Morto Vivo
Se vivo a imaginar que se pode ser feliz, é porque a imaginação existe e se existe imaginação é porque existe felicidade.
Eu aceito
Não me faça porquês
Não há o que explicar
Eu simplesmente vivo
E acredito.
Eu obtive todo o conhecimento do mundo
Eu reuni todas as opiniões
Analisei
E não cheguei à conclusão.
Refletindo sobre as circunstâncias
As experiências
Só encontro essa resposta.
Ela pode desencadear uma série de perguntas
Que já não cabe a mim procurar.
Eu me inclino ao desconhecido
Ciente de que tenho poder
Para me desautorizar.
Espontânea é a vida que tanto queria viver
Por medo da repressão social, não vivo
Espontâneo é tudo o que sinto por ti
Por medo de ser rejeitado, não digo
Queria que as coisas acontecessem espontaneamente
É nesta espontaneidade que me revejo
Por causa dos rótulos e dos paradigmas, me privo
Cansei de viver programático, moral e politicamente correcto
Quero viver leve, livre e solto
Quero me doar ao prazer, à libido
Quero atingir todos os orgasmos,
conhecer o nirvana e atingir a transcendência
Quero viver
Viver a vida
Eu vivo a morte
Vivo por fora, morto por dentro
Eu sou um zumbi
Eu só quero ser eu
Eu tenho medo de dizer quem eu sou
Já agora, quem eu sou?
A sociedade inventou-me
Junto com toda a parafernália social
Mas, essa sociedade não sou eu, nem tu
São ELES
Os poderosos
Só eles é que podem
Quem sou eu?
Eu sou tu
Eu sou um ser reprimido
Eu sou o casamento
Eu sou a sociedade
Eu sou a cultura
Eu sou o medo
Mas não sou EU
ESPONTANEIDADE DA MINHA ALMA
