Nao Chega aos meus Pes
Você não imagina a liberdade que é pra mim atuar na minha língua, em português, é libertador. Tem toda uma profundidade emocional quando você diz algo em sua língua materna.
Penso menos na minha carreira, embora não goste tanto desse nome, penso mais na minha vida. Onde quero estar, com quem quero estar, ou trabalhar. Estou menos ambicioso profissionalmente e mais grato.
Disseram que orar não é exatamente falar com Deus. É reconhecer o desespero. Atirar-se ao chão porque é tudo que você pode fazer. Meio como ter o coração partido e pensar: “Me ligue. Por favor, mude de ideia.” “Me aceite de volta.”
Seu lar não precisa ser um lugar. Não importa aonde você vai nem o que você faz. Quando você está com a pessoa que te ama do jeitinho que você é… está em casa.
Todos nos escondemos atrás da versão que apresentamos ao mundo. Mas as pessoas não mudam. Não de verdade. Não por dentro.
Onde o amor vira um tipo de salvação torta, e o respirar depende de alguém que já não sabe mais ficar. É poesia em combustão lenta. Dor com delay. E esperança mesmo quando tudo parece irrecuperável.
Amar de verdade, às vezes, é saber deixar ir, com a dignidade de quem sentiu tudo, mas não precisa mais provar nada pra ninguém.
É uma solidão tão real que não cabe dentro do peito, que escapa dos olhos, que corta feito lâmina que ninguém vê chegando.
A verdade é que eu não queria ouvir a voz dela. Eu queria ouvir a minha voz com a presença dela no fundo.
Porque a gente aprende a falar diferente quando é ouvido com amor.
E desde que ela foi embora, eu desaprendi até a me explicar.
Eu teria paz se não precisasse lembrar que fomos quase. Quase eternos, quase salvos, quase felizes.
É assustador perceber que a gente não vira ninguém quando cresce.
Que a gente só vai sobrevivendo.
Cuidando de traumas como se fossem filhos. Colecionando frustrações como figurinhas raras.
E aceitando que o “pra sempre” é só uma palavra bonita com prazo de validade vencido.
