Nao Ame Sozinho
Aqui o Brasil não é mapa —
é corpo em brasa.
A pele da terra rasga em fogo,
e a fumaça sobe como um grito antigo
que ninguém quis ouvir.
No peito, a bandeira ainda pulsa,
cercada por cinzas e promessas queimadas.
O verde virou carvão,
o azul resiste como céu ferido,
o amarelo tenta lembrar que já foi sol.
Cada labareda é uma história interrompida,
um rio que pede socorro,
uma floresta que reza sem língua.
O país arde, não por acaso,
mas por descuido,
ganância e silêncio.
Mesmo em chamas, há algo que não morre: a esperança teimosa que brota na rachadura.
Do fogo pode nascer semente —
se o povo acordar,
e decidir ser chuva.
Mas então existe você
Que não puxa, caminha junto
Não me prende, não me drena
Me ama avançando
— e eu avanço por nós.
As sem-razões do amor
O amor não pede licença à lógica,
chega quando não é chamado
e permanece mesmo sem explicação,
feito chuva mansa em dia inesperado.
Amei sem saber o motivo,
sem rumo, sem garantia.
Meu coração escolheu antes da mente,
e eu apenas segui o que pulsava.
Há amores que não resolvem a vida,
mas dão sentido ao caos.
São as sem-razões do amor,
existindo mesmo quando tudo falha,
mesmo quando doem,
ensinam a ficar inteiro.
Porque amar não é cálculo nem acordo:
é entrega sem defesa,
é aceitar que algumas coisas
só existem porque não têm razão.
Arte de amar
Amar é aprender a nadar em mar revolto, onde o vento não pede licença e as ondas testam a coragem do peito.
Ainda assim, o coração
insisteem ficar à deriva.
O amor é arte feita sem esboço,
pincel molhado de sal e esperança,
cada toque um risco, cada erro uma nova forma de beleza.
Há noites em que o medo parece afogamento, o silêncio pesa como âncora no fundo do peito, mas até o mar mais bravo ensina
que respirar é um ato de fé.
Porque amar não mata
— transforma.
Desmonta, refaz,
ensina o corpo a flutuar.
Quem ama não foge da tempestade:
aprende a chamar o caos de casa.
Encontrei um pergaminho antigo,
guardado no fundo do tempo,
nele dizia que o amor não se desfaz,
apenas muda de caligrafia.
Antes de te conhecer,
eu era só um menino sonhador,
rabiscando o mundo em guardanapos, acreditando que versos eram abrigo.
Eu caminhava com o peito aberto,
como quem atravessa um deserto
seguindo estrelas que não sabia nomear, colecionando silêncios como mapas.
Então você surgiu feito tinta viva,
molhou meus dias de cor e sentido,
ensinou minha mão a escrever sem medo, como quem descobre a própria língua.
Hoje sei:
o pergaminho não era papel,
era o meu coração esperando leitura,
e o amor que diz durar pra sempre
aprendeu a morar no teu nome.
há corações que não sabem mais pulsar sozinhos, precisam de verdade, cuidado e presença, como flores que só se abrem quando alguém fica.
E no fogo,
A bandeira ainda brilha,
não como símbolo,
mas como desafio.
Que arda o que precisa arder,
para que o amanhã renasça das cinzas, intacto e audaz.
Filhos do Futuro
Carregam nos olhos
a luz que ainda não vi,
Sementes de um mundo
que insiste em nascer.
Em cada gesto, em cada riso,
há o que eu sonhei,
E o que eu não consegui,
talvez, vocês consigam.
Que aprendam com
o vento a suavidade
do tempo,
E com a chuva,
que às vezes tudo se renova.
Que saibam que o amor é força
e é abrigo,
E que perdoar é a ponte
que une corações.
Que encontrem caminhos
mesmo na sombra da dor,
E que nunca temam
a vastidão
de seus sonhos.
Pois cada passo,
mesmo incerto,
é história viva,
E cada escolha é música
que o mundo irá ouvir.
Filhos do futuro,
guardem a esperança,
Como quem segura
estrelas nas mãos.
Vocês são promessa,
raiz e asas,
O começo que transforma
o ontem em amanhã.
Que você fique —
não apenas na moldura dos meus dias,
mas na essência silenciosa do que sou,
no espaço entre um pensamento e outro,
onde mora tudo o que ainda não sei dizer.
Fica nos meus planos desajeitados,
nas promessas que faço ao vento,
nos caminhos que invento só para ter
a desculpa bonita de segurar sua mão
como quem segura o próprio destino.
Fica nas minhas manhãs apressadas,
no café que esfria enquanto penso em você,
nas noites em que a saudade sussurra seu nome
e transforma ausência em esperança,
distância em vontade de abraçar.
Mas, acima de tudo, fica no meu coração —
faz dele teu abrigo, tua calma, tua certeza.
E se o mundo lá fora for tempestade,
fica…
porque é em você que encontro lar.
Depois da Escuridão
Ele não nasceu herói,
nasceu menino marcado,
com o peso do mundo nos ombros
e o silêncio do medo guardado.
Entre sirenes e lágrimas antigas,
aprendeu que a dor não escolhe endereço,
que a cidade ensina cedo demais
o valor e o preço do próprio tropeço.
Quando o erro queimou como raio na pele,
ele quase acreditou que era o fim,
mas descobriu que caráter não é queda —
é levantar mesmo quando tudo diz “sim” para desistir.
E assim virou choque no sistema,
não por força, mas por decisão:
porque não é o erro que molda o homem —
é o que ele faz depois da escuridão.
Revela quem Ele é
Ele não espera que você se conserte
para então decidir amar.
Não observa suas rachaduras
como quem calcula se vale a pena ficar.
Ele vê o medo que você esconde,
as falhas que você tenta cobrir,
e não recua diante delas —
é ali que escolhe agir.
Porque a graça não floresce no mármore,
mas na pedra que já foi quebrada;
o poder não nasce da perfeição,
mas da alma cansada.
Deus não ama apesar das suas imperfeições —
Ele atravessa cada uma delas com luz.
E onde você vê fraqueza,
Ele vê espaço para revelar quem Ele é em você.
Então, hoje a pergunta não é:
“Quando Deus vai terminar de me moldar?”
A pergunta é:
“Estou disposto a ser moldado hoje?
Enquanto houver barro nas mãos do Oleiro, há esperança, há propósito, há glória sendo formada.
O Significado do Amor
Amor não é palavra dita ao vento,
nem promessa feita na pressa do momento.
É escolha diária, silenciosa e firme,
é ficar quando tudo parece partir.
É tocar as cicatrizes sem medo,
beijar as falhas como quem encontra abrigo.
É enxergar o caos no outro
e ainda assim chamar de lar.
Amor é paciência que não se cansa,
é mão estendida no meio da tempestade.
É olhar nos teus olhos e reconhecer
que o meu futuro começa aí.
E se me perguntarem qual é o seu significado,
eu não direi conceitos, nem teorias bonitas.
Direi apenas o teu nome —
porque amar, para mim, é você.
O que voce significa pra mim
( não vou explicar )
As pessoas me perguntaram o que você significa pra mim.
Eu sorri, disfarcei, mudei de assunto.
Tentei responder com palavras simples,
mas nenhuma delas ousou dizer o que eu sinto.
A verdade é que você não cabe em respostas prontas.
Você é pensamento que me visita sem avisar,
é o motivo escondido por trás do meu sorriso,
é o silêncio que grita teu nome dentro de mim.
Eu não tive coragem de falar que você é mais.
Mais que carinho, mais que desejo, mais que saudade.
Você é o meu ponto de paz no meio do caos,
o lugar onde meu coração descansa.
Se um dia eu criar coragem,
não vou explicar — vou sentir junto com você.
Porque o que você significa pra mim
não se diz ao mundo… se confessa olhando nos seus olhos.
O tempo não repete histórias por acaso.
Ele devolve cenários com novos rostos,
na esperança silenciosa
de que a gente finalmente responda diferente.
Quando o ontem fica aberto como ferida mal costurada,
o amanhã vira palco de ensaio —
não porque superamos,
mas porque ainda tentamos entender onde sangrou.
E talvez amar de verdade seja isso:
aceitar que certas dores não pedem cura, apenas pedem um lugar seguro no peito, onde a esperança possa, enfim, descansar.
E é justamente nessas marcas
que o amor aprende a ficar.
Não para apagar o passado,
mas para caminhar com
ele sem medo.
Porque amar também é segurar
a mão do outro onde ainda dói.
