Musica Velha

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Alma Velha, Coração Novo

Nas costas curvadas, a dor dolorida,
Um fardo pesado, a alma oprimida.
Carrego um mundo, qual Atlas cansado,
Quanto tempo suportarei, ao peso ligado?

Sussurros ao lado, demônios ou anjos?
Quem julgará esses seres estranhos?
Sou um demônio com sorriso encantador,
Ou um anjo de coração podre, sem fulgor?

Em versos perdidos, noite após noite,
Peço socorro, na escuridão açoite.
Será que alguém vê, entre rimas e letras,
O ser que sofre por trás destas feridas abertas?

Um poço sem fundo, ou alma profunda,
Cada verso um grito, uma ajuda profunda.
Enxergará alguém meu ser aflito,
Através das palavras, meu sofrimento descrito?

Meu maior pecado, talvez seja a fraqueza,
No diálogo interno, a dualidade que atravessa.
Desculpa aos que esperam força em mim,
Alma velha, sangue novo, caminhando assim.

Em busca de descanso, de ombro amigo,
Entre sorrisos, risadas, meu fardo antigo.
Reconheça, por favor, meu pedido sincero,
Em cada verso, há um coração verdadeiro.

⁠A casa velha, não se habitou mais
o que um dia, habitou-se a alma enferma
Fui o poeta que tentou por ignorância, descrever sobre dignidade
em meio as máquinas, a revolta consumia-me, equivocadamente sucumbi o mal do homem, que interpretou o genitor no meu coração
Somente depois de três décadas ao meu desencarne, o perdão libertou-me, não sou mais aquele que amou as pessoas com objeção, na qual um dia exercitei como arma em autodefesa
Só agora compreendo na vaga lembranças da mocidade, a minha solidão vivenciada nos meus versos, onde imprimia meus sentimentos solitários, sem verdade alguma.

ADVERTÊNCIA

⁠Quando eu for velha vou usar roxo
Com chapéu vermelho que não combina e não fica bem em mim,
E vou gastar minha pensão em conhaque e luvas de verão
E sandálias de cetim, e dizer que não tenho dinheiro para a manteiga.
Vou me sentar na calçada quando ficar cansada
E comer vorazmente amostras grátis nas lojas e apertar botões de alarme
E passar minha bengala pelas grades de ferro dos parques
E compensar a sobriedade da minha juventude.
Vou sair na chuva de chinelos
E colher as flores dos jardins dos outros
E vou aprender a cuspir.

Jenny Joseph
VIORST, Judith. Perdas necessárias. São Paulo: Editora Melhoramentos, 2005.

"Não é sobre casa."


Se eu soubesse o quanto que aquela velha casa ia me fazer falta -
Eu nunca a teria magoado.
Tão acolhedora, tão confortável...
Me sentia livre lá.
Mas infelizmente começou a esfriar -
Não era o mesmo que antes
Eu não tive muito zelo por ela...
Nem dei muito valor
Se eu soubesse que tudo ia "desabar"
Eu com certeza faria de tudo para consertar as rachaduras
Mas hoje não há nada que eu possa fazer... Só restou memórias e lágrimas.

A escola de Olavo Bilac

Geneviéve estudava em uma escola
Que ficava numa velha cidade do interior,
Todo dia andava até ficar cansada,
E seus pés doíam como no dia anterior.
A escola tinha nome de poeta,
Também tinha pátio, também tinha professor,
Geneviéve só não gostava da inspetora,
e muito menos do diretor.
Todo dia tinha aula
E toda aula uma história,
E toda história tinha doutor, bandido
E até o poeta com o nome da escola.
De tardezinha Geneviéve voltava para casa,
No rosto, um sorriso que nunca se fechava,
Já esperando um novo dia,
Uma nova história,
A via láctea...

Ai, esta velha e solitária angústia
a estalar meu coração de vidro colorido

_ tira-me a liberdade
de colher ilusões

transbordando
.
.
.
.
transbordando

mal sei conduzir-me na vida,
sou brigue perdida
neste labirinto
- chamado VIDA.

Quem me dera cá dentro, muito a sós,
estrangulá-la pra sempre
e vestir munha alma de criança.

A casa parecia já velha, se deteriorando... Havia poucas pessoas... Formava-se uma forte tempestade, parecia que o mundo se acabaria em chuva... Foi aquele corre-corre para fechar as portas e janelas, o vento era muito forte... Todos temiam que as portas não suportassem a força do vento e da chuva... A chuva caía limpa e clara, mas as gotas que adentravam era turvas... Conseguiam fechar as portas e janelas, mas no interior da casa o chão se encontrava inundado de uma água barrenta, um verdadeiro lamaçal... Todos em silêncio... E junto ao medo a sensação de que algo de ruim estava lá fora, quando na verdade já estava ali dentro...
Ela acorda angustiada, e assim começa seu dia de pura angústia inexplicável... Sempre que algo de ruim estava prestes a acontecer, esse sonho estranho a atormentava, e sempre foi assim desde a sua infância....

Precisa de água limpa para remover toda lama, por que água suja só fará aumentar ainda mais a sujeira, mas para que isso seja possível é necessário deixar a tempestade passar...

Esta velha angústia,
Esta angústia que trago há séculos em mim,
Transbordou da vasilha,
Em lágrimas, em grandes imaginações,
Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror,
Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum.

Transbordou.
Mal sei como conduzir-me na vida
Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma!
Se ao menos endoidecesse deveras!
Mas não: é este estar entre,
Este quase,
Este poder ser que...,
Isto.

Um internado num manicómio é, ao menos, alguém,
Eu sou um internado num manicómio sem manicómio.
Estou doido a frio,
Estou lúcido e louco,
Estou alheio a tudo e igual a todos:
Estou dormindo desperto com sonhos que são loucura
Porque não são sonhos
Estou assim...

Pobre velha casa da minha infância perdida!
Quem te diria que eu me desacolhesse tanto!
Que é do teu menino? Está maluco.
Que é de quem dormia sossegado sob o teu tecto provinciano?
Está maluco.
Quem de quem fui? Está maluco. Hoje é quem eu sou.

Se ao menos eu tivesse uma religião qualquer!
Por exemplo, por aquele manipanso
Que havia em casa, lá nessa, trazido de África.
Era feiíssimo, era grotesco,
Mas havia nele a divindade de tudo em que se crê.
Se eu pudesse crer num manipanso qualquer —
Júpiter, Jeová, a Humanidade —
Qualquer serviria,

Pois o que é tudo senão o que pensamos de tudo?
Estala, coração de vidro pintado!

Renove os seus sorrisos, tire-os da gaveta,
Troque a roupa velha deles.
Ponha no sol os seus olhares com brilho,
Tire o mofo dos seus planos astronômicos,
E trate de mudar o perfume do seu coração.
Leve ele pra fazer as unhas, depilação.
Presenteie seu sorriso com um batom novo.
Inale três vezes por dia aquelas cores que já desbotaram
Não, não se contenha diante do mar...
Pule as ondas necessárias
Pra recomeçar seu ano a qualquer hora, qualquer mês.
E pra que aquela paixão que está querendo entrar,
Mude a mobília, faça um jantar, pinte as paredes...
Deixe que ela entre, e não tenha medo de tentar!

Diva Brito

Penso como adulta, vivo como adolescente, aconselho como velha, mas no final das contas sempre vou sonhar como criança.

Desconheço a autoria.

Cora, Voz dos Becos e das Almas
Neide Rodrigues




Nos becos da velha Goiás,
a vida fala em voz mansa e antiga.
As pedras guardam passos de sonhos,
e o vento sopra estórias esquecidas.

No tear da memória,
ela abre o seu Livro de Cordel,
onde cada verso é um pedaço da vida,
costurado com linha de fé e simplicidade.

De um Vintém de Cobre, faz riqueza
pequena no bolso, imensa na alma.
Confessa à lua suas meias confissões,
entre o pão, o quintal e a esperança.

Na Casa Velha, mora o tesouro:
um pote de ternura, um cheiro de pão,
lembranças bordadas no linho do tempo,
e o amor doce como o mel da infância.

E quando o sino toca em Vila Boa de Goiás,
a menina Aninha desperta outra vez,
espalhando poesia nas ruas de barro,
onde o coração da vida ainda floresce.

✨ Por Neide Rodrigues
(À Cora Coralina — a mulher que fez da simplicidade sua eternidade.)

Não sei dizer se sou feliz ou não,
se ainda existe o amor em meu coração;
a saudade traz a velha dor
que eu não quero mais.

Devemos por ela preservar
A boa e velha honestidade
Sem instante algum abrir mão
De dizer nossa verdade
Não trapacear, roubar, mentir
Para poder deitar-se e sorrir
Com consciência em lealdade.

Pela varanda o garoto enxergava o mundo
Parou por um instante, percebeu uma velha cadeira branca
O sol a aquecia, e ele, tonto, pensou por que precisava estar ali
No mesmo instante, um pássaro belo pousou na varanda
E de repente voou, então relembrou que ali se sentavam amigos
Amigos como pássaros voam, e os resquícios que ficam são a beleza
que o pássaro deixou, mas que o menino não esqueceu.

Eu deixo a moralidade para putas e ladrões.
Ontem mesmo eu estava com a solidão, essa velha cafetina da alma, me levou ao quarto de uma meretriz. Não tinha dinheiro, mas paguei com um relógio que encontrei no próprio prostíbulo; o tempo ali não pertence a ninguém.


Deixo a moralidade para os alcoólatras e os viciados em jogos, que fazem sermões com o copo na mão e roletas no bolso. Eu, por mim, não gosto nem de álcool nem de jogos, então só jogo quando bebo, e só bebo quando me percebo vivo.


Deixo a moralidade para os que se afogam na em águas rasas.
Eu prefiro os pecados honestos, as mentiras sinceras e as verdades que se contam em um beijo na boca.

Entregar-se ao acaso




Eu, jovem, preso numa monotonia velha,
canso de sorrir
para esconder as lágrimas.


Canso de nadar contra a correnteza
e sempre me ver longe da borda,
muito longe da borda —
que triste.


Não quero morrer assim.
Não quero que esse seja meu fim.
Entrego-me, de corpo e alma, ao acaso.


Não faço mais planos,
nem tento controlar meus dias.
De hoje em diante, apenas viverei:
serei, amarei, gozarei.


Chega. Já me enchi demais.
Comecei a me esvaziar.
A morte não me assusta,
e a vida é uma velha amiga.

O AMOR QUE SE DESFAZ

Amor é desconexo e abstrato.

Hoje, só me resta o vazio
e a velha certeza:
esse sentimento invisível
fere a alma
e sangra o peito,
facada a facada,
quando retorna ao nada.
Ecoam promessas murchas

na boca de quem diz “eu te amo”:
veneno suave, imperceptível.
O amor é farsa disfarçada de bondade,
cheia de uma maldade silenciosa
que corrói a alma ingênua
de quem acredita no impossível.
É o inverso do afeto,

o golpe que transforma âmago em amargo,
o gelo que incendeia por dentro
na desmoralização lenta do sentir.
Esse maldito não existe —
mas devasta.
E quando parte,

desfaz-se ao vento
como teia frágil de ilusão.
A quem acredita no vago,

resta a navalha da dor,
o desespero que rói os ossos,
o abismo que engole cada palavra doce
em nome de um amor-ferida,
que sangra abstração.
É armadilha cruel,

voto que se desfaz sem nascer.
Não acredito no amor —
pois nada sobra
quando o desejo evapora
e revela a realidade nua.
O inexistente amor,

complexo e rasgante,
é o que mais dilacera a alma,
transformando sonhos em desilusão.
É mentira que se sustenta entre nós

até que morram a lealdade e a confiança.
Primeiro sentido,
depois abstrato,
depois veneno.

Medir os outros com nossa RÉGUA, me faz lembrar aquela velha história!!!
O marido todos os dias parava diante da sua janela, olhava as roupas dos vizinhos no varal e dizia: Olha mulher, as roupas dos vizinhos são sujas e encardidas!!!
Um dia sua mulher respondeu: Não meu marido, o que está SUJO e ENCARDIDO são os vidros da nossa janela!!!

Viver para mim é pouco.
A vida deve ser saboreada.

꧁ ❤𓊈𒆜🆅🅰🅻𒆜𓊉❤꧂



Valdecir Val Neves - Vila Velha - ES

Giz de Cera⁠


Uma pessoa, quanto mais ela vive, mais velha ela fica. Essa frase não é verdade, para que uma pessoa quanto mais vivesse, mais velho ficasse, teria de ter nascido pronta e ir se gastando, isso não acontece com humanos, acontece com, fogão, sapato, geladeira, automóvel, cadeiras, mesas ... Isso é que nasce pronto e vai se gastando à medida que se passa o tempo.
Gente, nasce não pronta e vai se fazendo, construindo e reconstruindo, eu, Samuel, em pleno ano de 2021, sou a minha mais nova edição e, evidentemente que não sou inédito, mas eu não sou idêntico, não sou exatamente como era, mas não sou exatamente diferente daquilo que já fui.