Nao Ligo pra o que Voce Pensa
“O último cárcere não é a mente, mas a identidade que ela convenceu você a defender como se fosse você.”
“O perigo não está em entrar no sistema. O perigo está quando o sistema entra dentro de você e substitui sua capacidade de pensar.”
“Você não é autor de tudo o que lhe acontece; mas pode tornar-se autor da resposta que constrói diante do que lhe acontece.”
“Se você não sabe como sua consciência foi construída, como pode ter certeza de que as escolhas que chama de suas realmente são suas?”
“Quanto mais você precisa provar quem é, mais precisa perguntar por que ainda não consegue simplesmente SER.”
“O algoritmo aprende aquilo que você gosta até você desaprender a gostar daquilo que não lhe mostra.”
“Quem controla sua ATENÇÃO não precisa controlar você: basta determinar aquilo para o qual você olha enquanto acredita estar escolhendo o que vê.”
“Não permita que sua IDENTIDADE se transforme em uma entidade que decide quem você está autorizado a continuar sendo.”
“Talvez você não esteja perdido no caminho. Talvez esteja seguindo perfeitamente um caminho que nunca foi seu.”
“O algoritmo não precisa dizer o que você deve PENSAR; basta decidir repetidamente aquilo que você verá enquanto PENSA.”
“A pior manipulação não é fazer você acreditar numa mentira. É fazer você acreditar que chegou sozinho àquilo que nunca chegou a questionar.”
“A inteligência artificial não precisa pensar para pensar por você”
A provocação do neurocientista Miguel Nicolelis de que a inteligência artificial não seria “nem inteligente, nem artificial” atinge um problema maior do que o nome dado à tecnologia.
Talvez estejamos fazendo a pergunta errada.
A questão mais urgente não é saber se a máquina pensa. É descobrir quanto do nosso pensamento estamos autorizando a máquina a substituir.
Inteligência, em sentido psicológico, envolve aprender, raciocinar, compreender, resolver problemas e adaptar-se. Já “artificial” designa aquilo produzido pela intervenção humana, e não algo surgido espontaneamente na natureza.
Os atuais sistemas de inteligência artificial realizam operações extraordinariamente sofisticadas sobre enormes quantidades de dados. Reconhecem regularidades, calculam probabilidades, estabelecem relações e produzem respostas que podem parecer compreensão. Mas aparência de compreensão e compreensão são problemas diferentes.
A máquina pode produzir uma resposta correta sem saber que está correta. Pode produzir uma resposta falsa com a mesma fluência.
E aqui começa o verdadeiro problema.
A inteligência artificial não precisa ter consciência para influenciar uma consciência.
Quanto mais convincente for a resposta, maior será a tentação de confundir fluência com verdade, precisão linguística com precisão científica e probabilidade estatística com conhecimento.
Por isso, talvez o maior risco da inteligência artificial não seja ela aprender a pensar como nós.
É nós desaprendermos a pensar sem ela.
Uma humanidade sem discernimento transforma ferramenta em autoridade. E quando terceirizamos não apenas a informação, mas também o julgamento sobre a informação, deixamos de utilizar a tecnologia e começamos silenciosamente a obedecê-la.
A máquina pode ampliar o conhecimento humano.
Mas não deveria receber automaticamente autoridade sobre ele.
A IA pode responder por você. O perigo começa quando você permite que ela decida o peso que a própria resposta merece.
Informação pode ser artificialmente produzida.
Autoridade não deveria ser artificialmente ou automaticamente concedida.
Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador
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