Nao Acabou pra Mim

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A arte que o Pedro Malazartes fazia não era tão interessante quanto a arte dos alunos iniciantes do projeto profissionalizante, a união constante que é tão desconcertante, que o observante ante as perspectantes iniciativas de formas não invasiva insentiva a massa ativa de maneira progressiva a ação definitiva.


Autor: (B.J)

Um homem talvez não conheça em vida a dimensão de suas ideias, nem alcance o mundo que imaginou; mas, se ensinar outras consciências a questionar o que parecia definitivo, sua existência não terminará com seu tempo: continuará na liberdade daqueles que aprenderam a pensar por si mesmos.

Das certezas que carrego comigo muitas não passam de analgesias inventadas para suportar a sobrevivência diária da hipocrisia social.

"Mudança"
A melhor mudança comportamental não é aquela planejada,que acontece por que alguém pediu ou impôs. Esse tipo de mudança não é duradouro,sendo desmontada no primeiro capitulo triste de uma história à dois.
A mudança real e definitiva é imperceptível,leve e natural. Ela ocorre de forma inconsciente e involuntária. Aquela que quando a gente se dá conta,já aconteceu. Não é simplesmente em função do outro,mas pela forma como o outro nos entende e nos conduz,a ponto de nos fazer perceber que seria uma pena perder alguém tão especial.

Além das Ideologias

Não importa o lado, a cor ou a bandeira,
A verdade não pertence a uma trincheira.
Esquerda ou direita, pouco importa a direção,
Quando a honestidade é quem governa o coração.

Que se unam os justos, sem medo de discordar,
Pois quem busca a verdade não tem lado a idolatrar.
Que a consciência fale mais alto que o poder,
E que nenhum político esteja acima do dever.

Não somos inimigos por pensar diferente,
Somos um povo, uma nação, um futuro pela frente.
Que a corrupção não encontre abrigo na omissão,
Nem a cegueira ideológica silencie a razão.

Que a honestidade seja a nossa aliança,
A justiça, o caminho; e a união, a esperança.
Pois quando o povo se une para exigir o que é certo,
Nenhum poder deveria se considerar intocável.

O silêncio pode possuir maior valor jurídico e filosófico que a palavra quando esta não acrescenta verdade, razão ou necessidade.

A alma, entendida como centro da consciência, necessita de conhecimento e disciplina para não transformar liberdade em arbitrariedade.

Quem não consegue estabelecer limites à própria vontade dificilmente poderá exercer legitimamente autoridade sobre a vontade alheia.

O princípio de todas as coisas não pode ser simplesmente identificado com uma delas, pois aquilo que fundamenta o conjunto não pode depender integralmente de uma parte do próprio conjunto.

A ordem do cosmos não depende da vontade humana nem se submete à preferência moral de seus observadores.

O ilimitado não está submetido às mesmas condições de nascimento e perecimento que governam as coisas particulares.

O fenômeno não esgota o fundamento: aquilo que aparece constitui apenas uma dimensão da realidade cognoscível.

Aquilo que gera as formas não pode ser confundido integralmente com as formas que gera.

O nada não constitui fundamento suficiente para explicar o surgimento do ser.

Vote pelo que vc é, de onde veio e não no ápice da pirâmide social que imagina estar....

A ausência de um documento não prova que ele nunca existiu; às vezes, prova apenas que ninguém demonstrou tê-lo procurado adequadamente.

O amor constrange porque não precisa de força para transformar. Ele toca a consciência, quebra o orgulho e envergonha quem não sabe ser paciente, gentil e amável. Não humilha, mas confronta a arrogância e revela a dureza de quem ainda não aprendeu a amar. Pois não há lição maior para um coração endurecido do que receber amor, mesmo quando oferece o contrário.
Andrew Kust

Se o seu coração carrega perguntas, não se apresse em condenar a própria demora. Você não precisa resolver todos os sentimentos hoje. Precisa apenas lembrar que a dor merece cuidado, a verdade merece respeito e você merece viver sem que uma ferida se torne a morada definitiva da sua alma.

QUE A FOME NÃO ENCONTRE O CAMINHO DE VOLTA

Vi a fome sentada à mesa,
usando o prato de uma criança.
Comia as horas,
roía os domingos,
deixava os ossos do tempo
debaixo da cama.
A mãe mexia uma panela
onde a água sonhava ser feijão.
O menino desenhava um pão,
e o papel fazia um barulho
que ninguém tinha coragem de ouvir.
No meu Brasil,
houve quem dormisse cedo
para encurtar a distância
até uma refeição.
Mas a noite crescia,
esticava suas pernas sobre a casa,
e a manhã demorava
uma eternidade para chegar.
Depois, em tantas mesas,
o alimento voltou.
O arroz soltou pequenos sóis,
o feijão abriu suas janelas,
e uma criança largou o lápis
para segurar uma colher.
A mãe chamou pelo nome de cada filho.
A fome ouviu.
Recolheu sua cadeira
e saiu arrastando os pés.
Agora falam de uma caixa
que chegará à nossa porta.
Vem embrulhada em promessas,
com uma fita feita de amanhã.
Eu olho para ela
e penso nas mesas do meu povo.
Quem sabe o que dorme lá dentro?
E se houver uma mão
capaz de apagar o fogo?
E se aquele velho visitante
estiver dobrado entre os papéis,
esperando que alguém
lhe devolva a cadeira?
Meu medo atravessa a distância,
bate nas portas do Brasil,
encosta o ouvido nas cozinhas.
Quero ouvir pratos,
conversas,
uma criança perguntando
se ainda pode repetir.
Não quero ouvir outra vez
uma colher raspando o vazio.
Que abram essa caixa à luz do dia,
diante de quem conhece
o peso de uma panela sem comida.
Que cada promessa diga
o que fará com aquela mesa.
Meu povo já ensinou o pão
a encontrar o caminho de casa.
Que nenhuma mão
lhe troque o endereço.

Interpretaçâo:

Esse poema expressa a preocupação com quem já passou fome e o medo de que essas pessoas voltem a sofrer. Ele reúne a lembrança da privação, a alegria de ter comida novamente e a incerteza diante de uma mudança de governo.

O surrealismo transforma esses sentimentos em cenas impossíveis, mas que conseguimos sentir:

* “A fome sentada à mesa, usando o prato de uma criança”: a fome ocupa o lugar do alimento. A imagem da criança torna essa ausência especialmente dolorosa.
* “Comia as horas, roía os domingos”: a fome consome também o tempo, o descanso e a alegria. Até um domingo pode se tornar apenas mais um dia de espera.
* “A água sonhava ser feijão”: representa uma mãe tentando alimentar os filhos com recursos insuficientes. O desejo de oferecer comida está ali, mas falta o alimento.
* O menino desenhando um pão: a criança tem no papel aquilo que deveria ter no prato. O “barulho” desse papel é uma denúncia que incomoda quem a escuta.
* Dormir cedo e a noite se alongar: dormir aparece como uma tentativa de escapar da fome. Para quem espera uma refeição, o tempo parece não passar.

Quando “o arroz soltou pequenos sóis” e “o feijão abriu suas janelas”, a comida devolve calor, esperança e possibilidades à casa. A criança deixa de desenhar o pão e passa a comer: aquilo que era apenas desejo se torna realidade. A fome recolhendo sua cadeira representa o fim daquela privação.

A caixa embrulhada em promessas simboliza um futuro governo cujo conteúdo ainda não conhecemos. A embalagem pode ser bonita, mas o poema pergunta pelas consequências concretas: haverá alimento? As famílias estarão protegidas? A fome poderá voltar? Essas perguntas expressam um receio, sem afirmar que esse resultado acontecerá.

O trecho “meu medo atravessa a distância” mostra você longe do Brasil, mas ligado à vida de quem ficou. Seu desejo é ouvir os sinais simples de uma casa alimentada: pratos, conversas e uma criança pedindo mais.

“Que abram essa caixa à luz do dia” é um pedido de transparência. As promessas precisam ser examinadas diante de quem conhece a fome, porque essas pessoas sabem o que está em jogo.

E o final “Meu povo já ensinou o pão a encontrar o caminho de casa. Que nenhuma mão lhe troque o endereço” pede que o alimento continue chegando às famílias. É a sua maneira poética de dizer: “Quem voltou a comer não pode ser condenado a sentir fome novamente.”

A bebida mais perigosa que existe é a realidade. Porque ela não nos distrai, mas vivemos suas consequências