Nao Gosto do que Vejo
BALADA DO TEMPO (soneto)
... e o tempo passa, indiferente
apático, indo embora sem saber
poente na saudade, o alvorecer
mais um, outro, apressadamente
... dono dos gestos e do prazer
tristemente, tal uma flor dolente
que traga o frescor vorazmente
no ato da ação do envelhecer
e o tempo passa, inteiramente
sem que escolhamos perceber
e na lembrança, assim, assente
passa o tempo, e é para valer
sem que nada dele ausente...
Presente! Pois vale a pena viver!
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2017, junho
Cerrado goiano
A JANELA E A LUA (soneto)
Já de ti - dizia a lua - me despeço
Pra janela, no cerrado com sorriso
Deixo-te com os sonhos. Preciso
ir... O sol já está no seu ingresso
No horizonte me embaço no paraíso
De tua fresta vê-me no meu avesso
Diz a lua no clarão no céu disperso
E eu, noturna, indecisa, me diviso
E, escancarada, alegre, a ti expresso
Até mais logo! Vá com lotado juízo
Diz a janela pra lua, breve regresso!
E está, que já dormia, de sobreaviso
Inteirou a janela deste seu recesso
Até a noite, quando volta no improviso
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2017, junho
Cerrado goiano
CHEIRO DE CERRADO
Quando a alvorada chegou, eu fui a janela
Sentei-me. O horizonte abriu, a vida arfava
Eu, ao vento, atraído, a essa hora admirava
E estaquei, vendo-a esplendorosa e bela
Era o cerrado, era a diversidade em fava
Céu róseo um mimo! A arder como vela
De pureza singela tal qual uma donzela
Que hipnotizava a alma, eu, observava
Então me perdi no perfume que exalava
O olhar velava com pasmo e com tutela
Aí, hauri toda a essência que fulgurava
E agora, fugaz, lembrando ainda dela
Sinto o cheiro, que na memória trava
Da alvorada do cerrado vista da janela
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2017, junho
Cerrado goiano
Uma das coisas que mais me assustam na vida é a unanimidade. É um sinal amarelo que me alerta para o assédio da hipocrisia!
Às vezes temos a sensação de que o mundo inteiro nos despreza. A boa notícia é que pelo menos uma pessoa nos ama e valoriza (Deus) e essa pessoa vale mais que o mundo inteiro!
'' Quando a noite escurece nas sombras do meu pensamento,eu olhos as estrelas firmemente e atento.
Sobre a luz da lua eu me ponho a sonhar,com coisas grandiosas como o brilho do seu olhar.
Ponto a ponto eu marco as constelações e nelas coloquei os nomes do anciões.
Os mesmos que me disseram que meu destino me daria você,e a mim a ti.
Não busco nas estrelas um passatempo e nem uma forma de saber sobre tudo.
Apenas procuro no escuro um caminho para luz de tudo.
Sei que vou te encontrar algum dia,e farei o certo assim como se deve ser feito.
Um destino por um destino.Uma vida por uma vida. ''
— Às vezes — falou Robert — você escolhe com quem quer ficar quando ainda é muito jovem, aí você muda, mas a pessoa não muda com você.
Devemos lutar por nossos sonhos e seguir sempre nosso ideal, sem fazer mal a ninguém, amando a todos. O que é errado sempre será errado mesmo que todos façam, mas o que é certo sempre será certo mesmo que ninguém o faça.
Uma vez um certo alguém chegou em mim e me perguntou quais os tipos de pessoas que me encantam, e eu respondi; “Aquelas que não desistem de mim.
Viva a vida como se fosse o último dia da sua vida. Aproveite o presente, o passado passou, o futuro é o destino que pertence a DEUS!
E a culpa? A culpa é da vida que tem inicio, meio e fim. A nossa culpa está apenas em amar tanto e sentir tanto perder alguém.
Há muito mais gente morta caminhando sobre a terra do que enterrada embaixo da mesma. E o mais trágico está no fato de não o perceberem!
"Mais magro", sussurra o velho cigano de nariz carcomido
para William Halleck quando ele e sua esposa Heidi saem
do tribunal. Apenas estas duas únicas palavras, carregadas
pela doçura enjoativa do hálito dele.
"Mais magro". E antes que Halleck possa recuar, o velho
cigano estica o braço e acaricia-lhe a face com um dedo
retorcido. Os lábios dele entreabrem-se como uma ferida,
exibindo alguns cacos de dentes que despontam das gengivas
como lápides quebradas. Cacos de dentes enegrecidos e
esverdeados. A língua do velho se esgueira por entre eles e
então desponta, para lamber os amargos lábios sorridentes.
"Mais magro "
