Nao Controlamos o que Sentimos
tempo escorre igual café passado na hora:
quente, forte e impossível de segurar…
quem não prova, perde o gosto da vida.
A lua não brilha, ela devolve…
feito espelho educado da noite,
ensinando que até refletir já é luz.
A vida não vem com manual,
vem igual bordado de joaninha…
um pontinho de cada vez até formar sentido.
Na Alemanha, eu aprendi que a vida não se define pelos erros, mas pela forma como escolhemos nos reconstruir depois deles. Entre acertos silenciosos e recomeços discretos, descobri uma força que não se anuncia — se prova.
Ali, entendi que é possível levantar dos próprios escombros sem precisar esconder as quedas. Que recomeçar não exige ter tudo, mas ter decisão. Que firmeza não é dureza, é clareza de quem sabe onde pisa.
Aprendi a me posicionar, a sustentar minhas escolhas e, principalmente, a viver de um jeito que fala por si — não pela perfeição, mas pela coerência. Ser exemplo deixou de ser um ideal distante e passou a ser uma prática diária, construída nos detalhes, nas atitudes, na constância.
Essa foi a lição que ficou: não importa o ponto de partida, nem os desvios do caminho. Sempre existe a possibilidade de reescrever a própria história — com dignidade, consciência e verdade suficiente para que outros também encontrem direção.
Marcilene Dumont
Migrar não é apenas mudar de país. É deslocar o próprio eixo interno. É acordar com o corpo em um território e a alma ainda fazendo conexão com o anterior.
Porque viver não é apenas continuar,
Sobreviver te mantém viva.
Mas viver é ter consciência dos valores que se quer e se tem , e é o que te transforma.
É estar presente naquilo que se constrói.
Marcilene Dumont
Eu comecei a viver com mais leveza.
Não porque tudo ficou fácil,
Mas porque eu fiquei mais forte,
e isso transformou tudo.
Às vezes, a maior transformação não é aquela que o mundo vê.
É aquela que acontece em silêncio — e muda tudo.
A RESILIENCIA da mulher não está em resistir sempre, mas em renascer quando todos acreditam que ela não pode mais
MARCILENE DUMONT
Mulher é raiz que sustenta, é asa que liberta, é horizonte que não se alcança.
Ela aprende a dançar com as tempestades para depois florescer nos dias de sol.
Mulher é resistência que canta, é ternura que luta, é vitória que inspira.
Não é o peso da vida que a define, mas a forma como ela escolhe levantar-se.
FIBROMIALGIA
Ela acorda antes do despertador.
Não porque queira — mas porque o corpo chama.
A fibromialgia não grita, ela sussurra em forma de peso.
É como se a noite tivesse deixado pedras espalhadas pelos músculos. Levantar não é apenas sair da cama. É negociar com o próprio corpo. É dizer: “Vamos, mais um dia.”
Ela aprende a se erguer devagar, como quem respeita uma maré.
Há dias gelados em que o frio parece morar dentro dos ossos. Há dias cinzentos em que o mundo olha para ela e diz: “Mas você nem parece doente.”
E ela sorri — aquele sorriso treinado, que esconde tempestades.
A fibromiálgica luta contra algo invisível.
E lutar contra o invisível exige uma coragem que ninguém aplaude.
No espelho, às vezes vê cansaço.
Mas também vê força.
Vê uma mulher que, mesmo com o corpo pedindo repouso, escolhe colocar cor no vestido. Um batom mais vivo. Um brinco que dança com a luz. Se o mundo insiste em cinza, ela responde com amarelo. Se o clima fecha, ela procura o sol — nem que seja o sol da própria fé.
Ela aprende sobre tolerância — não apenas a dos outros, mas a dela consigo mesma.
Aprende que produtividade não define valor.
Aprende que descansar não é fracassar.
Aprende que sentir dor não é ser fraca.
E quanto aos outros…
Ah, como seria bonito se todos entendessem que a dor invisível também dói. Que a fadiga não é preguiça. Que a sensibilidade não é drama. A pessoa com fibromialgia não quer pena — quer compreensão. Quer que respeitem seus limites sem que precise justificar cada passo mais lento.
Ainda assim, ela segue.
Com resiliência de quem já enfrentou invernos longos.
Com a esperança de quem sabe que o clima muda.
Com a firmeza de quem transforma dor em delicadeza.
Porque viver com fibromialgia é, todos os dias, escolher florescer em meio ao próprio inverno.
