Namoro
Bem pior que sofrer por um amor não correspondido é ver alguém sofrer por um amor que você não pode corresponder.
O plural de amor, somos nós!
O plural deliberativo de amor, é façamos!
O plural de felicidade, é a gente sorrindo!
O plural de prazer, é fazermos juntos.
O plural de sucesso, é olharmos para a mesma direção.
O plural de maturidade, é dialogar nos perdoando sempre.
O plural de aconchego, somos nós dormindo de conchinha.
O plural de saudade, é queremos nos ver.
O plural de encanto, é nos elogiarmos.
O plural de meu bem me quer, é a gente se desejando.
E o singular de amores, somos nós dois unidos para sempre!
Era uma vez uma pequena garota que nunca tinha conhecido o amor até um garoto quebrar o seu coração.
A manutenção do amor exige um cuidado maior. Qualquer palerma se apaixona, mas é preciso paciência para fazer perdurar uma paixão. O esforço de fazer continuar no tempo coisas que se julgam boas — sejam amores ou tradições, monumentos ou amizades — é o que distingue os seres humanos.
Percebo hoje a razão por que Auden disse que qualquer casamento duradouro é mais apaixonante do que a mais acesa das paixões. Guardar é um trabalho custoso. As coisas têm uma tendência horrível para morrer. Salvá-las desse destino é a coisa mais bonita que se pode fazer. Haverá verbo mais bonito do que 'salvaguardar'? É fácil uma pessoa bater com a porta, zangar-se e ir embora. O que é difícil é ficar.
Não há nenhum náufrago perdido no mais profundo mar de iniquidade que o profundo amor de Deus não possa alcançar e remir.
O amor nunca acabará
E a dor sempre se estabelecerá
Ela pode até se acalmar,
Mas não terá como fingir não sentir
A ferida pode até um dia se fechar,
Mas as cicatrizes são eternas
Deseje amor, expanda o amor, espalhe o amor, semeie o amor. Seu peito não é um potinho, decorado com lacinhos e cheio de amor acumulado. Você pode até ter o seu depósito interior, é preciso se amar também, mas, para o seu próprio bem, extravase amor, pois amor sem doação, torna sedentário um coração.
O amor está nas lojas. Tem de todas as cores, modelos, utilidades e preços... Preços ótimos! Amor a partir de “um e noventa e nove”, para quem não pode fazer declarações mais caras; amor de cem reais, duzentos, mil, até milhões... Já pensou, declarar um amor de milhões de reais? Talvez de dólares? É o natal que está vindo... À sua frente, chegam os ares que se refletem no ensaio de cada olhar, cada braço, cada voz... Pessoas mudam, ou sofrem mutações, para o desempenho da trégua natalina, que se estende até o trinta e um de dezembro. Chega o dia de amar o inimigo, para desamá-lo novamente no comecinho do próximo ano. Ano que já será velho no dia dois ou três. Data de perdoar os que nos ferem, porque passa logo, não custa nada ou quase nada, pois em menos de uma semana poderemos desperdoá-lo.
À nossa volta o apoio das lojas, que tornam o amor democrático. Pobres e ricos podem amar, no natal, pois existe amor para todos os bolsos. Há um sentimento forte no ar comprimido pelas axilas que se cumprimentam no silêncio ruidoso das compras. Das caixas registradoras. Até mesmo dos pregões que incentivam esse sentimento, balançando os artigos bregas ou de luxo que têm a tarefa de pescar sorrisos, palavras e reciprocidades em formas de outros presentes... Outras demonstrações embaladas por papéis coloridos e seladas por cartões que registram palavras previsíveis, criadas e impressas por quem não conhece os seus compradores... Mas as mensagens são universais. Servem para qualquer um, nessas datas. E aceitam complementos de quem quer enfeitar um pouco mais.
Nas marquises e viadutos, há os que não podem comprar o amor... Dar nem receber. Nem aquele mais baratinho. Também não podem comê-lo nas formas vistosas de pernis, farofas, rabanadas e outras guloseimas. Nem bebê-lo, nos vinhos e champanhes que se revezam em taças. Mesmo assim, feliz natal para todos! Para quem pode ou não, afinal, o natal é um grande teatro! É o espetáculo fabuloso que demonstra o ser humano em sua inexistência ideal, íntima, projetada no inconsciente relutante! Na fraqueza universal de criaturas que disputam espaço em um mundo cada vez mais concorrido! Essa disputa se acirra no natal, quando o amor é medido pelo dar e receber, excluindo os que não podem entrar nessa democracia para a qual não nasceram os indigentes, porque esses perderam há muito tempo. Perderam pra mim e pra você, o que lhes era de direito.
Amar é sublime, o amor é uma semente que floresce no coração de cada um de nós, e cada um escolhe se vai regar ou não.
O dinheiro, a felicidade e o amor não estão distribuídos a todos, caberá a cada um saber conquistá-los.
Eu me basto.
Eu sou autoficiente pra me cuidar, me dar amor, pra decidir o que quero, como quero.
Eu sou limpa, eu sou transparência, olha em meu rosto e me vê nua, na minha simplicidade, na minha verdade, no meu sistema. Deu pane! Mas eu me configurei de novo. 🖤🌹
