Namoro
Ele chegou do nada como quem não queria nada
disfarçado seus ansejos.
Seus olhos me apaixonam sua boca me pede beijos
mais suas atitudes me confundem, se sente amor ou só desejo.
Tropecei feio. Esfolei o coração, rasguei a alma e fiquei sem um risquinho de força. Pensei em desistir, achei que a felicidade não estava no meu destino e que a minha sina era morrer sozinha, sem nenhum sonho realizado, sem nenhuma história bonita para contar. Tentei me esconder do mundo, joguei no lixo a esperança que sobrou e os planos que guardava na gaveta. Foram duas semanas e três dias mergulhada em mágoas, deitada em um lençol encharcado de lágrimas calejadas, com um coração gritando de dor. Já não suportava tanta angústia, eu morreria de tristeza se naquela manhã o sol não me beijasse a face, se o azul do céu não me revelasse o quanto eu estava perdendo, se a menina do prédio ao lado não desenhasse com os dedos um coração singelo e se o carteiro não deixasse debaixo da porta aquela frase que me fez renascer, querer viver e colocar a felicidade no porvir: Menina, a cana só dá açúcar depois de passar por grandes apertos.
Nem eu mesma sei o que é certo para mim, tenho uma confusão mental em relação ao que quero para minha vida, porém sigo a minha intuição, por mais sentimento que eu sinta eu não posso conviver pisando em ovos.
Eu não me parecia com ele em nada. Era o meu oposto, eu ia na direção sul e ele ia na direção norte, era um alívio quando excepcionalmente caminhávamos na mesma direção.
Eu acho que tomei a decisão certa, a decisão de seguir o íntimo do meu ser, a decisão de deixar pra lá, de esperar do universo alguém compatível, que me agrade.
Eu estava preocupada, ansiosa, nervosa, já estava à espera de um amor, me sentia pronta, feliz, realizada profissionalmente, mas faltava a completude de uma relação de verdade. Algo que nunca vivi.
Ele me queria com todas as letras mas jogava a responsabilidade em cima de mim. Eu não sabia como agir, o que fazer, eu negava, dizia que aquilo não tinha fundamento, eu nunca quebrei a confiança do meu relacionamento, mas ele tinha o direito de se manter inseguro.
Eu gostava de algo simples, uma conversa, um sorvete, uma praia, mar, sol, lua, ele gostava de toda a tecnologia de ponta, enquanto eu queria passear de charrete, ele queria andar de nave espacial. Porém nos respeitávamos e numa hora eu cedia e na outra ele.
Gostávamos de dormir, éramos dois dorminhocos para sempre, ele achava lindo o meu pior defeito, meu jeito mandão o cativava, quanto mais feliz eu estava menos papo eu tinha com o pai das crianças, ficou cada vez mais desnecessário criar vínculos, bastava que criássemos respeito.
Eu me concentrei em mim, as crianças poderiam, amar e paparicar o papai e não precisava amar e paparicar o namorado da mamãe, bastava respeitá-lo.
Ontem à noite foi um paraíso, jantamos ao ar livre, saímos para tomar sorvete, brincamos de banco imobiliário e relaxamos do estresse diário.
Eu não posso responder ou generalizar que amizade com o ex não dar certo. Dá certo sim! Só precisa administrar os ressentimentos. Uma coisa que aprendi é que ninguém tem ressentimento de cachorro morto, o perdão flui automaticamente com a morte dos sentimentos. Não dá para ser rancorosa com quem você nem ama mais.
não faça do teu/tua namorado/a o teu centro, pois não sabemos ate quando permanecerá em nossas vidas.
temos noção do quanto a pessoa significa pra nos apartir do momento em que perdemos o sono pensando na pessoa.
aquele momento em que a tua testa começa a coçar e a tua vontade é de ligar para aquela pessoa pra saber onde, com quem e o que esta fazendo.
As vezes fico pensando se todos os poetas, ou ao menos alguns, viveram amores tão intensos como descrevem em suas poesias...
