Nao Ame Sozinho
Há coisas na vida importantes e outras muito importantes. Não saia de casa sem pedir a bênção de Deus para os seus pais.
— Anderson Silva
A virada do ano é só um lembrete que o tempo e a vida não param. Não é sobre uma página em branco, mas sobre a continuidade de um livro que estamos escrevendo enquanto o chão se move sob nossos pés.
A verdade é que a vida não espera a gente se sentir seguro ou 'pronto' para acontecer. Ela simplesmente vem.
No fim das contas, a verdadeira coragem não está em desejar que tudo seja perfeito, mas em se manter firme enquanto tudo muda.
Seguimos não porque o calendário mudou, mas porque carregamos vida, sonhos e projetos que são maiores que qualquer data. Parar nunca foi uma opção.
Sabe o que me atrai? Não é o que a gente vê de primeira. Eu reparo mesmo é na intensidade do olhar, no que não precisa ser dito. Um sorriso sincero já me ganha sem muito esforço. O que me prende de verdade é a conexão e a verdade
“Não é o lugar que faz a pessoa. É a pessoa que faz o lugar.
Enquanto carregarmos o mesmo peso dentro de nós, qualquer caminho nos levará ao mesmo destino.
Mas quando transformamos o nosso interior, até o chão em que pisamos se torna sagrado.”
BY: ian vioto querubim
"Eu nunca quis, não quero e nunca serei seu amigo"
Eu transito.
Entre países,
fronteiras,
bairros,
cidades,
entre uma fumaça e outra,
entre amores que chegam
e amores que viram saudade.
Sou homem de passagem,
de mala, de rua, de miragem,
de beijo que acende a noite
e de adeus que muda a paisagem.
Acendo um cigarro
no Hard Rock Café de Santa Cruz de la Sierra
e, por alguns minutos,
me sinto como um deus.
Não porque conquistei alguém,
mas porque ninguém me pertence
e eu não pertenço a ninguém.
Em Letícia, na Colômbia,
danço cumbia amazônica
entre mulheres, fumaça e madrugada,
e descubro, mais uma vez,
que há coisas que acabam
sem jamais terem sido fracassadas.
Pedalo por São Paulo
e sou imbatível.
A cidade passa por mim,
os carros passam por mim,
as pessoas passam por mim,
e eu continuo.
Acendo um cigarro diante da Fundação Mario Benedetti
e a poesia me satisfaz.
Porque aprendi alguma coisa
sobre o amor,
sobre a vida
e sobre essa estranha mania humana
de chamar de definitivo
aquilo que nasceu transitório.
Eu sou rei na arte de transitar.
Sei chegar.
Sei partir.
Sei encontrar pessoas.
Sei reconhecer seus rostos anos depois
e fingir que o tempo não fez seu trabalho.
Grande parte das mulheres que conheci
dividiu comigo uma cama.
Hoje,
muitas são estranhas.
E tudo bem.
Não transformo o passado em mentira
só porque ele passou.
Houve amor.
Houve desejo.
Houve pele,
risada,
cigarro,
madrugada,
promessa que parecia eterna
até a manhã seguinte provar o contrário.
E depois?
Depois, seguimos.
Distintos.
Como duas gotas de água.
É assim que a vida me ensinou.
Eu não preciso possuir o que amei
para admitir que amei.
Não preciso voltar
para reconhecer que estive lá.
Não preciso transformar uma mulher que foi amor
em amiga
só para fingir que alguma coisa permaneceu.
E é aqui que você entra.
Porque eu nunca quis ser seu amigo.
Não naquela noite.
Não depois daquele beijo.
Não quando deitei ao seu lado.
Não quando imaginei você ao meu lado
para além de uma noite,
de um bar,
de uma cidade,
de uma estação.
Eu queria você.
Não sua amizade.
E eu não vou cometer agora
a covardia elegante
de chamar de amizade
aquilo que um dia chamei de amor.
Eu já tenho amigos.
Tenho muitos.
Tenho amigos suficientes
para encher uma mesa de bar.
Não me faz falta
mais uma cadeira.
Estou acostumado à solidão.
A solidão nunca me assustou.
Já atravessei fronteiras sozinho.
Já atravessei cidades sozinho.
Já atravessei países sozinho.
Já atravessei amores sozinho.
E sobrevivi.
Então não me ofereça
o prêmio de consolação.
Eu não quero.
O amor é arrogante.
Tão arrogante
que prefere perder
a fingir que ganhou.
Ele não aceita sobras.
Não aceita redução.
Não aceita que aquilo que desejou inteiro
seja apresentado depois
em pequenas porções
com o nome bonito de amizade.
Eu não quero a sua amizade
como quem recebe uma medalha
por ter perdido a guerra.
Prefiro a derrota limpa.
Prefiro a ausência verdadeira.
Prefiro que você passe por mim
num bar
acompanhada ou desacompanhada,
com alguém segurando sua mão
ou segurando apenas o próprio copo.
Já não me importa.
Você pode me cumprimentar.
Pode não cumprimentar.
Pode sorrir.
Pode seguir reto.
Pode estar com outro homem,
com outro amor,
com outra vida.
Nada disso me abala.
Porque o que me importa agora
não é ter você.
É não mentir sobre você.
Eu quis sua boca.
Quis sua presença.
Quis você ao meu lado.
E não vou fingir
que queria apenas uma amizade
porque foi isso que restou.
Não.
Te ganhar ou te perder.
Mas sem engano.
Sempre sem engano.
Porque a maior vitória
não é possuir aquilo que se deseja.
A maior vitória
é não se possuir pela mentira.
É poder perder alguém
sem perder a própria verdade.
Então vá.
Atravesse a rua.
Atravesse a cidade.
Atravesse a fronteira.
Faça da sua vida
o que quiser.
Eu farei da minha
o que sempre fiz:
transitarei.
Com meu cigarro.
Minha bicicleta.
Minha poesia.
Meus bares.
Minhas cidades.
Minhas mulheres.
Minha solidão.
E essa estranha capacidade
de amar profundamente
sem precisar transformar
todo amor perdido
em amizade.
Porque algumas pessoas
não foram feitas para permanecer.
Foram feitas para passar.
E algumas histórias
não precisam de amizade
depois do fim.
Precisam apenas
de honestidade.
Por isso,
se algum dia você me encontrar
naquela mesa de bar,
não procure uma cadeira vazia para mim.
Eu já aprendi a sentar sozinho.
E se quiser me chamar de amigo,
não.
Eu nunca quis.
Não quero.
E nunca serei.
Porque entre te perder
e me enganar,
eu escolho perder.
Entre a sua amizade
e a minha verdade,
eu escolho a verdade.
Entre ter você pela metade
e não ter você de jeito nenhum,
eu escolho o vazio.
Porque o vazio passa.
A mentira fica.
E eu,
que sou tão acostumado a partir,
não tenho medo de partir de você.
Tenho medo apenas
de permanecer
onde nunca quis estar.
Te ganhar ou te perder.
Mas sem engano.
Essa é a vitória.
quem tem caráter se desculpa porque reconhece o erro e quer curar a relação; quem não tem caráter se desculpa apenas para salvar a própria pele quando não há mais como mentir.
A espiritualidade autêntica não nasce da capacidade de apontar o dedo, mas da coragem de olhar para dentro. Quando um grupo ou indivíduo se coloca na posição de juiz da sociedade, ele assume o risco e o dever de ser o exemplo máximo daquilo que prega.
A esperteza de quem não tem caráter dura exatamente o tempo necessário para o mundo perceber quem ele realmente é.
Um coração partido não é um vaso que se quebrou; é uma casa antiga cujo inquilino principal se mudou levando todas as lâmpadas. O maior erro que cometemos é tentar reconstruir o que fomos no escuro.
A criança encontra alegria nas pequenas coisas, transforma objetos simples em descobertas e não precisa de grandes explicações para se encantar com o mundo. Para ela, viver é experimentar, imaginar, brincar e descobrir.
Enterramos grandes histórias de amor ainda vivas, apenas para que o nosso orgulho não precise carregar a cicatriz de uma rejeição.
Não estudo física para deixar de crer, nem creio para deixar de estudar. Estudo para ler as duas margens da mesma página: numa Deus se fez fórmula, na outra se fez parábola.
Eu Já Não Posso Mais Ficar
Querido,
não estou partindo por desamor,
nem porque deixei de te amar.
Parto porque preciso salvar
a ausência de quem um dia fui,
a mulher que existia em mim
antes que o silêncio começasse
a ocupar o lugar das palavras.
Você mudou, querido.
E, nos teus olhos,
já não encontro o mesmo amor
que um dia me fazia ficar.
Talvez ainda exista carinho,
talvez ainda exista lembrança,
talvez nosso amor tenha apenas
se transformado em memória.
Mas ficar onde o amor permanece vivo,
enquanto as raízes se tornaram sufocantes,
é viver um luto
que nunca encontra o enterro.
Eu não quero destruir
o que fomos.
Ao contrário,
partindo, quero guardar
o que houve de mais bonito entre nós.
Nosso castelo de memórias
não precisa desmoronar
só porque eu preciso partir.
Ele permanecerá de pé
dentro de mim,
com as nossas risadas,
os nossos abraços,
os sonhos que um dia construímos
e tudo aquilo que, apesar do fim,
foi verdadeiro.
Desculpa, querido,
mas eu já não posso ficar
em um lugar onde não estou mais florescendo.
Não quero continuar
apenas por medo da partida.
Não quero me perder
tentando permanecer.
Às vezes, amar também é saber ir embora.
E talvez esta seja
a parte mais dolorosa do amor:
olhar para alguém que ainda amamos
e compreender que,
para continuarmos existindo,
precisamos seguir caminhos diferentes.
Eu parto levando comigo
a certeza de que você fez parte
da minha história.
E, onde quer que eu esteja,
nosso castelo de memórias
continuará guardado.
Porque algumas histórias terminam,
mas nunca deixam de ter existido.
Eu só preciso partir.
Porque eu já não posso mais ficar.
Com olhar humano e domínio da tecnologia, o tecnólogo em radiologia revela o que os olhos não veem, transforma imagens em respostas e contribui para salvar vidas.
A corrupção não justifica o combate corrupto á corrupção.
Para se encontrar algo é necessário começar a procurar.
É esta a questão que está por baixo da minha argumentação.
Eu não estou propriamente a tentar defender «os fins justificam os meios». Estou a fazer uma pergunta anterior e talvez mais incómoda:
«Quem determina quais são os meios que um fim legítimo pode legitimamente utilizar?»
Porque, a partir do momento em que aceitamos que determinados meios podem ser admissíveis ou não, para alcançar um fim considerado legítimo, aparece imediatamente o problema:
Quem estabelece o limite?
* A lei?
* Um juiz?
* O Estado?
* Uma autoridade policial?
* A necessidade?
* A consciência individual?
* A maioria?
* Ou o próprio resultado obtido?
E aqui está o perigo: quem controla os meios pode acabar por definir aquilo que considera legítimo.
É por isso que o meu exemplo sobre os meios que justificam o combate à corrupção é pertinente. Não prova que qualquer meio corrupto seja justificável; mostra que a fronteira entre um meio ilícito, um meio excepcionalmente autorizado e um meio abusivo não é simplesmente determinada pelo objetivo declarado.
E eu faria uma pequena evolução na frase inicial: A corrupção não justifica o combate corrupto á corrupção
Para:
«A corrupção não justifica o combate corrupto à corrupção.»
Agora passo para uma pergunta:
«Se o fim é legítimo, quem legitima os meios utilizados para o alcançar?»
Esta segunda já não é uma máxima que dá uma resposta. É uma pergunta que obriga quem fez a afirmação a revelar o critério que utiliza.
E, conhecendo a maneira como tenho vindo a construir as minhas ideias em relação, acho que é precisamente aí que quero chegar: não aceitar a conclusão antes de descobrir quem escreveu as regras que permitiram chegar até ela.
Entre todos os tormentos que a alma humana pode suportar, não há nada mais dilacerante do que ver-se privado daquilo que deveria estar ao seu alcance. Contudo, mais cruel ainda é ser rejeitado, expulso, traído... justamente por aqueles que um dia juraram ser o porto seguro ao qual eu recorreria em minha hora de maior necessidade. Essa ferida não apenas consome o coração — ela desperta a chama da revolta.
Ainda que distante de minhas ocupações intelectuais, persisto em auxiliar os que necessitam, não por interesse, mas por respeito ao dever. Pois é na conformidade da vontade com a lei moral que o homem encontra o verdadeiro valor e a autêntica satisfação da vida racional.
Vitor Ferreira de Paula
Se me fosse concedida a rara faculdade de retroceder pelos corredores do tempo, não a empregaria para corrigir erros que estes, por teimosos, sempre encontram novas formas de nascer, mas para reviver aquelas primeiras sensações, tão vivas, tão ardentes, que inauguram os afetos humanos. Há nos começos um frescor quase ingênuo, uma doçura que não se repete, como se a alma, ainda virgem de decepções, saboreasse o mundo com apetite novo
Depois, tudo se acomoda. O entusiasmo, outrora vibrante, cede lugar a uma morna familiaridade, e aquilo que foi chama reduz-se a brasa discreta. É o destino de muitas coisas e dos sentimentos, sobretudo assemelharem-se ao café que, servido quente, encanta o paladar, mas, uma vez esquecido à mesa, perde o vigor e já não seduz como antes
E assim seguimos, não por falta de intensidade, mas por excesso de costume.
