Nao Alimentar Esperancas
A singularidade de cada indivíduo não está apenas no que pensa, deseja ou defende, mas na complexidade com que tudo isso se organiza em seu ser.
Os momentos passam, mas não se perdem enquanto a memória os abriga. Assim também os sonhos: enquanto não morrem dentro de nós, a realização ainda se aproxima.
Não lamente os erros que comete; o problema não está no erro, mas em repeti-lo sem aprendizado. É do ajuste contínuo que nasce o acerto.
Não se iludam com as verdades prontas dos sábios; muitas vezes são os inquietos, os estranhos e os tidos por loucos que nos fazem refletir de verdade.
Sou feliz aonde não estou’ é um paradoxo que revela a vagueza existencial do homem. Há, nessa frase, a tendência humana de imaginar a felicidade sempre deslocada: em outro lugar, em outro tempo, em outra condição, como se o presente jamais bastasse. Muitas vezes, esse movimento não expressa apenas desejo, mas fuga — uma tentativa de escapar da insatisfação, da ansiedade e do vazio que acompanham a consciência humana. O homem se move, projeta, sonha e parte, acreditando que o próximo cenário lhe trará repouso; mas a turbulência apenas muda de lugar, e o desamparo continua. O ‘aonde’, portanto, não é apenas geográfico. É o símbolo de uma busca incessante por uma completude que talvez o homem não encontre em parte alguma, porque carrega consigo a sua própria incompletude.
Não me preocupa tanto deixar este mundo; o que não permitirei é ter passado por ele sem provocar, sem arranhar e sem espernear.
Lembre-se de que o seu fim um dia virá; não permita, porém, que ele chegue antes de você caminhar descalço no solo que arou, colher o fruto do que plantou e ouvir a canção que compôs.
