Nao Ha Passageiros na Nave Espacial Terra
Não há consolo em dizer que o que nos acontece, nos acontece. Parte fazemos, parte nos fazem. Às vezes, é preciso ir longe para chegar vindo de trás e alcançar a véspera da véspera da véspera do acontecimento. O momento preciso em que tomamos ou somos tomados por uma direção e um belo dia… ou um triste dia, somos o que somos.
Não há estranhos aqui, apenas amigos que você ainda não conheceu.
Estou com os que acham que não há arte neutra. Mesmo sem nenhuma intenção do pintor, o quadro indica sempre um sentido social.
Não é o bastante ver que um jardim é bonito sem ter que acreditar também que há fadas escondidas nele?
Fragmentos que Ecoam
Há instantes que o tempo não leva.
Eles permanecem, suspensos,
como se aguardassem o toque de um olhar
para voltarem a existir.
Não é sobre a imagem em si.
É sobre quem escolheu parar,
sentir, priorizar e preservar um pedaço do mundo.
Sobre quem decidiu que aquele segundo
não poderia se perder no esquecimento.
Cada fotografia é uma ponte:
não liga apenas o passado ao presente,
mas reconecta o coração
às sensações que moldaram quem somos.
No fim, não é sobre a foto,
mas sobre o ato de lembrar.
Sobre guardar, dentro de si,
as marcas invisíveis das emoções
que insistem em ecoar.
A cidade não esconde mais sua miséria
O sol que esquenta o centro também está na favela
Há muitos sonhos e alguns perdidos nesse momento
O povo grita, chora ou apenas fica em silêncio
Não há tempo para a monotonia do previsível. Há tempo para o trabalho. E tempo para o amor. Isso nos toma todo o tempo.
Tropeço
Há tanto tempo não usado, encontrei o amor, sem querer. Ontem. Jogado debaixo da cama. Empoeirado. Sem caixa, bula ou manual. Um amor, assim, abandonado. Sujo. Rasgado. Fóssil soterrado. Navio afundado há anos. Casarão com tábuas pregadas nas janelas. Lençóis brancos sobre os móveis. Um amor acostumado com o escuro. Com o frio do quarto fechado. Com a passagem rápida de um inseto no meio da madrugada. Um velho amor largado. Pronto pra ser reciclado. Um amor procurado por toda casa nos lugares errados. Nos armários limpos. Entre taças. Louças. Dentro de caixas fechadas com laços. Sob tapetes varridos. Cantos desinfetados. Um amor chamado no grito. No gemido da febre. No cochicho da oração. Um amor sumido. Necessitado. Um amor que apareceu quando quis. De repente. Em um lugar inesperado. Há tanto tempo não usado, eu, ontem, tropecei no amor. Empoeirado. Sujo. Rasgado. Abandonado debaixo da cama. Um amor que talvez nem funcione mais.
Um filósofo é, portanto, alguém que reconhece que há muitas coisas que não entende. E isso aflige-o. Deste ponto de vista, é porém mais sábio que todos os que se gabam do seu pretenso saber.
Quando dois seres que não são amigos estão perto um do outro não há encontro, e quando amigos estão distantes não há separação.
Para mim, há uma diferença clara entre alguém que não tem medo e alguém que toma atitudes, apesar do medo, como ele.
(Divergente)
