Nao Controlamos o que Sentimos
Na rua Garay, a criada me disse que tivesse a bondade de esperar. O menino estava, como sempre, no porão, revelando fotografias. Junto ao vaso sem flor, no piano inútil, sorria (mais intemporal que anacrônico) o grande retrato de Beatriz, em pesadas cores. Ninguém nos podia ver; num desespero de ternura, aproximei-me do retrato e disse-lhe:
– Beatriz, Beatriz Elena, Beatriz Elena Viterbo, Beatriz querida, Beatriz perdida para sempre, sou eu, sou Borges.
Carlos entrou pouco depois.
Temos a oportunidade de criar para nós mesmos e para gerações futuras uma nova ordem mundial.
Quando tivermos sucesso, e vamos ter, teremos uma chance de alcançar a nova ordem mundial.
Odeio desiludir você da sua noção relativa de bem e mal, mas esse homem conhecia e praticava o mal numa escala quase absoluta.
Estão cientes de que a base da sociedade é o confinamento respeitoso dos mortos? Deixamos de ser primatas quando cavamos os primeiros túmulos. Foi o nascimento da civilização. E será o fim dela quando pararmos de honrar os que vieram antes de nós.
