Nao Ha Passageiros na Nave Espacial Terra
Há apenas duas opções quando falamos de comprometimento. Ou você está dentro ou você está fora. Não existe essa coisa de ficar em cima do muro.
Há duas maneiras de ter o suficiente. Uma delas é continuar acumulando mais e mais. A outra é desejar menos.
Sentimos que, por fim, essa mesma fantasia que parece inesgotável, há de esgotar-se na sua eterna tensão, pois vamos nos tornando mais viris e amadurecidos, e superamos os nossos antigos ideais, que se desvanecem e se reduzem a palavras e a pó. E, se depois não houver outra vida, temos de nos pôr a reunir os restos desse entulho para com eles voltarmos a refazê-la. E, contudo, nossa alma reclama e anseia por algo completamente diferente. E em vão o sonhador remexe nos seus antigos sonhos, como se ainda procurasse no rescaldo uma centelha, uma só, por pequena que fosse, sobre a qual pudesse soprar, e com a nova chama assim ateada aquecer depois o coração enregelado e voltar a despertar nele o que dantes lhe era tão querido, o que comovia a nossa alma e nos arrebatava o sangue, aquilo que fazia subir as lágrimas aos nossos olhos e que era uma ilusão tão bela.
O que me nutre é a esperança
(mesmo minúscula)
Há dias em que a mente para e o corpo permanece aceso — aceso de impossibilidade.
Penso com precisão cirúrgica, mas não atravesso o quarto.
O chuveiro vira montanha, o cabelo vira florestas que não domino,
a pia é um mapa de guerras que não escolhi lutar.
Abro a geladeira e nada combina com nada;
as panelas, como constelações desconhecidas, me olham de volta.
Eu sei o que fazer.
Eu só não consigo começar.
De fora, pedem senha: “Fala. Pede ajuda. Sorri.”
Quando falo, dizem que me exponho; quando calo, dizem que me escondo.
Se aceito convite, tenho medo de ser peso; se recuso, pareço descaso.
Não é orgulho. Não é ingratidão.
É que o corpo virou freio de mão num carro em descida.
E eu, para não atropelar ninguém, puxo mais forte — e paro.
Meu avô sussurra de um lugar antigo:
“Veja onde deposita a confiança.
O melhor amigo do seu melhor amigo… não é você.”
Aprendi a guardar as palavras para que não me devolvam em lâminas.
Mas guardar também dói — o silêncio incha, aperta, afoga.
Dentro, uma assembleia: anjos e demônios.
Os anjos falam baixo: “Respira. Existe um depois.”
Os demônios gritam com provas: a bagunça, o atraso, a lista de não feitos.
E eu, no meio, tentando não me perder dos dois.
Não são eles que me nutrem; se algo me sustenta, é outra coisa —
um fio de luz quase microscópico,
uma esperança que cabe entre a unha e a pele,
mas que ainda assim puxa o meu nome de volta para mim.
Às vezes olho para frente e só vejo um eco.
Não me reconheço no futuro que inventaram para eu caber.
A estrada é reta, sem desvios: seguir — arrastando ou não.
E, na beira da estrada, um abismo bonito demais.
O desejo de pular tem cores. A vista é linda.
Eu sei. Eu vejo.
Mas fico.
Fico pelo quase, pelo mínimo, pelo que ainda pode nascer do pó.
Há também a casa — esse espelho ampliado.
O acúmulo desenha no chão a cartografia da minha exaustão.
Cada objeto fora do lugar me aponta que falhei em existir.
E, ainda assim, entre a louça e o cansaço, às vezes encontro um gesto respirável:
um copo lavado.
Um fio de cabelo preso.
Uma toalha estendida como bandeira branca.
São pequenos tratados de paz com o dia.
Eu não sou o centro do mundo — e isso, por vezes, me salva.
Penso no outro antes de pedir.
Não quero ser fardo, não quero ser vitrine, não quero ser caso.
Mas também aprendi: quem quer ajudar, chega sem barulho,
senta no chão da minha sala, não corrige meus mapas,
e, se nada puder fazer, empresta o silêncio — aquele que não julga.
Escrevo para não me perder de mim.
Se um dia eu cair, que esta página seja pista: lutei mais do que pude.
Se eu ficar, que estas linhas sejam prova: a esperança, mesmo minúscula, ainda alimenta.
E se amanhã for só um pouquinho mais macio do que hoje,
já terá sido milagre suficiente.
Não prometo grandiosidades.
Prometo o próximo gesto possível:
abrir a janela;
encostar a testa no azulejo frio;
deixar a água tocar a nuca como quem batiza;
pentear um nó;
lavar um prato;
responder “talvez” a um convite;
aceitar um abraço que não pergunta nada.
Eu caminho dentro de uma fé tímida — às vezes vacilo, às vezes desacredito.
Olho para o céu e digo: “Se houver um Deus, que me veja quando eu não consigo.”
E quando não sinto nada, ainda assim repito — por teimosia, por pequena ousadia.
Se amanhã eu não chegar inteira, me perdoa.
Se eu chegar, celebra comigo esse quase invisível triunfo:
o fio de vida que atravessa a noite e acende um ponto no escuro.
No fim, é simples e é imenso:
o que me nutre é a esperança.
Por mais minúscula que seja.
Jorgeane Borges
06 de Setembro 2025
“Olhando assim, ninguém diz. Mas há toda uma explicação do porquê eu ser desse jeito. Só eu mesmo, que sempre estive comigo, aguentando as barras, as rupturas, os socos na cara. ”
Quando há fraternidade, o amor é sereno; quando há solidariedade, o amor é ativo, e quando há caridade, o amor é vivo.
Com certeza há pimenta demais naquela sopa! — Alice disse consigo.
Ausência de Mim
Há fases em que a gente simplesmente desaparece, mesmo estando aqui.
O corpo existe, mas a alma se recolhe. As mensagens chegam, as notificações se acumulam, e cada uma delas parece pesar toneladas.
Não é descaso. É falta de fôlego. Falta de voz. Falta de nós.
Responder exige um tipo de energia que já não há.
Porque para responder, é preciso fingir — dizer que está tudo bem, quando nada está.
E às vezes, a mentira cansa mais do que o próprio silêncio.
A depressão tem esse jeito de transformar o mundo em eco.
Tudo parece distante, sem cor, sem sentido.
E, mesmo cercado de gente, é como estar trancado dentro de si — tentando achar uma saída que não machuque ainda mais.
O silêncio, então, vira refúgio.
Mas também é pedido de socorro.
Porque a ausência fala, grita, às vezes.
Só que nem todo mundo sabe ouvir o que não é dito.
Não é que falte amor, é que sobra exaustão.
Não é que não se queira viver, é que viver cansa demais.
E nesse intervalo entre o querer e o poder, a gente tenta sobreviver — do jeito que dá, do jeito que resta.
Às vezes, estar ausente é a única forma de continuar aqui.
O TEMPO
Há um juiz chamado TEMPO que coloca tudo em seu devido lugar, sem exceção.
Cada rei em seu trono, cada palhaço no seu circo, cada fantasma em seu castelo.
Cada um recebe o que semeou...
Tudo o que pensa voltará para você, mesmo que, em alguns casos, isso leve um bom TEMPO para acontecer. Mas, no final, essa verdade prevalece...
Precisa apenas ter paciência...
Todo nosso ser gera um tipo de linguagem, e tem um impacto em todos que nos rodeiam.
Afinal, somos livres para fazermos o que quisermos, mas ninguém poderá se livrar das consequências futuras, por que, mais cedo ou mais tarde, esse juiz, “o TEMPO”, dará razão para os que as têm...
Por isso, faça com que seus atos digam mais que suas palavras; que sua responsabilidade seja um reflexo de sua essência, e que consiga lutar para, depois, os pensamentos nunca duvidarem da capacidade do TEMPO de oferecer o que você merece... mesmo que não acredite nisso!
O TEMPO é um juiz muito sábio! Jamais dará sua sentença de imediato. Mas ELE sempre dará razão à pessoa certa...
ELE é tão sábio que apenas não te julgará pelos seus atos, mas também te ensinará que a tristeza passa e que nada dura pra sempre
ELE ensinara que a experiência que você adquire com o passar do TEMPO, irá ajudá-lo a amadurecer e crescer...
Mostrará que os amigos de verdade se contam nas linhas das mãos e, apenas, dessa forma!
O TEMPO é um professor cruel...! Primeiro ele te aplica a prova e depois lhe ensinar a lição... ELE te mostra quem vale ou não a pena; quem realmente se importa e quem jamais deixou de se importar.. quem acredita e quem nunca acreditou.
Valorize, pois, quem permaneceu ao seu lado nos momentos bons, mas, principalmente, naqueles momentos mais difíceis. Afinal, qualquer um poderia ter estado ao seu lado; porém, os que ficaram em ambas as situações são os verdadeiros amigos....
Não perca TEMPO atrás de pessoas que não te valorizam e lembre-se sempre de que o TEMPO acaba um dia. ELE um recurso valioso para durar eternamente...
Então aproveite a ocasião que se apresenta a você, sem se importar o quão pequena ela seja, mas não deixe que as oportunidades perdidas te atormentem nos anais do TEMPO. E lembre-se! Dê tempo ao tempo! Às vezes, as coisas não acontecem como desejamos, mas acontecem como o TEMPO deseja....
“... há três espécies de cabeças – uma, que entende as coisas por si mesma, outra que sabe discernir o que os outros entendem, e, finalmente, uma que não entende nem por si, nem sabe ajuizar do trabalho dos outros. A primeira é excelente, a segunda muito boa e terceira inútil".
Niccolò Machiavelli in O Príncipe - cap.XXII
Vivemos num tempo de chantagem universal,
Que toma duas formas complementares de escárnio:
Há a chantagem da violência e a chantagem do entretenimento.
Uma e outra servem sempre para a mesma coisa:
Manter o homem simples longe do centro dos acontecimentos.
Parecia que tinha sido, tipo, há uma eternidade, como se tivéssemos vivido uma breve, mas infinita, eternidade. Alguns infinitos são maiores que outros.
Você já viu uma menininha correr tão rápido que ela cai? Há um instante, uma fração de segundo antes que o mundo se apodere dela de novo... Um momento em que ela supera todas as dúvidas e os temores que já teve sobre si mesma e ela voa. Nesse momento, todas as menininhas voam.
O que há de mais essencial em nós é nossa energia vital, tanto é assim que, quando ela acaba, é porque a vida acabou também. Tal como uma estrela, que brilha enquanto tem energia. Você também é assim, uma estrela. Não vira estrela depois que morre, é estrela agora, em vida.
