração e mantendo o ser humano de pé.
No trovão, manifesta-se o poder estrondoso de Deus; na brisa, o toque suave. Na voz que ecoa com força, há majestade; no sopro suave, há amor — como uma presença que se comunica através de gemidos inexprimíveis.
Entre a força e a suavidade, entre o estrondo e o silêncio, encontra-se aquilo que sustenta a existência: o poder de Deus, o amor que envolve e a força vital que impulsiona a vida.
É essa presença que mantém de pé, que renova as forças e que conduz cada passo. Que ajuda a
seguir sempre em frente.
Sempre seguir em frente
Domingos JS Souza.
O Cinema, a Sorveteria e o Banana Split
...e eu nem tive tempo de agradecer. Quem sabe um dia...
Em frente à pracinha havia um cinema: o Cine Rios.
Nos intervalos das “engraxadas” — eu era engraxate, ainda iniciante — ficava na porta do cinema, viajando naqueles painéis de fotografias de “mocinhos e bandidos”.
Eu gostava de ficar olhando para aquelas imagens e imaginando as histórias. Depois, ficava esperando a matinê de domingo, quando, então, aconteciam aquelas batalhas do bem contra o mal.
O mocinho bom sempre vencia.
No fim do filme, vinha a continuação dos seriados intermináveis, que sempre terminavam com algum suspense. Acho que era para a gente voltar no domingo seguinte.
Perto do cinema havia uma sorveteria.
A mais linda do mundo.
Pelo menos era a única que eu conhecia.
Nas paredes, ficavam expostos grandes desenhos dos sabores dos sorvetes. Eu passava um tempo enorme olhando para aqueles painéis e viajando naquelas imagens.
O meu preferido era o banana split.
Eu nem conhecia o sabor.
Gostava da imagem.
O dono da sorveteria classificava os meninos que podiam ou não entrar no recinto. Lógico, pela aparência.
Como eu era um dos que não podiam entrar, o negócio era ficar do lado de fora, olhando pelo vidro e imaginando.
E foi ali, naquela sorveteria, que um dia aconteceu uma coisa que nunca esqueci.
Um homem bom, usando botas e chapéu de boiadeiro, entrou.
Ele mandou que o homem ruim servisse o melhor sorvete — justamente aquele da fotografia que eu tanto admirava: o banana split — para aquele menino que não podia entrar na sorveteria.
E assim foi feito.
Sem relutar.
Talvez aquele homem nunca tenha imaginado o que fez.
Talvez nem tenha percebido.
Mas, naquele dia, alguém abriu uma porta para mim.
Uma porta que, até então, eu só conseguia olhar de fora.
E eu nem tive tempo de agradecer.
Quem sabe um dia...
Do outro lado da pracinha havia um bar que vendia umas balas com figurinhas de jogadores de futebol.
Havia também a promessa de ganhar uma bicicleta, desde que você conseguisse preencher um álbum imenso.
Ganhar aquela bicicleta era quase impossível.
Mas sonho de criança não entende de impossibilidade.
Foi assim que, um dia, aos oito anos, eu comprei o salário inteiro do meu pai em figurinhas.
Eu nem tinha um álbum de figurinhas.
E, claro, também não ganhei a bicicleta.
Mas acho que, naquele dia, eu comprei alguma coisa que não cabia em álbum nenhum.
Comprei um sonho.
E, para um menino de oito anos, talvez isso já fosse uma espécie de riqueza.
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