Nada na Vida é do Jeito que Queremos
"A vida cataloga tudo, tudinho...
Nada passa batido aos seus olhos.
E a danada ainda senta na primeira fila,
com pipoca e balas, para assistir
ao filme da lei do retorno!"
Haredita Angel
06.04.25
"Mulher, ser infinito,
Que a vida faz continuar.
Mulher, escolhida para o amor complementar."
-Haredita
11.08.12
"A vida é cheia de mistérios e reviravoltas, mas no fim dá tudo certo, no fim tudo faz sentido."
Haredita Angel
02.07.26
-Faça de mim um pensamento bonito, pois serei para sempre uma estrelinha no céu da sua vida.
Haredita Angel
29.04.24
"A vida é um jardim onde algumas flores morrem e outras desabrocham:
-Um ciclo infinito de despedidas e recomeços."
Haredita Angel
27.06.23
"Já perdi tanto nessa vida
que se eu vier a me perder de mim,
juro que não vou atrás ..."
Haredita Angel
04.07.21
Cansei de andar pela vida,
Buscando um lugar distante de mim,
Cansei de andar esquecido,
Sem notar que havia um jardim na esquina.
De repente os meus olhos perceberam os acenos,
De repente o mundo parecia pequeno...
Descobri me perdendo que eu estava distante,
Não porque me faltava,
Mas porque eu procurava
Afastando os meus passos
Dos que já me encontravam....
NA QUITANDA DA VIDA
Na quitanda da vida,
eu aprendi que viver
não vem pronto.
A vida se oferece em porções:
tem dias que adoçam a boca,
outros que amargam a alma.
Tem dias de fartura
e dias em que a gente precisa
dividir o pouco
para ninguém ficar sem comer.
Foi no meu quilombo que aprendi
que a vida não se mede pelo que se possui,
mas pelo que se partilha.
Minha primeira escola foi o território.
Foi olhando a terra,
ouvindo os mais velhos,
sentindo o cheiro da chuva,
vendo o dendê nas mãos,
escutando as histórias que não estavam nos livros,
que comecei a compreender
que memória também é conhecimento.
Eu sou feita dessas coisas.
Do chão que meus ancestrais pisaram.
Das palavras que sobreviveram ao silêncio.
Das mulheres que sustentaram suas famílias
quando quase ninguém olhava para elas.
Das mãos que plantaram, colheram, cozinharam,
criaram filhos e mantiveram a comunidade de pé.
Por isso, quando digo quilombola,
não estou apenas dizendo quem sou.
Estou dizendo de onde venho.
Estou dizendo o que carrego.
Estou dizendo aquilo que não aceito perder.
Minha identidade não é fantasia.
Não é adereço.
Não é tema para novembro.
É existência.
É estar no mundo
sabendo que antes de mim
muita gente precisou resistir
para que eu pudesse estar aqui.
E estar aqui também é resistência.
Eu não quero que contem minha história
como quem observa de longe.
Quero falar.
Quero contar.
Quero produzir conhecimento
a partir do lugar onde meus pés estão.
Porque também fazemos ciência
quando guardamos a memória.
Também fazemos educação
quando ensinamos uma criança a conhecer sua história.
Também fazemos cultura
quando transformamos nossas vivências em arte.
O quilombo não é passado.
O quilombo é presente.
Está na criança que pergunta.
Na mulher que enfrenta.
No jovem que permanece.
No mais velho que aconselha.
Na comunidade que se reúne.
Na terra que alimenta.
Na memória que insiste em permanecer viva.
E eu sigo nessa quitanda da vida
escolhendo o que quero carregar.
Não levo tudo.
Algumas dores eu deixo na banca.
Alguns silêncios eu devolvo.
Algumas histórias eu reescrevo.
Mas a ancestralidade,
essa eu levo comigo.
Porque aprendi que não basta sobreviver.
É preciso existir com dignidade.
É preciso ocupar.
É preciso falar.
É preciso criar.
É preciso deixar marcas.
E quando perguntarem
o que é ser quilombola,
talvez eu não precise explicar tanto.
Basta olhar para mim.
Eu sou mulher.
Sou território.
Sou memória.
Sou continuidade.
Sou uma voz que veio de longe
e ainda está chegando.
E enquanto eu tiver voz,
o quilombo continuará falando.
Na Quitanda da Vida
Na quitanda da vida,
o produto mais precioso é o viver.
E o quilombo sabe disso.
Aqui, cada experiência tem sabor,
cada memória tem raiz,
cada pessoa carrega consigo
um pedaço da história de quem veio antes.
Na banca da ancestralidade,
encontramos a sabedoria dos mais velhos,
a palavra que atravessa gerações,
o canto que guarda memórias,
o tambor que anuncia presença,
a dança que movimenta a história,
o alimento que reúne a comunidade
e a terra que sustenta nossos passos.
Aqui, nada é apenas mercadoria.
A cultura não está à venda.
A memória não está à venda.
O território não está à venda.
A identidade quilombola não está à venda.
São heranças.
São direitos.
São fundamentos de uma existência
que se recusa a desaparecer.
Na quitanda da vida,
cada geração recebe uma cesta
cheia de saberes ancestrais.
Recebe o dever de cuidar,
de preservar,
de ensinar
e também de transformar.
Porque ser quilombola
é reconhecer de onde viemos
sem perder de vista
para onde queremos caminhar.
É fazer do território
mais que um pedaço de chão:
é reconhecê-lo como casa,
memória, alimento, pertencimento
e futuro.
É olhar para nossas crianças
e dizer:
vocês são continuidade.
Vocês são presença.
Vocês são memória viva.
Vocês são o amanhã que já começa hoje.
Nossa resistência não vive somente nas grandes lutas.
Ela está na roça cultivada,
na comida compartilhada,
na roda de conversa,
na reza,
no canto,
no artesanato,
na festa,
na escola,
na juventude que permanece,
na mulher que sustenta saberes,
no mais velho que ensina
e em cada quilombola que afirma:
“Nós estamos aqui.”
Estamos aqui porque existimos.
Existimos porque resistimos.
Resistimos porque temos história.
E temos história porque nossos ancestrais
não permitiram que suas raízes fossem arrancadas.
Na quitanda da vida,
provamos as dores que herdamos,
mas também degustamos
a força que nos foi deixada.
E seguimos plantando.
Plantamos memória.
Plantamos dignidade.
Plantamos cultura.
Plantamos autonomia.
Plantamos pertencimento.
Para que aqueles que vierem depois
encontrem não apenas os frutos,
mas também a terra,
as sementes
e o direito de continuar plantando.
Porque, na quitanda da vida,
viver é o produto,
aprender é a degustação,
ancestralidade é a raiz,
território é o chão,
e a presença quilombola
é a afirmação de que nossa história
continua viva.
Aos que hoje estão no alto, convém lembrar: a roda da vida gira. E, quando ela gira, ninguém permanece para sempre no mesmo lugar.
Brasil, meu lugar
Brasil é terra querida
De beleza sem igual
Tem florestas, tem vida
Tem futuro nacional.
O verde mostra esperança
O azul, o céu sem fim
O amarelo é confiança
Essa pátria vive em mim.
Brasil é força, é união
É respeito e é calor
Mora dentro do coração
Com justiça e muito amor.
A mulher do retrato
Como uma tela inacabada que ganha vida,
ela dança entre o sagrado e o profano,
O fotógrafo tenta capturar o instante,
mas sua essência
foge de qualquer plano, e me fascina a cada fotografia tua!
Prá mim, é quase um malabarismo manter a lucidez
que é tão imprescindivel na vida...
☆Haredita Angel
"Tem coisas na vida que não conseguimos administrar nem mesmo quando o amor é maior que nós. Então, é melhor soltar as rédeas e deixá-las ir... Isso também é amor...!"
☆ Haredita Angel
