Nao Existe o Belo e o Feio
Sinto que já perdi o meu poder masculino. Quando aconteceu, não sei. Não houve aviso, nem ruptura visível. Apenas acordei, um dia, neste quarto escuro da vida, onde a luz parece ter-se esquecido de entrar.
Furucuto, 2026
Eu não vou negar o que aconteceu.
Fecho os olhos, mas não apago a verdade.
Ainda assim, não me submeto ao que ficou trancado,
ao que feriu, ao que já não respira em mim.
O passado é uma sombra distante:
existe, mas não aquece, não abraça, não constrói.
Ele não acolhe os dias felizes,
não sustenta o amor que quer viver agora.
Eu escolho seguir inteiro,
com o coração aberto e a dignidade de quem aprendeu.
Se for para amar, que seja livre,
sem correntes antigas, sem culpas herdadas.
Porque o amor verdadeiro não mora no ontem,
ele nasce no presente
e caminha firme para o amanhã.
Agora vou correr atrás do futuro, o passado é só um livro velho de páginas amareladas. Não vale a pena chorar por quem ficou para trás, uma vez que quem permanece caminhando é quem tem as mãos limpas e o coração puro. É tempo de acender luzes, luzes que iluminem o meu caminho, e o caminho daqueles que andarem comigo. A história não acabou, ela recomeçou, com novas cores, nova vida e novo brilho, assim como vivo e brilhante é o novo amanhecer.
Medo de que o casamento não corra bem? De que o namoro não dê certo? De que tudo seja uma ilusão? O amor e o medo não podem andar juntos. Quem tem medo não entende do amor. Amar é precisamente não ter medo. É entender que se possui uma força imensa. Quem ama sabe que é também possuído e protegido pelo amor. E que por isso, caminha noutra altura; voa por cima dos cumes gelados, dos salpicos das ondas, das pedras afiadas e dos vales profundos. Quem ama navega por cima de um mundo muito pequeno, se move com asas de fogo, descansa em mãos de fadas, possui sua própria dimensão. Quem ama vira um ser de outro mundo.
Não estou me vitimizando.
Vitimar-se não me cabe — eu não preciso disso.
Cheguei até aqui sozinha,
e se for preciso, sigo sozinha.
Achismo é achar.
Ver é enxergar.
E eu enxergo.
Graças a Deus, eu tenho um Deus que me protege,
que não permite que ninguém me use por muito tempo,
nem como escada, nem como prazer,
nem como fuga das próprias carências.
Da vida, eu só quero uma coisa:
ser melhor do que fui ontem.
E não permitir que ninguém me coloque
numa prisão emocional
onde eu precise pedir permissão pra ser quem sou.
Meu passado eu devo a mim —
às escolhas que enfrentei,
às dores que superei.
E o meu futuro também depende de mim,
da coragem de continuar,
do amor-próprio que aprendi a construir.
E sobre isso, eu sei:
quem se conhece, se protege.
Quem se respeita, não aceita migalhas.
E quem anda com Deus
não se perde em caminhos que não levam à paz.
O perdão requer também o arrependimento sincero de quem vai ser perdoado, não há perdão se não houver arrependimento de quem cometeu o erro.
Não posso dar o que não me foi pedido.
Se estamos em um pequenino rebanho, nao há lugar nele para uma ovelha se tornar grande, a menos que ela sirva as demais.
A perda não leva apenas o que amamos. Ela deixa em nós o espaço exato da ausência, como um molde invisível. E é nesse vazio que a saudade planta raízes, transformando o silêncio em memória viva.
A vida não é o rastro que deixamos no tempo, mas a resistência que oferecemos à simetria do esquecimento. Somos a única parte do universo que sequestra a energia do caos para fabricar nostalgia.
O Cárcere do Ontem
O relógio não perdoa o que foi breve,
O instante, fugaz, não se repete.
O ontem é cinza que o vento atreve,
E o tempo, severo, jamais se compromete.
Pode a vida trazer nova oportunidade,
Mas o brilho de outrora não volta ao lugar;
Quem vive de sombra perde a claridade,
Deixando o agora no abismo expirar.
A mente, cativa de um tempo vencido,
Ignora o presente, no vácuo flutuando,
Idealiza um futuro por medo tingido,
Enquanto a alma segue adoecendo e parando.
O receio do erro virou armadura,
A autossabotagem se faz soberana;
A vontade de agir se torna tortura,
Presa na teia da mente que engana.
Vazios repletos de entulho e memória,
Lixo tóxico que o peito consome.
Escrevemos o rascunho de uma vã história,
Onde o "eu" verdadeiro não tem rosto ou nome.
Nascemos no nada, buscando o saber,
Morremos tentando o mundo entender...
Mas na busca incessante por tanto aprender,
Esquecemos a meta de nos conhecer.
Poesia de Islene Souza
Eu acho que gosto de escrever, porque não será possível, apenas eu enxergar, o quanto a ideia de um deus benevolente, é perigosa em um mundo visivelmente injusto.
Eu não consigo ter paz, enquanto fazem passeatas pra políticos, e matam em nome de deus, buscando a justiça que ele ficou de trazer.
Não sei por que me tratas assim, me despreza e me deixa esperar, não sei por que me destes outra chance, por que começaste a me amar, pois eu nunca mudei, e o único ódio que me dá é não conseguir te odiar.
