Nao Consigo te Odiar

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⁠“Não sou estranho — sou livre.”

Meu presente é simples



Não te entrego ouro
Nem promessas vazias,
te dou meu tempo,
meu cuidado, meus dias.
Dou-te o silêncio que escuta
teu falar e o abraço que insiste em te amparar.


Meu presente é simples,
mas é inteiro:
um coração sincero, verdadeiro.
Lateja intenso, infinito, feito prece,
cada vez que teu nome aparece.


Te dou meus sonhos para dividir,
meus medos para juntos
enfrentar e seguir.
Dou-te amor sem prazo,
sem medida, daqueles que escolhemficar pela vida.


E se um dia o mundo pesar demais,
lembra: em mim sempre haverá paz.
Porque o maior presente que posso te dar é amar você…
e sempre te amar.

Eu te amo no tempo que não cobra, no passo calmo de quem cuida.
Um amor que não invade, aprende a permanecer.


Não te quero por medo do vazio, mas pela alegria de te ver livre. É afeto que não aperta,
é presença que respira contigo.


Se um dia teu sentir encontrar o meu, que seja por vontade, não por urgência. Se não for, sigo inteiro, porque amar também é saber soltar.


E quando o mundo cansar teu peito, que em mim exista silêncio e abrigo. Eu fico — não por posse ou promessa, mas porque te amar é onde sou verdadeiro.

Guardo tua voz como trilha sonora antiga, dessas que ainda emocionam,
mas não combinam com o agora.
Não há raiva aqui, só um carinho maduro, que entende que ficar também pode ser ir embora.


Então este é o último episódio
de “nós”, sem promessas,
sem reprise, sem volta.
Aperto o stop com lágrimas
calmas e verdadeiras,
e sigo — levando amor,
mas escolhendo paz.

E hoje entendo:
despedida nenhuma
apaga o que foi real.
Se não houve adeus, foi porque ainda há laço, um fio invisível
que me liga a você,
onde o amor continua…
mesmo em silêncio.

Não foi o inimigo que me quebrou,
foi quem jurou ficar.


As feridas que carrego
não vieram da guerra,
vieram do amor usado como faca,
de palavras que entraram sorrindo
e saíram rasgando.


Meu coração
não tem cicatrizes de ódio,
tem cortes de afeto mal usado,
tem marcas de quem entrou como abrigo e saiu deixando escuridão.


Aprendi tarde:
algumas pessoas não matam o corpo, matam a luz.


E essa morte
não deixa sangue…
deixa ausência.

O que sustenta um relacionamento


O que sustenta um relacionamento
não é só o amor que chega bonito,
é a escolha diária de ficar
quando seria mais fácil partir.


É o respeito que segura a palavra,
o silêncio que não vira desprezo,
é saber ouvir a dor do outro
sem transformar amor em disputa.


Sustenta-se no cuidado dos gestos simples, no “estou aqui” dito sem alarde, na paciência que entende o tempo e na lealdade quando ninguém vê.


Porque amar é fácil quando tudo floresce, difícil é regar quando o chão está seco, e só permanece quem entende que amor se constrói…
não se promete.

Se não fosse ex


Se não fosse ex,
seria ainda atual, seria mensagem debom-dia sem medo,
seria o costume bonito de te ter por perto como quem nunca aprendeu a dizer adeus.


Se não fosse ex,
Teu nome ainda moraria
no lado mais calmo do meu peito,
onde o tempo passa devagar
e o amor não precisa se explicar.


Se não fosse ex,
Seríamos presente, não lembrança que dói e aquece ao mesmo tempo, seríamos planos simples, risos soltos, uma vida acontecendo
Sem pressa.


Se não fosse ex,
talvez eu ainda fosse casa,
e você, vontade de ficar.

Sob o capuz da noite, teu olhar me encontra, tenso como a corda do arco antes do destino.
Não miras apenas o alvo distante
— miras o que em mim
ainda não sabe fugir.


Teus dedos firmes seguram o silêncio, e a flecha, hesitante, aprende o caminho do desejo.
Entre guerra e sombra,
teu peito bate como quem
ama sem pedir permissão.


És guardião do que não se diz,
herói de um amor que caminha
às escondidas.
E se um dia tua flecha me atingir,
que seja no ponto exato onde
mora o “fica”.


Porque mesmo em meio à luta,
teu gesto revela:
há corações que só se rendem
a quem sabe mirar com cuidado.

Você não está quebrado.
Você só sente fundo.⁠

Querer proteger,
consertar, salvar
e sofrer quando percebe
que não controla tudo⁠

⁠“Se eu tenho poder e não faço o suficiente, então
a culpa é minha.”

⁠O tubarão que não nada se afoga.

Quando o seu coração foi estilhaçado e remodelado em algo que já não parece normal dentro do seu próprio peito, perdoar soa como uma palavra sem sentido no meio de uma conversa.

Vencer com o Bem


Não carrego a vingança nas mãos,
nem afio o ódio no silêncio do peito.
Entrego a Deus o peso da justiça,
porque há batalhas que não são do meu jeito.


Quando a dor pede resposta em grito, aprendo a responder com oração.
A ira que o mundo quer que eu abrace eu deixo escorrer pelas mãos da redenção.


Se o inimigo vem faminto de amor,
é pão que ofereço, não desprezo.
Se chega sedento de paz,
é água viva que derramo sem medo.


Pois sei:
o bem que nasce do perdão
arde mais forte que qualquer punição.
São brasas que queimam a consciência, não para destruir,
mas para trazer reflexão.


Não me deixo vencer pelo mal que machuca, nem pela sombra que tenta ficar.
Eu venço quando escolho a bondade,
quando deixo Deus julgar.


Porque a justiça não falha em Suas mãos, e o amor sempre vence no final.
Quem caminha com o bem no coração nunca perde
— mesmo ferido pelo mal.

Porque há amores que não buscam finais felizes, apenas a eternidade de recomeçar⁠

Deixa o vento soprar o que não ficou,
Deixa o tempo levar o que não brotou.


Se não floresceu, não era estação,
Se não permaneceu, faltou coração.


Guardei silêncio onde havia querer,
Aprendi que amar também é ceder.


E no espaço vazio que ficou em mim,
Planto esperança
— recomeço, enfim.




P.silva3

Feito de Teixo





Feito de teixo,
não dobra fácil.
Aprendeu cedo a ser madeira firme
enquanto o mundo testava o peso.


Carrega flechas que não disparou,
dores que não nasceram nele,
mas que aceitou guardar
pra ninguém sangrar ao redor.


É arqueiro que vigia em silêncio,
olhos atentos mesmo quando cansam, corpo erguido no
meio do colapso
— não por heroísmo,
mas porque alguém precisa ficar.


Quando tudo racha,
vira apoio.
Quando todos falam,
escuta.
E quem encosta
sente segurança
sem saber por quê.


O erro foi aprender a ser muralha
antes de aprender a pedir abrigo.
Confundiu força com solidão,
resistência com fechamento.


Mas ainda permanece de pé.
Marcado.
Mais denso.
Inteiro.

Teixo curvado, arqueiro paciente:
da madeira que espera nasce a flecha que não erra.

Palmeiras


Verde que não é só cor,
é promessa,
é peito aberto cantando no escuro do estádio.
Cada passo no gramado carrega história,
cada grito na arquibancada vira destino.


Forjado na luta, gigante no silêncio,
vence quem aprende a cair sem perder a fé.
Quando o jogo aperta,
o coração responde:
ser palmeirense é ficar
quando todos duvidam.


Há títulos, sim
— mas há algo maior:
o laço invisível entre gerações.
Avô, pai, filho, o mesmo escudo no peito, omesmo amor que não se explica, se herda.


E quando a bola beija a rede,
não é só gol
— é catarse, é lágrima, é chão tremendo.
Porque esse verde não passa,
ele mora.