Nao Ha Passageiros na Nave Espacial Terra
Há quém diga que você não é normal por não ser doido.
Há quém diga que você não é normal por não sair com anormais.
Há quém diga que você não é normal por ser normal.
Seja quem você é e não perca sua identidade por fazer o normal.
Tudo que eu tinha que demonstrar, eu fiz. Se não há esforço igual, é sinal de que estamos em páginas diferentes!📖🤔
Se a sua moralidade só se mantém quando há câmeras, registros ou risco de exposição, ela não é virtude, mas conformismo social bem disfarçado. A ética genuína não depende de vigilância total nem de anonimato: ela se sustenta porque pode ser racionalmente defendida em público, mesmo quando ninguém está olhando.
No aborto, não há réu, não há dor sentida, não há vítima consciente, há apenas juízes sem útero impondo autoridade sobre o vazio e chamando esse gesto de justiça.
Amar o próximo é um ato nobre, mas quando não há colaboração mútua, a bondade se transforma em ingenuidade.
A beleza destruirá o mundo. Quando tudo é medido apenas pela utilidade, não há espaço para o feio, o inútil ou o louco, e com isso, toda criatividade morre, tornando a vida injusta.
Não há sentido cósmico? Então façamos sentido terrestre. Não há justiça divina? Então construamos justiça humana. O humanismo é a recusa de esperar salvadores.
O niilista pensa que sem deus não há moralidade. O humanista sabe que a verdadeira moralidade só começa quando deus sai de cena e somos forçados a cuidar uns dos outros.
Há dias em que a única vitória possível é conseguir respirar fundo e não desistir de si mesmo, e isso é mais do que suficiente para um ser humano que carrega o peso de galáxias inteiras escondidas atrás de um sorriso discreto e de um olhar cansado.
Há feridas na alma que desafiam a cura; elas não sangram no cotidiano, mas latejam ao menor toque da lembrança.
O LUGAR INTERDITO DA ALMA.
Do livro: Não Há Arco-íris No Meu Porão.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
"Sim. Porque não há lugar ao meu lado para ninguém."
Joseph Beauvoir pronunciou essas palavras como quem encerra um veredito irrevogável. Não havia revolta em sua voz, mas uma espécie de resignação austera, como se já tivesse percorrido todos os caminhos possíveis e encontrado apenas a mesma paisagem deserta.
Camille Marie Monfort, porém, não se deixou persuadir pela aparência de certeza. Aproximou-se com a gravidade de quem não deseja contrariar, mas compreender até o limite.
"Não há lugar, ou não há permissão", indagou ela, com suavidade meticulosa. "Há uma diferença silenciosa entre o vazio e a interdição."
Joseph manteve-se imóvel. Seus olhos, antes firmes, vacilaram por um instante.
"Se houvesse lugar, alguém teria ficado."
Camille inclinou levemente a cabeça, como quem examina uma ideia antiga demais para ser aceita sem revisão.
"Ou talvez ninguém tenha suportado aquilo que guardas nesse lugar", respondeu. "Há almas que não são desabitadas, Joseph. São apenas profundas demais. E profundidade não é ausência. É excesso."
Ele deixou escapar um leve sopro, quase um cansaço antigo retornando.
"Excesso de quê. De falhas. De incapacidade. De tudo aquilo que afasta."
Ela negou, com uma serenidade que não impunha, mas sustentava.
"Excesso de consciência. Excesso de sentir. Excesso de verdade não dita. O problema não é não haver lugar ao teu lado. O problema é que esse lugar exige mais do que a maioria está disposta a oferecer. Permanência. Paciência. Coragem diante do que não é leve."
Joseph fechou os olhos por um breve momento, como se aquelas palavras tocassem uma região que ele evitava nomear.
"E ainda assim, ninguém fica."
Camille respondeu com um tom mais profundo, quase confidencial.
"Nem todos os encontros são destinados à permanência. Alguns existem apenas para revelar aquilo que acreditamos ser definitivo. E depois partem, não porque não havia lugar, mas porque não era o lugar deles."
Ele permaneceu em silêncio. Não era um silêncio de recusa, mas de assimilação lenta.
"Então o erro não está em mim."
Ela sustentou o olhar dele com firmeza doce.
"O erro está em transformar a ausência dos outros em sentença sobre o teu valor. Um lugar não deixa de existir porque não foi ocupado. Apenas aguarda aquilo que lhe corresponda."
Joseph voltou-se levemente para a escuridão ao redor, como se buscasse confirmar se ainda havia algo além dela.
"E se ninguém jamais corresponder."
Camille não hesitou.
"Então teu desafio não é desaparecer, mas continuar sendo um lugar verdadeiro, mesmo sem testemunhas. Porque aquilo que é autêntico não se mede pela presença alheia, mas pela fidelidade à própria essência."
O ar parecia mais denso, mas não mais sufocante.
E naquele instante, a solidão deixou de ser apenas condenação. Tornou-se também uma prova silenciosa de integridade.
"Não permita que o futuro chegue antes de ele chegar. Para tudo há um tempo, e quem não respeita o momento de cada coisa acontecer, faz acontecer da maneira errada".
Não há virtude em conhecer apenas o seu lado bom. A evolução é a própria sombra submissa a você. Forte é aquele que pode ferir mas não escolhe fazê-lo pois dominou a si mesmo.
Não aceito versões menores de mim
me expando para viver
não me diminuo para caber
há em mim um tanto de inteiro que não negocia
com espaços rasos ou afetos estreitos
quem insiste em me limitar
só encontra distância
porque eu não fui feita para encaixar
fui feita para ser
inteira
Há um tipo de força que não depende de ninguém para existir
ela nasce quando você para de se abandonar para caber em lugares que não te sustentam
não é sobre endurecer o coração
é sobre parar de confundir presença com permanência
nem tudo o que te toca merece te atravessar por inteiro
nem tudo o que chega merece ficar
eu aprendi a me reconhecer antes de ser reconhecida
a me segurar antes de qualquer mão
a me escolher antes de qualquer validação
e isso muda a forma como tudo te alcança
o que não tem verdade escorrega
o que não tem raiz não te derruba
o que não te enxerga inteiro não te desmonta
porque quando existe eixo por dentro
o mundo perde o poder de te fragmentar
