Nao Ame Sozinho

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Ainda penso nela, mas não com a mesma dor.

O vazio continua aqui. Não desapareceu. Apenas deixou de ser um quarto sem janelas.

Entre as frestas que o tempo abriu, o ar finalmente entrou. E, pela primeira vez em muito tempo, eu consegui respirar sem que cada lembrança parecesse um afogamento.

Ela ainda existe em mim. Só já não ocupa todo o espaço. O silêncio continua, mas deixou de ser um castigo e passou a ser apenas silêncio.

Talvez seja isso que chamam de seguir em frente. Não esquecer alguém. Apenas aprender que até o vazio pode deixar passar um pouco de luz.

A dor de um braço quebrando não termina no instante em que o osso cede.

Existe o estalo.

Existe a carne tentando entender o que aconteceu.

Existe o corpo inteiro procurando uma posição onde a dor diminua, mesmo sabendo que nenhuma posição resolve.

Mas existe uma outra dor.

Aquela que ninguém vê no raio-X.

Aquela que fica quando você percebe que alguém foi capaz de olhar para você e escolher a violência.

E então não é mais só o braço.

Quebra alguma coisa por dentro.

Quebra a sensação de segurança.
Quebra a confiança.
Quebra aquela parte ingênua que ainda acreditava que certas pessoas simplesmente não seriam capazes de atravessar determinados limites.

E existe a humilhação.

Aquela sensação miserável de estar ali, machucada, vulnerável, tentando juntar os pedaços enquanto quem fez aquilo talvez siga respirando como se tivesse apenas atravessado mais uma esquina.

Você se sente pequena.

Sozinha.

Às vezes, até suja de uma culpa que não é sua.

Como se o corpo violentado carregasse também a vergonha da violência.

Mas não.

A vergonha não é minha.

Nunca foi.

O lixo não sou eu.

Lixo é quem precisa destruir o corpo de outra pessoa para se sentir grande.

Lixo é quem transforma força em covardia.

Lixo é quem levanta a mão porque não possui argumento, caráter ou humanidade suficientes para permanecer de pé diante de alguém.

Eu estava sozinha quando a dor chegou.

E talvez essa tenha sido uma das partes mais cruéis.

Porque há momentos em que a gente gostaria de ter alguém segurando nossa mão, dizendo que vai passar, dizendo que aquilo não aconteceu porque merecíamos.

Mas ninguém deveria precisar de uma testemunha para provar a própria dor.

Eu sei o que senti.

Eu sei o que ouvi.

Eu sei o que meu corpo suportou.

Eu sei o que quebrou.

E sei também que existem ossos que médicos conseguem colocar no lugar, mesmo que demore.

A alma é mais complicada.

Ela não recebe gesso.

Não existe cirurgia para devolver imediatamente a confiança.

Não existe remédio capaz de apagar a imagem da covardia.

Então eu vou ter que reconstruir.

Devagar.

Com raiva, talvez.

Com lágrimas também.

Com dias em que vou me sentir forte e outros em que vou me sentir um lixo por uma violência que nunca foi minha.

Mas vou reconstruir.

Porque aquele homem conseguiu quebrar meu braço.

Não conseguiu decidir quem eu sou.

E talvez essa seja a primeira coisa que eu precise aprender novamente:

eu não sou o que fizeram comigo.

Eu sou a mulher que sobreviveu ao que fizeram comigo.

E isso muda tudo.

“Quem fica quando você cai não é necessariamente quem mais dizia amar você.”

Dor não grita sempre.

Às vezes,
fica quieta,
muda hábitos,
encurta abraços,
apaga vontades.

Depois, chamam isso de superação.

Não é.

É adaptação.

Algumas pessoas não são feitas para ficar. São feitas para atravessar a nossa história, deixar alguma coisa em nós e seguir. E talvez aceitar isso seja uma das formas mais difíceis de entender que nem toda partida significa que o que vivemos foi menos verdadeiro.

'Enquanto o tempo não Decide"


Eu te esperarei,


não como quem conta as horas
ou implora ao tempo que não vá.
Esperarei como a noite espera a aurora,
sabendo que a luz, cedo ou tarde, chegará.


Não guardarei teu nome entre promessas,
nem farei do passado um altar.
Há amores que sobrevivem às pressas,
mas morrem quando alguém deixa de lutar.


Eu te esperarei onde ninguém me alcança,
onde o silêncio aprende a dizer.
Sem transformar saudade em esperança,
sem esquecer de mim para esperar você.


E se um dia teus passos encontrarem os meus,
não perguntarei por que demorou.
Talvez certos encontros sejam escritos por Deus,
depois que o mundo inteiro nos desencontrou.


Mas se não vieres, eu também partirei.
Não por falta de amor, nem por esquecer.
É que até quem espera precisa viver,
e há portas que o coração precisa fechar para sobreviver.


Ainda assim, se a vida te trouxer de volta,
se o acaso resolver nos aproximar,
encontrarás minha alma já sem revolta,
mas com espaço suficiente para te abraçar.


Eu te esperarei.


Não parada.


Não perdida.


Apenas vivendo a minha vida,


até que o destino decida
se você era chegada
ou apenas despedida.

Algumas fases acabam, mas não ficam inúteis. Elas viram parte da arquitetura da gente. ❤️

Não é minha orientação que precisa de defesa.
É o preconceito que precisa aprender
que respeitar alguém não significa
inventar sobre ela aquilo que se quer temer.

A Arte de Refazer-se


Reconstruir não é voltar ao lugar
onde a ruína aprendeu a morar.
É olhar cada resto, sem se iludir,
e escolher o que fica, o que vai ruir.


Depois da queda, muda-se o mapa,
a voz já não pede, a presença não escapa.
Muda-se a língua, o jeito de falar,
porque quem se refaz aprende a se nomear.


Também muda o acesso, a porta, a janela,
nem toda presença merece a sala mais bela.
Existem distâncias que não são abandono,
são muros erguidos para proteger o sono.


Reúne-se tudo: silêncio e memória,
feridas, desejos, fracassos, história.
Nada é varrido para fingir perfeição,
até o que doeu ganha outra posição.


E então se percebe, no fundo da pele,
que mudar não é negar aquilo que fere.
É retirar da ferida o direito de mandar,
sem deixar que o passado escolha onde ficar.


Quem se reconstrói não volta igual,
troca o caminho, recalibra o sinal.
Não distribui chaves por medo de perder,
nem abre a própria casa para qualquer querer.


E se perguntarem por que tudo mudou,
não foi o mundo: foi quem se encontrou.
Mudou a linguagem, a porta e a direção,
porque reconstruir também é mudar a própria posição.

“Se um dia você não conseguir encontrar palavras, não conseguir me procurar, não souber por onde voltar... ainda existe uma coisa que pode me alcançar"...



🎵

Algumas feridas não têm passado. Têm presença.

Justiça não é vingança.
É a verdade chegando ao lugar onde a mentira acreditava ter comprado morada.

Begônia, hoje não tente convencer ninguém do seu valor.
Quem precisa ser convencido provavelmente não sabe cuidar de jardim. 🌺

A dor ensina a se portar quando já não podemos reagir a tudo. Ensina paciência quando o tempo não obedece à nossa urgência. Ensina resiliência quando a vida nos derruba e, ainda assim, alguma parte nossa decide levantar.
E talvez a maior lição seja esta: resiliência não é aprender a suportar qualquer coisa. É aprender quando permanecer de pé e quando finalmente ir embora.

Talvez a vida não nos permita ter todo o tempo que gostaríamos… 🤍


Mas quando alguém realmente importa, a gente aprende a desejar menos quantidade e muito mais intensidade.


Um café sem pressa.
Uma conversa que atravessa a noite.
Um olhar que diz aquilo que as palavras não conseguem.
Um abraço que faz o mundo parecer distante.


Porque existem momentos que duram pouco no relógio,
mas permanecem por muito tempo no coração.


E se eu pudesse escolher um pequeno pedaço da eternidade,
não escolheria um lugar perfeito,
nem uma vida sem problemas.


Escolheria apenas um instante verdadeiro,
ao seu lado,
onde o tempo pudesse esquecer de passar.


Porque, no fim,
o que torna um momento inesquecível
não é quanto tempo ele durou…


É **quem estava com a gente quando ele aconteceu.** ❤️

"A vida, como algo retilíneo, é irreal! A vida não é reta, mas cheia de curvas."

Já não sei o que está acontecendo comigo. Desde criança, sempre tive dificuldades com as tarefas escolares; eu era motivo de piada e já tinha aqueles pensamentos sombrios. Ultimamente, as coisas só pioraram. Meus amigos se afastaram — eles cochicham sobre mim — e eu me sinto ignorado e indesejado. Sinto como se tudo estivesse desmoronando. Estou tentando buscar ajuda, mas é muito difícil. O problema é que não sei como socializar e, por causa da minha condição (TDAH), às vezes passo a impressão de estar desinteressado ou de ser irritante. Simplesmente não sei mais o que fazer, e aqueles pensamentos sombrios estão ficando cada vez piores.

As pessoas, geralmente, só não fazem o "mal" pelo medo das consequências — seja a consequência que acreditam ter após a morte ou a consequência que recebem em vida mesmo. Já outras pessoas são naturalmente boas por natureza, não fazem o mal, mesmo se houvesse a oportunidade. Então, é sempre bom rever o próprio caráter, a própria personalidade, as próprias intenções, o próprio ser, e desenvolver em si mesmo aquilo que você de fato é ou quer ser, mas não por medo de consequências, e sim por vontade, por coração, por si mesmo.

Tem pessoas que só fazem o "bem" por interesse — interesse de ser "privilegiado", de "receber", de "ganhar", de "conseguir" dos outros. E isso não é, interpretamente falando, uma pessoa "essencialmente boa", entre aspas, quando só se faz com esse objetivo, e sim uma "pessoa interesseira", fingindo ser boa ou mostrando ser interesseira mesmo. Ou seja, não desenvolveu naturalmente o sentimento puro, leve, doce, amoroso de ser. Não percebeu que, pra isso, não precisa da expectativa de receber algo em troca ou temer as consequências se não fizer, e que basta, essencialmente, seguir o próprio sentimento, deixar fluir naturalmente as intenções, enxergar os próprios comportamentos, respeitar a própria vibração pessoal sobre qualquer situação, parar de se controlar e apenas ser, indiferente dos atos. Pois a essência de si mesmo é fluxo, natural, espontâneo, se desenvolve assim, e não se controlando pra não ser.

Por exemplo, tem pessoas que têm o ato de ajudar alguém a se levantar, mas têm a intenção de ajudar a levantar porque têm como objetivo ter algo em troca depois...

Tem pessoas que têm o ato de ajudar alguém a se levantar, mas a intenção era apenas ajudar a levantar, pois não têm como objetivo algo em troca...

Então, existe uma diferença entre uma pessoa "boa" e uma pessoa "interesseira", que só faz o "bem" por interesse.

A "boa" tem como intenção o ato do momento, e mesmo que receba algo em troca, a intenção era o ato, não a expectativa em receber.

A "interesseira" tem como intenção receber algo depois do ato, e se ela não recebe em troca, cobra, pressiona, joga na cara, abandona, larga, chantageia, diz que não fizeram por ela.

Não que eu esteja julgando ou definindo o que é "bom" ou o que é "ruim", o que é "interesseiro" ou o que "não é". Até porque, pessoas mudam. Às vezes, estão em um dia bom, às vezes, em um dia ruim. Não é uma regra, é uma análise do momento. Às vezes, a pessoa fez de coração agora e, daqui a cinco minutos, por interesse, no qual irá cobrar em seguida. Novamente repito: não é uma regra, é uma análise do momento. Apenas uma interpretação rasa de uma situação hipotética pra você discernir a diferença de quando alguém é e quando finge ser pra dizer que é. Pra você discernir a diferença de quando alguém fez por interesse e quando fez por vontade própria, por coração.

Às vezes, somos ruins; às vezes, bons; às vezes, interesseiros; às vezes, não. Porém, é bom ter o olhar aprimorado nas situações desses momentos, saber quem finge, saber quem é. Pois, quando nosso olhar é turvo, embaçado, cego, a gente acaba olhando apenas quem não era pra olhar, apenas porque a "aparência", as "miragens" vistas dos nossos olhares cegos aparentavam ser verdadeiras, boas de coração. E nisso, nos iludimos com quem não deveríamos, por ser fingimento, falso, e deixamos de ver quem era pra enxergar: os verdadeiros de bom coração.

E quem olha é o próprio sentimento, não a impressão dos olhos.

Pois os olhos têm o interesse de olhar o que aparenta ser.

O sentimento sente o que de fato é.

O luto


O luto é resposta emocional profunda.
É natural a uma perda significativa,
Não se limita apenas à morte sentida,
Mas também às rupturas da vida
Que nos atingem em momentos aflitos
Com angústias no silêncio no peito que as abriga.


O luto angustia a alma,
Abala as emoções
E enche o coração de tristeza.
Todavia, Deus cria situações
Para nos dar a certeza
E curar as nossas aflições.


Raimundo Nonato Ferreira
Setembro/2026

Conexão é confiança;
Controle é desconfiança.

Quem está conectado ao outro não tem a necessidade de controlar,

pois somente quem desconfia, por não acreditar nessa conexão de amor, tenta controlar, vigiar, manipular, para se sentir seguro no sentimento daquilo que não acredita ter com alguém.