Nao Acabou pra Mim
Seja amor onde for
Problema todos tem
Não seja o de alguém
Leve a paz
O bem sempre faz
Acalma
A alma
Aflitos tem demais
Ore agradeça
Jesus
Fonte de luz
Produz
O alimento
Material
Espiritual
E no porvir
O celestial
Glória a Jesus
Nossa eternal fortaleza
Fonte de riqueza
Sem fim
Jubila oh minha alma
Exalta o rei do universo
Que com o mundo conversa
A respeito de um glorioso plano
Salvação
Redenção
SALVAR NOSSAS ALMAS. Gloria a Deus
Soberano pai celestial.
Renunciar aos prazeres efêmeros em vista da glória eterna não é perda; é o sábio abandono do que é temporal por aquilo que permanece para sempre.
O amor não se compra, o tempo não se vende, e o presente não paga o preço
(melhor chuteira, melhor bola, melhor game). Nada se compara ao amor e ao tempo, lhe dado. O amor é único, a ausência dos pais podem trazer um grande vazio na alma.
Tem gente que passa a vida carregando a bagagem do vazio, e pesa!
Quando Aprendi a Ajustar as Velas
“Não podemos escolher a direção do vento, mas sempre é possível ajustar as velas.”
Durante muito tempo, eu quis negociar com o vento.
Queria que a vida soprasse exatamente na direção dos meus desejos. Fazia planos, criava expectativas,
imaginava caminhos e, silenciosamente, esperava que Deus concordasse com todos eles.
Eu dizia que confiava.
Mas, no fundo, queria controlar.
Queria escolher o vento, a velocidade, o caminho, o momento da partida e até o porto onde deveria chegar.
Talvez uma das minhas maiores dificuldades tenha sido compreender que fé não é receber de Deus o controle sobre o oceano.
Fé é continuar navegando mesmo depois de descobrir que nunca tivemos esse controle.
Demorei para entender isso.
Quando as coisas aconteciam como eu desejava, era fácil agradecer.
Quando o vento estava favorável, eu chamava aquilo de bênção.
Quando as águas estavam tranquilas, dizia que Deus estava comigo.
Mas bastava o céu escurecer para minhas certezas começarem a desaparecer.
Se alguma coisa dava errado, eu perguntava:
“Deus, onde estás?”
Hoje percebo a contradição daquela pergunta.
Eu reconhecia Deus na calmaria, mas tinha dificuldade de reconhecê-Lo na tempestade.
Talvez porque eu ainda acreditasse que a presença de Deus deveria significar ausência de sofrimento.
A vida me ensinou outra coisa.
Existem tempestades que acontecem mesmo quando Deus está no barco.
Existem perdas que a oração não impede.
Existem portas que permanecem fechadas.
Existem pessoas que partem.
Existem sonhos que não se realizam da maneira que imaginávamos.
Existem perguntas que atravessam anos sem encontrar resposta.
E existe um momento em nossa caminhada em que precisamos decidir:
ou passaremos a vida inteira brigando com o vento, ou aprenderemos a ajustar as velas.
Foi então que comecei a compreender a maturidade de outra maneira.
Maturidade não é ter domínio sobre aquilo que acontece.
É possuir humildade suficiente para reconhecer aquilo que não podemos controlar.
E talvez a fé comece exatamente nesse lugar.
Na fronteira entre aquilo que posso fazer e aquilo que preciso entregar.
Posso ajustar as velas.
Mas não posso ordenar ao vento que sopre.
Posso segurar o leme.
Mas não posso acalmar todos os mares.
Posso escolher algumas direções.
Mas não posso conhecer antecipadamente todas as tempestades.
Posso fazer planos.
Mas não posso exigir que o amanhã os obedeça.
Essa descoberta poderia parecer assustadora.
Curiosamente, para mim, começou a se transformar em liberdade.
Porque percebi o quanto estava cansado.
Cansado de tentar controlar pessoas.
Cansado de querer controlar acontecimentos.
Cansado de imaginar o futuro.
Cansado de discutir mentalmente com coisas que já haviam acontecido.
Cansado até de tentar explicar Deus.
Havia transformado minha vida numa embarcação pesada demais, carregada de culpas,
expectativas, medos e perguntas.
E talvez Deus nunca tivesse pedido que eu carregasse tudo aquilo.
Talvez Ele estivesse apenas esperando que eu soltasse algumas coisas.
Foi quando comecei a entender que entregar não significa desistir.
Entregar significa reconhecer limites.
Há uma diferença enorme entre abandonar o barco e confiar enquanto continuamos navegando.
A fé não me ensinou a ficar parado esperando milagres.
Ensinou-me a fazer aquilo que está ao meu alcance e entregar a Deus aquilo que minhas mãos não conseguem alcançar.
Eu ajusto as velas.
Ele conhece os ventos.
Eu seguro o leme enquanto posso.
Ele conhece o oceano que eu ainda não atravessei.
Eu vejo alguns metros à minha frente.
Ele conhece aquilo que existe depois do horizonte.
Talvez seja por isso que algumas coisas que considerei derrotas tenham acabado se transformando em caminhos.
Algumas portas fechadas me obrigaram a procurar outras.
Algumas quedas diminuíram meu orgulho.
Algumas perdas me ensinaram a amar melhor.
Alguns silêncios me ensinaram a escutar.
Algumas tempestades arrancaram de mim certezas que talvez nunca tivessem sido fé.
E alguns ventos contrários me levaram para lugares onde eu jamais teria chegado por vontade própria.
Hoje olho para trás e percebo quantas vezes reclamei da direção do vento sem perceber que estava sendo conduzido.
Nem sempre para onde eu queria.
Mas muitas vezes para onde eu precisava ir.
Essa talvez seja uma das maiores confissões que posso fazer:
eu quis controlar a vida porque tinha medo de confiar.
Controle, muitas vezes, é apenas o nome elegante que damos ao nosso medo.
Queremos garantias porque temos dificuldade de caminhar pela incerteza.
Queremos respostas porque o silêncio nos incomoda.
Queremos mapas porque o desconhecido nos assusta.
Mas Deus raramente me entregou o mapa inteiro.
Quase sempre me mostrou apenas o próximo passo.
E talvez seja justamente isso que torna a fé tão difícil e tão bonita.
Se eu conhecesse todo o caminho, talvez não precisasse confiar.
Se soubesse antecipadamente cada resposta, talvez não precisasse esperar.
Se pudesse controlar todos os ventos, talvez nunca aprendesse a rezar durante a tempestade.
Hoje já não peço apenas:
“Senhor, muda o vento.”
Algumas vezes ainda peço, porque continuo sendo humano e existem tempestades que realmente assustam.
Mas aprendi também outra oração:
“Senhor, se o vento não mudar, ensina-me a ajustar as velas.”
Essa oração mudou muita coisa dentro de mim.
Porque existem momentos em que Deus não muda imediatamente as circunstâncias.
Muda o marinheiro.
Fortalece as mãos.
Acalma o coração.
Ensina paciência.
Diminui o orgulho.
E nos faz perceber que aquilo que imaginávamos ser o fim talvez fosse apenas uma mudança de rota.
Continuo não sabendo para onde todos os ventos da minha vida me levarão.
Ainda tenho medo.
Ainda faço planos.
Ainda me decepciono.
Ainda gostaria que algumas coisas fossem diferentes.
A fé não retirou de mim a humanidade.
Mas hoje existe uma diferença.
Já não preciso exigir que o oceano inteiro obedeça à minha vontade para acreditar que Deus continua comigo.
Se vier a calmaria, agradecerei.
Se vier o vento favorável, abrirei as velas.
Se vier a tempestade, tentarei permanecer no barco.
Se precisar mudar a rota, mudarei.
Se tiver de esperar, esperarei.
E quando minhas forças já não forem suficientes, procurarei lembrar aquilo que levei tanto tempo para aprender:
eu nunca fui o senhor dos ventos.
Sou apenas um homem navegando.
Talvez amadurecer seja finalmente aceitar isso.
Fazer o que podemos.
Entregar o que não podemos.
E continuar.
Porque a fé não consiste em acreditar que todos os ventos soprarão a nosso favor.
Fé é descobrir que, mesmo quando o vento muda, Deus ainda sabe onde estamos.
E talvez a verdadeira paz comece no dia em que deixamos de pedir o controle do oceano e aprendemos, finalmente,
a confiar n’Aquele que enxerga além do horizonte.
fantasma oficial.
Ela tem um jeito estranho de fazer o mundo parecer menos barulhento.
Não sei exatamente quando comecei a perceber isso. Talvez tenha sido antes mesmo de admitir que estava olhando diferente para ela. Porque algumas pessoas chegam na nossa vida fazendo presença, ocupando espaço, querendo ser notadas. Ela não. Ela simplesmente existe, e de algum jeito isso já basta para mudar o ambiente inteiro. É como se houvesse alguma coisa nela que não precisasse pedir atenção, porque a atenção simplesmente vai até ela.
E eu gosto de olhar para ela.
Não daquele jeito apressado de quem olha só para admirar. Eu gosto de olhar como quem tenta entender. Como se houvesse alguma coisa escondida atrás dos olhos dela que eu ainda não consegui alcançar completamente. E talvez seja justamente isso que me prende. Ela não parece inteira na superfície. Existe sempre alguma coisa acontecendo por dentro, mesmo quando ela não diz nada.
Às vezes eu fico pensando no quanto alguém pode caber dentro de um olhar.
Porque quando olho para ela, não vejo só o rosto que eu gosto, o sorriso que me desmonta ou os pequenos gestos que talvez ela nem perceba que faz. Eu vejo uma história. Vejo tudo aquilo que ela precisou ser para chegar até aqui. Vejo a parte doce, a parte cansada, a parte que ainda acredita nas coisas mesmo depois de ter motivos suficientes para não acreditar mais. E talvez eu goste dela justamente por enxergar essas contradições.
Ela consegue ser forte sem parecer dura.
Consegue ser doce sem parecer frágil.
E existe alguma coisa nisso que me faz querer ficar perto.
Não para consertá-la, porque eu nunca achei que ela precisasse ser consertada. Talvez seja o contrário. Eu só queria conhecer as partes dela que quase ninguém conhece. As coisas que ela pensa quando está sozinha. O que passa pela cabeça dela quando o mundo fica quieto. Os medos que ela esconde atrás de um sorriso. As coisas pequenas que fazem o coração dela ficar leve.
Queria saber o que ela vê quando olha para o céu sem motivo.
Queria saber qual lembrança ainda mora nela mesmo depois de tantos anos.
Queria saber quais sonhos ela abandonou pelo caminho e quais ainda guarda em segredo.
Porque gostar dela, para mim, nunca foi simplesmente gostar da presença. É querer atravessar a superfície.
E talvez esse seja o perigo.
Quanto mais eu olho, mais fundo parece.
É como se eu mergulhasse nos olhos dela sem perceber que estava deixando a margem para trás. E quando percebo, já não estou mais tentando entender quem ela é. Estou apenas ali, dentro daquele sentimento estranho de querer conhecer alguém sem precisar transformar isso em posse.
Eu não quero que ela seja minha porque eu não acho que pessoas devam pertencer umas às outras.
Eu quero que ela escolha ficar.
E existe uma diferença enorme nisso.
Porque se um dia ela olhar para mim e decidir permanecer, eu quero que seja porque encontrou em mim um lugar onde não precisa diminuir nenhuma parte de quem é. Quero que ela possa chegar cansada, confusa, feliz, perdida, exagerada, silenciosa, e ainda assim sentir que pode ser exatamente quem é.
Talvez seja isso que eu sinto quando penso nela.
Não é só vontade.
Não é só saudade.
Não é só encanto.
É uma espécie de paz inquieta.
Como se alguma parte de mim tivesse encontrado alguma coisa que não estava procurando.
E talvez eu nunca consiga explicar exatamente o que existe nela que me faz sentir assim. Talvez algumas pessoas simplesmente não sejam feitas para serem explicadas. São feitas para serem sentidas.
E ela é assim para mim.
Eu olho para ela e, por alguns segundos, esqueço que existe um mundo inteiro acontecendo do lado de fora.
Talvez porque, quando mergulho nos olhos dela, eu não esteja procurando uma saída.
Estou procurando o fundo.
E, pela primeira vez, não tenho pressa nenhuma de voltar à superfície.
Algumas vezes, ele aparece. Não é anunciado, não pede licença. Surge em tardes frias, em noites sombrias, silencioso, mas com a intensidade de um grito interno. Eu o chamo de O Vazio.
Sentir O Vazio é sentir a morte por dentro — mas não aquela morte física, simples e final. É uma morte diferente, mais sutil, mais antiga, que insiste em me lembrar de algo que eu já fui, de algo que já senti em outros lugares e tempos. É como se minha existência, fragmentada e atravessada por cicatrizes antigas, estivesse sendo revisitadas por sombras que o presente não consegue alcançar.
Quando O Vazio chega, não estou no tempo. Estou fora dele. Não é uma sensação que se possa controlar, ou mesmo compreender completamente. Ele se apresenta segundo suas próprias regras, segundo sua própria vontade. E, quando vem, parece sussurrar que meus passados — não apenas o imediato, mas todos os que deixaram marcas — têm algo a me dizer.
São cicatrizes que ainda latejam. Memórias que não pertencem mais a este instante, mas continuam a pulsar no corpo da alma. Não é daqui. O Vazio me remete a algo distante, quase irreal, perdido no tempo e no espaço, mas que insiste em permanecer. É a prova de que a experiência humana não é linear, e que o que fomos, mesmo quando esquecido, ainda vive dentro de nós, às vezes em silêncio, às vezes com a força de um choque inesperado.
Talvez O Vazio seja um portal para o que ainda não compreendemos de nós mesmos. Talvez seja um aviso, um chamado ou apenas a lembrança de que a alma carrega impressões de lugares e tempos que o corpo jamais atravessará novamente.
No encontro com O Vazio, aprendemos algo essencial: que a vida não se mede apenas pelo que fazemos ou sentimos agora, mas também pelo eco das feridas antigas, pelo rastro dos nossos passados que insistem em conversar conosco.
E, quando ele parte, resta a consciência de que fomos visitados por algo maior do que a dor momentânea: fomos confrontados com a própria eternidade da memória, com o peso do que já fomos e, de certo modo, com a promessa de que ainda somos.
Há janelas que não obedecem ao vidro.
Às vezes deixam o mundo entrar em silêncio, como quem abre cortinas para um sol tímido que ainda não sabe se é manhã ou memória. Outras vezes, sem aviso, devolvem o olhar com força: viram espelho e mostram aquilo que a gente tenta fingir que não vê.
E há dias piores, em que a mesma abertura se desfaz em abismo — não por maldade, mas por profundidade. Como se a paisagem tivesse desistido de ser paisagem e resolvesse encarar de volta.
Talvez não seja a janela que muda. Talvez seja o olhar que aprende, ou se perde, no que ela decide refletir.
A cidade não é neutra: ela legisla silenciosamente sobre quem merece abrigo e quem deve sobreviver à margem.
Quando o Estado não acolhe os invisíveis, ele não apenas omite — ele escolhe uma forma de abandono juridicamente sofisticada.
Os animais de rua não pedem direitos; eles expõem a falência moral de uma sociedade que já os reconheceu apenas como sobra.
O Direito Ambiental, quando coerente, não protege apenas o ecossistema — protege também a dignidade dos corpos que nele respiram sem voz.
A urbanidade contemporânea mede seu progresso não pelo concreto erguido, mas pela vida que consegue manter sem violência invisível.
O verdadeiro teste de civilização não está no tratamento dos iguais, mas na forma como se administra o destino dos que não podem contratar, falar ou reclamar.
O futuro do Direito não está na criação de novas leis, mas na coragem de enxergar o que as antigas não alcançam.
A sociedade não sofre apenas por ausência de justiça, mas por excesso de formalizações incapazes de tocar o real.
