Nao Consigo te Odiar
O perdão foi estratégia de sobrevivência, perdoar não apaga, organiza o futuro, livre ando sem correntes.
Não temo o recomeço, o entendo como oficina, voltar ao início é oportunidade de melhor projeto, recomeçar é técnica, não tragédia.
Aprendi a escolher batalhas com critério, não entro em todas as lutas, seleciono propósito, a economia de guerra poupa forças.
A experiência é meu patrimônio líquido, não se perde no mercado das palavras, rende decisões melhores a cada dia.
Não confundo paciência com acomodação, paciência é tática, acomodação é rendição, sigo paciente, jamais entregue.
O respeito próprio nasceu do enfrentamento, não é soberba, é limite sadio, mantenho nele meus passos.
"O perdão não é porque o outro merece! Se fosse assim, Jesus jamais subiria na cruz por nós! Mas, o perdão é porque não merecemos viver "ancorados e fixados" por essa energia congelante!" (CH²)
A vida é uma flor, breve e frágil, e não sei por quê mais memorável que a pedra, que dura, mas não nos atravessa — talvez porque só o que morre nos toque verdadeiramente.
Quando somos traídos em um relacionamento, a dor não é por perder o calor do corpo, o sabor do beijo, mas sim a maior amizade que achava que tinha.
A pressão afinou meu caráter, a pressão não me quebrou, me acertou, hoje tenho menos sobra de vaidade.
A fé que me move é tangível, trabalho, rima e rotina, não espero milagres sem esforço, sou artesão da própria sorte.
Ouço melodias melancólicas não como distração, mas como constatação. O que para muitos parece repetitivo ou desprovido de vida, para mim é a tradução mais lúcida do existir. Cada tecla do piano, em sua cadência transcendental, não apenas sugere tristeza, mas expõe, com rigor quase científico, o estado real do meu espírito.
A chuva incessante lá fora assemelha-se à minha fé, não se interrompe, não se exaure, apenas persiste.
O vento é essência do indomável, não se deixa conter, não pertence a rumo algum, é movimento puro, existência sem destino, liberdade em forma de sopro.
