Nao Consigo te Odiar
A gentileza não precisa de destreza;
A educação não precisa de ocasião;
O amor não precisa de favor;
A bondade não precisa de oportunidade;
O respeito não precisa de conceito;
O perdão não precisa de sermão;
Hoje acordei com um vazio, achei que fosse fome; comi e não passou.
Uma solidão que permeava, fui pra multidão e mesmo assim me sentia só.
Aquele aperto que pressiona meu peito, coloquei uma música pra distrair, mas não adiantou.
A saudade apertou mais forte hoje, tentei ocupar a cabeça, porém só conseguia pensar em você.
O nó na garganta veio, mas decidi não chorar; preferi celebrar, escolhi relembrar dos nossos momentos felizes.
Este é o meu primeiro ano longe de você, queria te abraçar, queria te beijar; mas eu preciso aprender que para ter você comigo, eu não preciso te ver, basta te sentir.
Sentimento sólido vai muito além do sentir, é sobre resistir e insistir; balançar, mas não cair; fraquejar, mas não acabar.
Numa discussão, o mérito da razão não é para quem discute melhor, mas para quem escolhe ter paz do que estar certo.
A lembrança e a importância deve estar em quem te motiva e não em quem te critica; em quem se importa e não em quem te ignora; em quem te trata bem e não em quem te trata como ninguém; em quem te respeita e não em quem te rejeita; em quem te dá amor e não em quem te causa pavor.
Eu queria me abrir, mas não é possível pra mim
Se eu o fizesse, todos veriam
Uma criança amável se escondendo
Por trás de uma armadura de frieza e sarcasmo
A cidadania afetiva, para muitos,
não se resume ao regresso
à Pátria ancestral e à liberdade
de ostentar um passaporte.
É a volta para casa, mesmo
que seja só uma viagem interior.
Só quem sabe o que significa
ainda ouve, mesmo inconsciente,
o murmúrio do Rio Ádige
cantando o outono da existência,
para depois cruzar o Atlântico
e virar um oceano de resiliência.
O isolamento, a fome, a pressão
do isolamento e os sons das execuções
vividos pelas "dieci trentine" presas
no Castello del Buonconsiglio;
a transferência para a Áustria,
para a desmobilização da resistência,
seguem ecoando inescapáveis,
ecoando profundamente no destino
mesmo por uns desconhecido.
Daqueles que seguem rindo
e fazendo pouco caso, ofereço
o meu cálice com dose de repúdio;
e se passarem na minha frente,
não oferecerei nenhum augúrio.
Porque sei bem do peso geracional
e me guio pela pluma de Luisa Zeni,
que enleva a memória em evidência,
para que ninguém nunca mais faça
zombaria da necessidade de outrora:
de um povo teve de viver na prática
plenamente a sua lealdade e resistência
em nome do direito a vital sobrevivência.
