Nao Controlamos o que Sentimos
Protegemo-nos tanto pela tecnologia que, muitas vezes, já não percebemos o abismo de insensibilidade e desconexão emocional que se alarga entre nós.
Entre aquilo que vejo, ouço, tateio, provo e respiro e o real, há uma distância que não sei medir; mas o desconhecido logo me revela a pequenez do que sei.
Não podemos estar em todos os lugares ao mesmo tempo; mas um pouco de cada lugar onde estivemos permanece em nós.
O mundo não lhe prometeu justiça; muitos só lembram da justiça quando os ventos não sopram ao seu favor.
Em sua caminhada, ele chega a uma bifurcação. Para decidir, não reflete muito; apenas olha ao redor. Como a paisagem lhe parece a mesma, conclui que qualquer rota serviria e segue adiante sem fazer o desvio.
Mais à frente, encontra um transeunte e pergunta:
— Aonde me leva este caminho?
O homem responde:
— Este caminho leva a um abismo profundo. E o desvio já ficou para trás.
Assim é a vida: muitas escolhas parecem irrelevantes porque, no início, a paisagem quase não muda. Mas é justamente nelas que o destino se inclina.
Distraídos com a paisagem, as escolhas não parecem importantes; mas, quando o abismo chega, o desvio pode já ter ficado para trás.
Mesmo quando a verdade parece prejudicá-lo, não renuncie à honestidade. O que os enganadores lucram nunca iguala a dignidade dos íntegros.
