Nao Ligo pra o que Voce Pensa
Penso em você como penso em Deus,
às vezes, porém um pouco.
Porque não quero atrapalhar Deus.
E você eu não quero pensar muito
pra não te puxar de volta,
porque quando a gente pensa muito em alguém
o pensamento chama,
encosta,
move as coisas de lugar.
Tem gente que volta pelo sentimento,
outras pela saudade.
Você eu acho que voltaria pelo pensamento.
Então eu evito.
Às vezes ocupo a cabeça com rua,
ônibus, fumaça, moedas estrangeiras,
vitrines acesas em esquina vazia,
gente passando sem saber meu nome,
celular no bolso vibrando sem importância,
barulho de cidade que não espera resposta,
noite que não pede explicação,
qualquer coisa que faça o meu pensamento
não aprender novamente o caminho até você
E é isso, vou parar por aqui,
vou até escrever sobre trajeto, fronteira,
ou qualquer outra coisa que não me remeta a você
pra não me contradizer de novo —
como quem risca o próprio mapa
pra não reconhecer a estrada.
Vamos manter essa fronteira invisível,
ainda que estejamos tão perto e tão longe ao mesmo tempo —
como duas margens do mesmo silêncio
que nunca se encostam, mas se reconhecem de longe.
Você em cima no céu,
eu embaixo no inferno,
(um inferno que não é de Dante,
só de quem aprendeu a nomear distância como lugar)
Eu não pedi que você ficasse.
Há um momento exato em que o amor deixa de ser tragédia
e passa a ser apenas clima.
Como garoa em roupa esquecida no varal.
Como cheiro de cigarro preso no banco de um carro antigo.
Como aquela dor de cabeça que já não preocupa ninguém
porque aprendeu a morar no corpo.
Você arrumava as coisas lentamente
e eu pensei, com uma serenidade quase ofensiva:
ela finalmente cansou de mim.
Não de mim inteiro —
isso seria grandioso demais —
mas desse homem pela metade
que chega do hospital cheirando antisséptico e cidade,
que fala de literatura latino-americana
como quem tenta salvar alguma dignidade do mundo,
que coleciona moedas estrangeiras
porque nunca conseguiu pertencer completamente ao próprio país.
Escorei no Renault noventa e um.
O carro estalava baixo, esfriando o motor,
como um animal velho respirando durante o sono.
Acendi um tabaco ruim.
Misturei mate uruguaio no fumo.
Não por boemia.
Nem estética.
Por superstição.
Alguns homens rezam.
Outros adulteram o cigarro.
Você passou por mim sem dizer nada
e eu gostei disso.
As grandes despedidas são profundamente constrangedoras.
Ninguém deveria transformar amor falido em espetáculo.
Pensei em Manuel Bandeira olhando janela de pensão barata.
Pensei em Benedetti entendendo tarde demais
que Montevidéu sempre foi uma maneira elegante de sofrer.
Pensei em Clarice,
naquela coisa terrível dela de perceber a alma das coisas
até quando elas já estavam mortas.
E então percebi uma coisa pequena,
quase ridícula:
eu tinha sobrevivido tempo demais.
Sobrevivi aos problemas.
Às cobranças que pareciam ser infinitas.
À vergonha de pedir ajuda.
À escola sugando meus últimos gestos humanos.
À fumaça.
À exaustão.
À sensação humilhante de fracassar devagar.
Sobrevivi até mesmo à esperança,
o que talvez seja a forma mais adulta de tristeza.
Você abriu o portão.
O barulho do ferro ecoou na rua vazia
como ecoam certas decisões irreversíveis:
sem dramaticidade,
apenas definitivas.
Eu poderia dizer que ainda te amava.
Mas seria inútil.
O amor, às vezes, não acaba.
Ele apenas perde utilidade prática.
Então fiquei ali,
encostado naquele Renault cansado,
fumando um cigarro adulterado com erva estrangeira,
olhando você ir embora
como quem observa um país desaparecer pelo retrovisor.
Sem raiva.
Sem poesia suficiente.
Sem salvação.
Só aquela melancolia fronteiriça
dos homens que aprenderam tarde
que viver também é perder território.
“O sentido da vida não é deixar algo para quando você partir… é viver tão profundamente que nada precise permanecer.”
Tem batalha que liberta.
É quando você diz não pra quem te diminui.
É quando você corta o que te prende.
É quando você escolhe sua paz ao invés da aprovação dos outros.
Essa dói no começo, mas cura pra sempre.
É fácil dizer para alguém não ter apego material quando você tem tudo!
É fácil dizer para alguém que é só uma fase ruim quando você nunca passou por ela!
É fácil criticar e julgar alguém apenas por ser sincero quando na verdade o seu desejo era dizer o mesmo mas por covardia, status ou interesse você se cala e aceita que defequem sobre seus ouvidos!
Não se compare com ninguém, apenas me diga uma coisa:
como você se vê?
Sua incapacidade está apenas em sua mente, no fundo, você sabe que é capaz, apenas parou para ouvir aqueles que esperam o seu fracasso.
Volte ao seu propósito, eu sei que você chegará, se não parar mais para ouvir quem almeja sua queda!
Não se engane, os que tentam ti parar e desanimar, estão mais perto do que parece, afaste-se do que ti prende e ti sufoca...
Não se preocupe Com sua parte Física Se Preocupe com sua parte emocional
Quando Voçê se preocupa Com sua parte Emocional Voçê Também está Se preocupando Com a sua parte Física
"Haverá o antes e o depois de Isaque Ramon. E a pergunta que você deve se fazer não é se eu vou vencer, mas de que lado da história você vai estar quando isso acontecer."
"Você pode se sentir perdida, deslocada ou até colocada no lugar errado, mas isso não significa que ficará ali para sempre."
Você não está sozinha.
Há outras pessoas atravessando a mesma ponte, enfrentando a mesma tempestade e tentando chegar ao outro lado.
Quando finalmente chega ao fim da ponte, você pensa que encontrou a saída.
Mas não encontrou.
Existe outra barreira.
E ela é ainda mais assustadora.
Uma parede muito alta, feita de areia, molhada pela chuva, cheia de buracos. Pessoas estão escalando, mas você sabe que aquilo não é realmente seguro.
Você acorda depois do abraço.
Não acorda durante a queda.
Não acorda esmagada.
Não acorda no meio da tempestade.
Não acorda no momento em que a ponte desaba.
Você acorda depois que alguém percebe que houve um engano e oferece acolhimento.
Eu queria ser como você
Um pequeno tolo a ser
Está dança não é para dois
Mas você continua a se mover
A tintura com a chuva se expurga
Escorre para longe, e mais longe
Continuas, esturga
Até não saber mais onde
catching lightning
Eles não avisam quando vem.
Você pode passar uma vida inteira olhando para o céu e nunca estar no lugar certo, na hora certa, com os olhos voltados para cima. Pode ouvir trovões de longe, assistir tempestades pela janela, ver o céu se partir em luz durante alguns segundos e ainda assim nunca tocar naquilo. Porque ser atingido por um raio não é apenas difícil. É quase absurdo.
E talvez seja por isso que algumas pessoas parecem tempestades.
Elas chegam sem pedir licença, iluminam alguma coisa dentro da gente que estava há muito tempo no escuro e, quando a gente percebe, já não sabe mais se estava procurando por elas ou se apenas teve a sorte improvável de estar olhando para o céu no instante certo.
Foi assim que algumas histórias começaram.
Não com grandes promessas. Não com a certeza de que durariam para sempre. Às vezes começaram apenas com dois desconhecidos em uma festa aleatória, numa química absurda descobrindo que conseguiam conversar por horas, rir das mesmas coisas, encontrar abrigo um no outro e, sem perceber, transformar dias comuns em lembranças que o tempo teria dificuldade de apagar.
E então veio a parte que ninguém conta nas histórias de amor.
O futuro.
Porque amar alguém enquanto tudo está dando certo é quase fácil. Difícil é continuar acreditando quando a vida começa a colocar quilômetros, silêncio, mudanças e versões diferentes de vocês mesmos no caminho.
É aí que a dança começa.
Não aquela dança perfeita dos filmes, em que ninguém erra o passo e os dois sabem exatamente para onde ir.
A verdadeira.
Aquela em que um avança enquanto o outro hesita.
Em que às vezes alguém pisa no pé.
Em que uma mão se solta por alguns segundos e, ainda assim, existe alguma coisa dentro dos dois procurando o caminho de volta.
Então te pergunto
“Can I have this dance?”
Nunca foi apenas sobre uma dança.
É quase como perguntar
Você ainda segura minha mão mesmo sem saber onde isso termina?
Você ainda confia em mim quando a música muda?
Se eu tropeçar, você fica?
E talvez a resposta mais bonita não seja uma promessa de eternidade.
Talvez seja simplesmente:
eu não sei.
Mas ainda quero dançar.
Porque ninguém sabe.
Ninguém que ama de verdade recebe um mapa mostrando onde aquela história vai terminar. Não existe garantia de que duas pessoas permanecerão iguais enquanto a vida acontece ao redor delas. Não existe contrato contra a distância, contra o tempo, contra os erros ou contra aquilo que cada um ainda precisa aprender sozinho.
Existe apenas a escolha de continuar dando um passo.
Depois outro.
E outro.
Até perceber que, de alguma maneira, os dois já atravessaram uma parte enorme da música.
Talvez por isso encontrar alguém seja tão raro.
Não raro como encontrar alguém bonito.
Não raro como encontrar alguém que goste das mesmas músicas, tenha os mesmos planos ou consiga preencher perfeitamente os espaços vazios.
Raro como um raio.
Porque existem bilhões de pessoas.
Milhares de encontros possíveis.
Centenas de histórias que poderiam ter acontecido.
E, entre todas essas possibilidades, duas pessoas específicas precisam nascer na mesmo época(4 ANOS NÃO É NADA), cruzar os mesmos caminhos, dizer certas palavras, estar disponíveis naquele instante, olhar uma para a outra de determinada maneira e reconhecer alguma coisa que talvez nem saibam explicar.
A probabilidade de ser atingido por um raio é pequena.
Mas menor ainda talvez seja a chance de encontrar alguém que, depois de tudo, ainda consiga fazer você olhar para trás e pensar
“Como é que, entre tanta gente no mundo, foi justamente você?”
E é aí que a história deixa de parecer coincidência.
Não porque o destino tenha garantido um final.
Mas porque algumas pessoas são importantes demais para serem explicadas apenas pela estatística.
Talvez algumas apareçam para ficar.
Talvez outras apareçam para ensinar.
Talvez algumas precisem ir embora para que a gente compreenda o tamanho do espaço que ocupavam.
E talvez existam aquelas histórias que não cabem em nenhuma dessas categorias.
Histórias que terminam sem realmente parecer terminadas.
Que continuam existindo em pequenas coisas: uma música, uma lembrança, uma frase, uma cidade distante, uma noite qualquer em que o passado bate a porta sem avisar, você sabe que eu não mordo, né?
E então a gente entende que o tempo não apaga tudo.
Às vezes ele apenas muda a maneira como carregamos.
Eu não sei onde essa música termina.
Talvez ninguém saiba.
Mas existe alguma beleza em admitir isso.
Porque talvez amar alguém nunca tenha sido sobre saber se chegaremos ao último acorde.
Talvez tenha sido sobre olhar para a pessoa ao lado, estender a mão e perguntar novamente, mesmo depois de tudo:
“Can I have this dance?”
E se ela aceitar, não importa quantos passos já foram errados.
Não importa quantas vezes a música tenha parado.
Não importa quantos quilômetros existam entre um lugar e outro.
A gente começa de novo.
Devagar.
Sem prometer que nunca vamos cair.
Apenas lembrando que, quando duas pessoas realmente querem continuar dançando, elas não precisam conhecer o próximo passo.
Precisam apenas confiar que, quando ele chegar, haverá uma mão esperando pela outra.
E talvez seja isso que torna algumas histórias tão improváveis.
Não o fato de terem acontecido.
Mas o fato de, entre todos os raios que poderiam nunca ter caído, um ter escolhido exatamente aquele pedaço do céu.
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