Mulher Quente
Eu sou dessas que amam sem economizar. Leonina de alma quente, de coração que se entrega inteiro, de mãos estendidas e olhos cheios de promessas. Quando amo, faço do outro um reino e, dentro de mim, acendo fogueiras que não sabem arder pela metade.
E então…
Você surgiu, trazendo esperança. Não a esperança ingênua de quem sonha sozinha, mas aquela que nasce quando um homem olha uma mulher nos olhos e a faz acreditar que vale a pena permanecer, tentar e florescer.
Você me deu a coragem de imaginar um amanhã. E eu, sendo quem sou, transformei pequenos gestos em constelações, palavras em abrigo e possibilidades em eternidade.
Porque eu amo assim: intensa. Não sei amar em doses pequenas. Meu coração não conhece o raso. Sou tempestade e sol, coragem e entrega. Sou leonina. Carrego a mania bonita de acreditar, de proteger, de oferecer o melhor de mim.
E é justamente por isso que a esperança que um homem desperta em mim se torna tão poderosa. Ela não encontra apenas uma mulher; encontra um universo inteiro, pronto para amar, cuidar e fazer do sentimento uma obra grandiosa.
Sou feita de intensidade. E quando me dão esperança, eu a transformo em amor — daquele amor que ilumina, aquece e se oferece por inteiro, sem medo de ser imenso.
Malandro tem cheiro de noite,
de rua quente, de tentação.
Não toca, mas deixa nos dedos
a memória da intenção.
✨
Quem olha sente o risco,
quem fica perde a razão.
É calma que acende incêndio
sem pedir permissão.
✨
Ele dança parado,
provoca sem se mover.
O desejo se oferece
só de imaginar o que é.
✨
Não promete eternidade,
mas entrega o agora inteiro.
Quem cruza seu passo lento
nunca sai do mesmo jeito.
✨
Malandro não seduz —
ele deixa acontecer.
E quando você percebe,
já quis sem nem querer.
Sandro Paschoal Nogueira
Só algo.
O frio chegou, mas a minha alma está quente.
Porém não esquenta o suficiente.
Não espanta a fraqueza e a falta de coragem.
A procrastinação domina a mente
Ela sabe e aceita.
No meio dessa teia.
Sigo no embalo, esperando algo.
Novo, velho, sábio, alegre e feliz ou… só algo.
Macarronada
É domingo, na panela água quente
cheiro de molho, fervente
Joga a massa, deixa cozinhar
Ao dente!
Tem afeto familiar. Tente!
Vai gostar.
Sente o paladar criando memória...
A vida contando história
E a macarronada a poetizar
A toda gente, bom paladar!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
Domingo, julho/2026.
Na sala quente da dança, o som põe nossos corpos no mesmo compasso
Você sorri devagar, veste a noite com um perfume de paz e passo
Com seus um metro e setenta, cabe inteira no meu abraço
Quando você gira, o mundo recua, fica só a luz e o chão que rima junto;
No abraço do forró, o tempo se rasga e se dobra em nossa pele;
Seu olhar busca fundo, que a música aprende a falar com a gente todos os segredos daquele segundo
Seus olhos dizem segredos que eu não sabia que existiam em mim
E cada batida é um aviso: esse instante pede que a gente não tenha fim
E eu fico no compasso do seu olhar, pensando que pode durar pra sempre
No balanço do seu corpo encontro um porto onde ancoram meus sonhos de repente
A sala vira universo, os outros passos viram estrelas pequenas
Nós dois escrevendo em silêncio as letras que a noite sustenta
teu nome é refrão que eu repito sem querer, sem pensar
É ponte, é promessa, é chama que acende devagar no mesmo olhar
O forró, íntimo nos abraça, deixa a respiração contar a história
Seus dedos na minha mão, mapas antigos de uma nova memória
Pode ser só dança, pode ser destino, pode ser riso e também pode ser lar
Mas quando você me olha assim, tudo quer ficar, nada mais quer passar
E eu fico no compasso do seu olhar, pensando que pode durar pra sempre, eu fico no compasso do seu olhar, pensando que nada pode atrapalhar a gente
Fecho os olhos e sinto o mundo todo girando só pra nos ver juntos,
Você nessa dança é a promessa
que vamos lembrar e viver desse momento cada segundo
Sem pressa, sem hora marcada, só o abraço e a certeza de estarmos dançando juntos.
Não se joga uma semente de grande potencial a se tornar uma árvore gigante ao asfalto quente esperando que germine. Há todo um cuidado a ser considerado.
Sabe aquela pessoa, que te traz paz e conversa boa; e aquele cafezinho quente, que anima a gente; eu necessito, é disso que preciso, se é que me entende.
Prova Viva.
Cresci onde o asfalto era quente e o futuro era escuro
Várias pedras no caminho e o peito batendo no muro
Minha coroa dobrava os joelhos pra eu não quebrar na esquina
Aprendi que a dor ensina mais que qualquer doutrina
Peguei meu peso, olhei no espelho e encarei a verdade
O mundo lá fora cobrando o preço da vaidade
Mas tinha uma brasa guardada no fundo do peito
Que nenhuma tempestade apagava do meu jeito
Eles tentaram me deixar pra trás na escuridão
Mas o silêncio me deu asas pra sair do chão
Eu ardi no fogo, mas ele não me consumiu
Sou o que restou de tudo que o inverno frio não destruiu
Não nasci pra aceitar aplauso que é vazio e some
Eu prefiro a minha raiz cuidando do meu nome
Sou feito de cinza, sou feito de fé!
De toda queda que tive, eu voltei de pé!
De tudo que doeu e a alma não quebrou
Do orgulho que foi e do amor que ficou
Cada cicatriz ainda tem meu endereço antigo
Mas o fogo que queima é o que caminha comigo!
Queriam me dar o ouro falso que pesa na mente
Queriam o meu palco, mas não a história da gente
Fiz pacto com a verdade e não mudo o meu rumo
Se o preço do sucesso é mentir, eu não consumo
Vitória de verdade acontece no quarto trancado
De joelhos, no silêncio, com o peito blindado
Só eu e Deus sabemos o que eu passei na estrada
Pra hoje estar de pé sem dever nada pra canzoada
Sou feito de cinza, sou feito de fé!
De toda queda que tive, eu voltei de pé!
De tudo que doeu e a alma não quebrou
Do orgulho que foi e do amor que ficou
Cada cicatriz ainda tem meu endereço antigo
Mas o fogo que queima é o que caminha comigo!
O fogo que me destruiu...
Foi o mesmo que me refez.
Não sou mais quem eu era.
Sou o que a cinza moldou.
O sol vai esquecer de amanhecer amanhã, pois ele me disse que o amor era mais quente que ele, mas eu disse que amanhã eu estarei só para você, então ele estará normal...
Um cafezinho depois de fazer amor…
o silêncio ainda quente entre nós,
lençóis bagunçados contando segredos
que a boca já não precisa repetir.
Teu cheiro ainda mora na minha pele,
teu toque insiste nos meus caminhos,
e enquanto o café esquenta no fogão,
meu corpo relembra o teu com calma.
Helaine machado
Nada melhor que um beijo quente
Em que eu perceba o gosto de seus lábios
E a dor de suas mordidas
Saboreando-me
Com salivas
Indecentes, porém
Doces...
Nossas bocas juntas
Se formando quase em uma
Em um entrelaçar de línguas
Fortalecendo a nossa união
Entre um beijo e outro
O intenso momento de um querer selvagem
E indecência divina que tanto
Satisfaz os nossos desejos...
Em meia turbulência de nossas carnes
Entendo a sacanagem de nossas bocas
E do por que o consumismo
De sua boca para com o beijo;
"A Lua carrega a clara claridade do silêncio, enquanto o Sol veste o mundo com a cor quente da vida; juntos, ensinam que luz também é equilíbrio.”
Final de agosto,
dia quente,
calor insuportável.
Parece que vem chuva por aí
Eu ouço os trovões distantes,
o som do vento a barulhar,
é a chuva itinerante
passando por tantos lugares:
hoje aqui, amanhã lá.
Observo as primeiras gotas
pelo vidro da janela a deslizar,
formando desenhos estranhos
ao se misturar com a poeira
que o vento levantou.
Rendado ficou o vidro,
embaçado ficou meu olhar.
Agosto definitivamente se despede,
a chuva, com certeza,
em outra ocasião voltará.
editelima 60
No meu peito carrego âmbar,
luz que teima em não se apagar,
tesouro secreto, quente e raro,
guardado só pra você tocar.
E no mês que é teu, eu trago
uma surpresa, sussurro do vento,
que dança entre o agora e o segredo,
prometendo mais que um momento.
Banho quente, comida boa e o amor de quem se ama.
No fim, a felicidade quase nunca mora no excesso. Ela costuma chegar em silêncio, aquecendo o corpo, alimentando a alma e encontrando abrigo no coração de quem nos escolhe todos os dias.
*O FILTRO É O PROBLEMA*
No primeiro sábado realmente quente depois do inverno, fui ao parque central da cidade.
Não por esperança. Tenho idade suficiente para desconfiar de qualquer coisa que prometa renovação.
A primavera tinha chegado sem pedir licença. Havia flores demais, folhas novas demais, gente demais tentando recuperar em poucas horas aquilo que o frio havia roubado durante meses.
As crianças ocupavam os espaços com a irresponsabilidade própria de quem ainda não descobriu que a vida cobra juros. Algumas brincavam. Outras apenas estavam ali, largadas ao sol, como se não houvesse nada urgente no mundo.
Os adolescentes circulavam em pequenos grupos. Ensaiavam aproximações. Um olhar demorava mais que o necessário. Uma risada surgia sem motivo. Um deles ajeitava o cabelo antes de passar perto de alguma garota. Pequenas operações de guerra, ainda sem mortos.
Os adultos eram mais complicados.
Alguns caminhavam como se estivessem cumprindo uma obrigação médica. Outros conversavam, sorriam, fotografavam flores, filhos, cães, os próprios pés, qualquer coisa que pudesse provar depois que haviam participado daquele dia.
Havia também os de sempre.
Sentados com a expressão de quem fora condenado a respirar o mesmo ar que os outros.
Reclamavam da quantidade de pessoas.
Do barulho.
Das crianças.
Do calor.
Da primavera.
Esses deveriam ter ficado em casa.
Não porque o mundo lhes devesse silêncio, mas porque certas pessoas carregam uma espécie de quarentena particular. Saem de quatro paredes e levam outras quatro dentro da cabeça.
O curioso é que chamavam aquilo de realidade.
Fiquei observando.
O parque não era bonito.
Também não era feio.
Era apenas um lugar cheio de gente tentando interpretar o que estava diante dos olhos.
E foi aí que percebi o truque.
Talvez o caos nunca tenha sido tão caótico quanto parece.
Talvez o problema esteja no sujeito que olha.
Um homem vê uma multidão e sente ameaça.
Outro vê companhia.
Um enxerga crianças fazendo barulho.
Outro enxerga infância.
Um vê adolescentes desperdiçando tempo.
Outro reconhece, com alguma vergonha, a própria juventude.
A mesma cena. Cabeças diferentes.
E cada cabeça jurando possuir a versão correta.
Passei boa parte da vida fazendo isso.
Escolhendo um ângulo.
Defendendo uma interpretação.
Chamando suas preferências de princípios e suas feridas de experiência.
Depois comecei a perceber que muita coisa que eu chamava de verdade era apenas uma maneira confortável de permanecer sentado dentro da minha própria versão dos acontecimentos.
O sujeito cria uma explicação.
Depois passa a viver dentro dela.
Cria um inimigo.
Depois precisa encontrá-lo todos os dias.
Cria uma identidade.
Depois passa o resto da vida protegendo-a.
Cria uma história sobre si mesmo.
E quando alguém ameaça essa história, reage como se estivessem tentando arrancar-lhe a pele.
Talvez liberdade seja uma coisa bem menos gloriosa do que imaginamos.
Talvez seja simplesmente deixar de acreditar tanto na própria narrativa.
Eu olhei novamente para as pessoas.
As crianças continuavam brincando.
Os jovens continuavam tentando impressionar uns aos outros.
Os adultos continuavam fingindo que sabiam para onde estavam indo.
Os mal-humorados continuavam mal-humorados.
Nada havia mudado.
Só havia mudado o lugar de onde eu estava olhando.
E isso foi desconfortável.
Porque, quando o observador percebe que também faz parte da cena, perde a vantagem de julgar.
Não há mais plateia.
Não há mais personagem principal.
Há apenas alguém olhando.
E esse alguém também está sendo observado pela própria consciência.
Nesse instante, minha história pareceu menos importante.
As coisas que eu havia defendido.
As coisas que eu havia perdido.
As pessoas que eu culpei.
As versões que construí para suportar determinadas noites.
Tudo começou a parecer uma coleção de móveis dentro de uma casa que eu já não precisava habitar.
Foi estranho.
Não houve revelação.
Nenhuma luz desceu do céu.
Nenhuma música começou a tocar.
Apenas uma pequena suspeita.
Talvez eu não seja aquilo que penso sobre mim.
Talvez você também não seja.
Talvez sejamos menos definidos do que passamos a vida tentando parecer.
Fiquei ali por mais alguns minutos.
Sem procurar significado.
Sem tentar consertar o mundo.
Sem transformar o parque em uma lição.
As pessoas continuavam passando.
E, pela primeira vez em muito tempo, eu não precisei decidir o que aquilo significava.
Foi quase nada.
Mas, para quem passou anos carregando explicações, quase nada já é uma forma razoável de liberdade.
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