Nao Acabou pra Mim
Que se danem eles!
Se suas luzes não brilham, não será a minha, por estarem próximos de mim, que irão ofuscar.
Não me peça pra ter calma,
Não quero mudar quem eu sou.
O mal que faço agora, faço a mim.
Eu explodi,
eu surtei,
eu fugi.
Não quero que as brasas da minha raiva resvalem em mais ninguém,
Então me deixe sozinho
e me deixe sofrer,
não venha me pedir calma,
não é o momento pra isso.
Enlouqueci, estou fora de mim!
Já não sei mais o que faço.
Já em nada mais penso.
Que mulher!
Sarah... Sarah...
Quando te verei de novo?
Choro, tremo, enlouqueço,
Sarah, amo-te!
Pra mim não existe “impossível” – esta palavra é sinônimo de “desafio de grau máximo”.
Sonho. O desejo,
sonho o desejo
que desejo e não vejo
realizar pra mim.
O sonho que sonhei
nem mais sei,
sonhei outra vez.
Sonhe novo,
sonhe um
novo sonho,
Sonhe um sonho sem fim.
Partes que me Formam
Há dias em que uma parte de mim permanece adormecida na noite anterior, não se levanta para me acompanhar até a cozinha, onde compartilho o suco verde e o café da manhã com minha esposa e filha. Enquanto o aroma do café se mistura ao riso leve da minha filha e às palavras carinhosas da minha esposa, percebo que elas representam uma parte fundamental de mim.
Em algumas ocasiões, a parte de mim que ficou embaixo das cobertas sai para me encontrar e formar o meu eu completo — seja pela manhã, pela tarde ou pela noite. Há dias em que essa parte de mim, que não é melhor nem pior, prefere não sair ao meu encontro; então, busco por ela no dia seguinte. Desistir, jamais.
Para ela, é azul,
Para ele, cor de mar,
- Para mim, cor de vinho,
Ele, ele não descreve o que vê.
Até o momento, não sei por quê,
E ele também não sabe dizer.
- Oras, é azul!
- Oras, é cor de mar!
- Não, é cor de vinho!
Que costume mais mesquinho, de a tudo nome dar!
Para ela, é azul.
Para ele, cor de mar.
Para você, cor de vinho.
E para ele, bem, para ele tudo pode ser.
Queria lhe dar o meu amor e todo o calor que há dentro de mim. Mas você não quer aceitar tudo o que eu tenho pra lhe dar, por isso eu vivo triste assim.
Passo os dias procurando enganar minha angústia e procurando não fazer horror a mim mesma.
Nota: Trecho de carta para Fernando Sabino, escrita em 27 de julho de 1946.
...MaisNas palavras não ditas permanece o eu, só meu. Nas que digo, teço o reflexo teu do que há em mim.
O excesso de vidas secas se
Apegam a minha diversidade
De frutos e vidas em mim,
Não ao ego, nada ao narcisismo
E tudo por um sorriso livre
Desapegado e moleque.
Muitos veem a vida como um jogo, mas eu não acredito nisso, pois sou um péssimo jogador. Para mim, a vida é movimento, é pulsação. E hoje é o melhor dia que existe, porque é nele que podemos traçar um novo futuro, um novo destino. Nesta noite, desejo a todos uma noite de paz e que, ao amanhecer, o sol traga uma nova chance de recomeçar.
O que faz eu ser eu e não você?
O que separa o eu de mim e de você?
Eu sou eu pelo que sinto, penso e falo.
Mas os outros não veem quem sou, não da mesma forma que vejo, jamais verão.
Será que você é tão você, a ponto de saberem que você é você?
Se eu sou eu, poderia eu ter nascido em outro alguém?
Talvez o fato de nós sermos nós está numa ridícula diferença de um ser ao outro, ou não.
Se no futuro houver um próximo você, e você não concordar com o próximo você que você será, poderá ser eu um outro alguém?
