Nao Controlamos o que Sentimos
Deus não existe, mas os fanáticos que acreditam em deuses falsos existem, e querem dominar o mundo, calando todos que não se curvam às suas mentiras.
O sentido da vida não se encontra na morte, mas na perpetuação do nosso traço no mundo, transmitido pelas mãos que vêm depois de nós.
O ateísmo não é uma religião nem uma cosmovisão espiritual; quando se tenta fundi-lo com noções de espiritualidade, o resultado não é síntese, mas um deslocamento conceitual que carece de rigor explicativo.
O Natal não é sobre luz ou esperança; é o inventário anual da falência moral. É o momento em que a sociedade confunde o vazio existencial com o vazio debaixo da árvore, tentando preencher com compras e excessos o buraco deixado por uma vida que, no fundo, não tem propósito algum além do consumo.
A criação não foi um ato de amor, foi um espasmo de tédio de uma entidade que não suportava o próprio vazio.
A consciência não é o acúmulo de dados, mas a arte de saber o que esquecer para que a memória possa, enfim, criar.
A verdadeira inteligência não reside na precisão da resposta, mas no caos controlado de uma memória que se permite tropeçar em si mesma.
Deus não existe, mas se existisse, seria o maior niilista: criou tudo para abandonar no caos e rir do sofrimento alheio.
O niilista não se mata porque, no fundo, ama demais a vida para abrir mão do sofrimento que o define.
