Morreu e esta em um lugar Melhor
Hoje, assim como era antes
Eu cheguei ao lugar
Onde prossegue a espera
Mas agora eu entendo
Que não há como chegar
Ao final da jornada
Simplesmente porque
Ela não tem um fim
Me faltava saber
Que eu só preciso encontrar
O caminho que leva até mim
Neste momento eu contemplo
As dobras que fizemos
Nas mangas do tempo
Pensando em pôr as mãos à obra
Enquanto não sabíamos
Que nos cabia saber
Mas agora eu sei
Que não nos cabe ainda
Porque nunca saberemos
Antes que o tempo derrube
As colunas do Universo
E o Céu desabe sobre nós
E acabe por fazer
O que não foi feito
Do jeito perfeito
Que tanto queremos
Pode ser que ali na esquina
Debaixo daquela escada
Esteja escondido
O segredo da vida.
Edson Ricardo Paiva
Agora, assim como era antes
Não posso chegar
Ao lugar que se espera
Hoje eu entendo
Que não vou alcançar
O final da jornada
Porque
O final sou eu
Entre tudo mais que existe
Só o tempo não é eterno
Ele apenas corre eternamente
As fronteiras erigidas
Estão todas em mim
Como o vento
A soprar por sob as asas
A sustentar o voo
Enquanto a vida passa
As dobras que fizemos
Nas mangas do tempo
São apenas pra descobrir
Que existem coisas bem pequenas
Que não nos cabe saber
Nunca as saberemos
Até que o tempo corroa os alicerces
Que sustentam a esse
E a tantos outros Universos
Pra que o Céu desabe sobre nós
E acabe por tornar perfeita
A perfeição corrompida
Pelos nossos olhares tortos
Quero crer que ali na esquina
Debaixo daquela escada
Pode ser que esteja
Escondido
O segredo da vida.
Edson Ricardo Paiva.
Pode ser que a luz se apague
E quem sabe a escuridão carregue
Pra algum lugar que fique
Nas fronteiras do infinito
A cada linha que escrevi para as estrelas
Minha vida pertenceu a elas
E as estrelas nunca foram minhas
Ou quem sabe a escuridão revele
A fronteira que impediu
A lentidão do pensamento em prosseguir
É impossível que não tenha havido
Algum motivo
Enquanto vivos, nunca saberemos
A via de mão que havia
Encobria o que se ver no Céu
Restou somente o chão batido
O som da minha voz
Jamais passou de ruído
Os segredos que pensas escondidos
Fazem sentir muita pena
Transformaste a própria vida
Numa coisa sem sentido
Tiveste a chance de ter tanto
No entanto não és mais nada
Eu deixo escrito às estrelas
A última linha de outra carta
Sabendo que talvez jamais
A lentidão nos pensamento
Permita que ela seja entregue
Se pudesses ver
Saberia o quão bonita ela era
Mas agora é tarde, muito tarde
O tempo passou
E o presente não mais espera
Pode sim, parecer bem triste
Não há na vida luz que aguarde
Um segundo a mais pra se apagar.
Edson Ricardo Paiva
A beleza duradoura
No lugar onde o tempo inexiste
Esperança
Em tudo que podia, sim
Ter ou não ter sido
Só presente
Sem futuro ou passado
Beleza eternamente bela
Aquela na qual se acreditou
Tendo ela acontecido em mim
Assim eu vou levando a vida
Lembrando da esperança
e da fé que depositei
Agora estou vivo ainda
Perdidas tantas apostas
Creia ainda na beleza das promessas
da vida que há de existir depois desta
Onde a gente simplesmente
Depositou tanta esperança
Beleza ilusória
Alegria inexistente.
Edson Ricardo Paiva.
Infinito.
"A diferença
É que quando amanhece
Cá da Terra vemos
O lugar onde nascem os dias
Mas as estrelas, quando acordam
Podem olhar para o infinito
Um lugar
Infinitamente mais bonito"
Edson Ricardo Paiva.
Ontem, em algum lugar
deste imenso Universo
Uma estrela se apagou
Extinguiu-se antes que a sua luz
chegasse a nós
E iluminasse
por ao menos um segundo
Este nosso mundo atroz
Dela, nem tomamos conhecimento
Nossas vidas não passam de momento
Momento em que sonhamos
vislumbramos, crescemos e concluimos
Nosso direito
De sermos algozes
de nós mesmos
As estrelas partem
Nós partimos
Olhando a nós mesmos do cimo
Sem perceber
As luzes que não nos atingem
Outros fingem
Interpretam perceber
E nem mesmo após o dia
Em que todas as estrelas
já houverem se apagado
Terá percebido um sorriso
Que brilhou a vida inteira
e porventura luziu
Bem ali, ao seu lado.
Até quando há de durar
Quem poderá dizer
Aonde morrem os ventos
Será que é la no lugar
Onde nascem os sonhos?
Os momentos vão passando
A vida corre
Em passos lentos
A vida passa
Esquecemos impulsos contidos
Doutros tempos
há muito idos
Novamente se descobre
Não saber
O que se achava que sabia
Aonde tudo haverá de, finalmente
Dividir-se em dois
Quando é que termina o "antes"
Pra fatalmente vir o "depois"?
Será que estarão presentes
Aqueles sorrisos isentos
Sempre ausentes
Aqueles em que a gente vê
todos os dentes
Invento motivos
Procuro razão
Arranjo uma desculpa
Pra continuar seguindo
O caminho que a vida aponta
Vou contando o tempo
E vivendo além da conta
Ontem
Minha alma saiu a passear
Em meio a lugar desconhecido
Estrada larga
Escura madrugada
Iluminada pela luz de estrelas
Olhando para elas perguntei
Qual força Deus usou
Para erguê-las lá no Céu
E que tecido Deus usou
Pra fazer o véu da noite
E quem será o noivo
de tão bela criatura
Hoje
Noite escura iluminada
À luz de vela
abro a janela
Estrelas não há
Somente o som de água corrente
que vem lá do meio da mata
A escuridão traz o perfume
e a serenata
vagalume solitário
iluminava intermitente
A galha da cigarra
Que aproveitava a escuridão
pra fazer farra
E nem percebe do morcego a chegada
Em pouco menos de um segundo
Só se ouvia
O som do sossego e mais nada
Qual será o caminho
que, em resumo
nos conduza a algum lugar
ou a alguma conclusão
Eu procuro, eu tento e me acostumo
A viver sob falsas verdades
Coisas que eu não procurava
Me invadem a vida
e me fazem viver assim
Cercado por grades imaginárias
Muito mais intransponíveis que as reais
Porque nestas
Não existe um ponto frágil
Onde a gente pudesse então, serrá-las
Qual será o segredo
Que me proporcione, então, a chance de sair
Deste tão longo, triste, angustiante e solitário
degredo
Onde meus medos são meus menores problemas
Onde estarão as chaves
destas algemas infames
Que prendem minhas mãos aos meus pés
Estarão na fé
Na capela
Num rosário
na chama da vela
ou no armário
onde nunca mais encontrei
nada?
Vou procurando a resposta
Nos canteiros desta estrada
Vivendo
Esta vida, cercada de mentiras verdadeiras
Procurando a maneira
De fazê-las visíveis
Aos olhos insensíveis
Que encontro por este caminho
Mas...qual será o caminho?
As estrelas brilham no Céu
Durante a escuridão da madrugada
Cá neste lugar
Estão todos absortos em seus pensamentos
E não tem a chance de sentir nada
Não percebem que os olhos lá do Céu
Não estão completamente mortos
Apesar de serem frios
Eu crio pra mim mesmo um sonho
E coloco nele a todos aqueles
de quem eu gosto
Me encosto num canto escuro
E enxergo coisas coloridas
E as coisa bonitas
que a vida pode nos trazer
Na pureza dessa escuridão
Percebo
Que muita coisa não deixa de estar ali
Simplesmente porque não posso vê-las
Assim como os frios olhos das estrelas
Sabem me encontrar
Não importa a elas onde estou
Pois eu sempre estive com elas
e elas comigo
e conhecem meus pensamentos
Creio até que sejam os Olhos de Deus
Me dizendo
Que eu jamais estarei
e jamais estive só
Eu também olho pra Ele e digo
Que meu desejo era estar lá
e vejo seus olhos piscarem
e pedirem a mim que não desista
e jamais pare de crêr
Pois um dia a noite acaba
As montanhas desabam
Evaporam-se as águas do Mar
Porém essa promessa não passou
e jamais haverá de passar.
" Num lugar de gente mesquinha só se reconhece gente mesquinha, mas os que agem com retidão e honestidade, em algum lugar, sempre haverão de ter as suas qualidades reconhecidas, nesta ou em outra vida."
Vida
Passagem mágica
Em algum lugar
Onde não há de ficar
Ninguém
Esquecida
essa viagem sem lógica
Ela será perdida
Se eu mesmo não fizer valer
Esse absurdo que deu certo
Eu nasci só
e ao pó hei de voltar
e vivo sem haver
Ninguém distante
e muito menos perto
Que tenha merecido
O amor que dediquei
Não faz mal
O amor de Deus me quis
E o amor de Deus me fez
Talvez demore
Mais um ano ou mais um mês
Pra que Ele desfaça
Entre eu e este Mundo
Seus laços
E eu possa mergulhar, enfim
Numa ausência
Constante e sem fim
Eu deixo a vocês um abraço.
Quando eu me ponho a em ti pensar
Viajo sem sair do lugar
Vôo até quase o amanhecer
É tão difícil te esquecer!
Felicidade que se foi
És como um espelho
Que reflete a própria imagem
Não vives por mais ninguém
Se eu não morrer em pensamento
Vou viver neste tão longo esquecimento
Como uma nuvem que passou e não parou
e o que jorrava se secou
Não descobri o que mudou o seu olhar
e nem senti o vento frio
Que esfriou essa paixão
Só vejo um dia lá na frente aproximar-se
Para eu imaginar, poder sentir
Todo esse Sol que vai brilhar
E nesse dia imaginário a consciência vai voar
Se nesse dia tão feliz você voltar
Hoje eu quero ir pra algum lugar
Onde pensassem por mim
estou cansado de tentar
quero parar e ver meu fim
Quero ir para um lugar
onde não sei aonde
passar por um buraco de minhoca
sentado na janela do bonde
hoje eu quero comer fruta do conde
olhando roupas balançando no varal
nos fundos de algum quintal
Quem sabe o vento me carregue
até que o tempo me vença e eu me entregue
hoje eu quero ir pro céu numa charrete
atravessar o rio
carregando uma moeda pro barqueiro
quero esquecer o mundo inteiro
e a vida que me esqueceu
hoje, tudo que eu queria
era poder sentir um pouco da alegria
de saber que eu não sou mais eu
esquecer o que eu fiz de errado
pois o maior erro que eu cometi
foi tentar fazer que alguém me entendesse
Ninguém entendeu
hoje eu vejo minha vida
como um livro que já foi lido
nesta manhã de domingo
ser colocado numa estante e esquecido.
Eu queria saber aonde é Longe
lugar tão simples, ignorado
e que tanta coisa abrange
a gente sempre ouve falar
de tanta gente que está lá
que veio de lá
ou que está pra chegar
e vem vindo de lá
eu às vezes chego a pensar
que longe é aqui
Longe dos sonhos
longe das soluções
longe de quem me entenda
longe de quem goste
de mim de verdade
eu esperava no passado
por um dia que estava longe
esperava sem perceber
que a cada dia que passava
eu ficava cada vez mais longe
Longe de quem me amava
longe de quem me queria
longe de quem
junto comigo sonharia
eu queria ir pra bem longe
mas esse lugar está
muito distante
no tempo e no espaço
e agora não sei o quê faço
já que tudo agora
está tão longe
Ah se eu tivesse o poder do teletransporte, te levaria para qualquer lugar longe de toda ou qualquer tristeza que estivesse estacionada em seu coração, nesse ou em qualquer outro momento, talvez te levaria para jogar pedras no mar, se ainda assim estivesse triste, te levaria para algum lugar nas montanhas, desses que aparecem em cenas de filmes de romance para ver de perto as estrelas, e se ainda não fosse suficiente, simplesmente te abraçaria forte e lhe diria "Vai passar e sempre que precisar eu voltarei"...
Ah se eu pudesse!
Aquilo que tanto se procura
Tudo quanto nos tortura
Simples atalhos
Te carregam pra lugar distante
Que fica em frente
à altura dos olhos fechados
Na palma da alma
O Pacto de amor
Um traço de vida
Esboço de paz
Que jaz, por sobre pedra fria
E ainda assim
Te espera em algum canto de mundo
Num pranto sentido
Que não faz nenhum sentido
Apesar de aparentar
Algo um tanto mais profundo
Um desenho apagado de alma
Na parede desbotada
Que alguém pintou
Na semana passada
Normas que escreveu
E ninguém leu e nem cumpriu
Dias de noite clara
Raras noites
Cujas manhãs, um tanto mais escuras
Faz a gente olhar e não ver nada
Chuva que cai, se vai...ninguém se molha
Vida que se passa
Sem graça, sem sentido
Perde-se a vez
e outra vez é mês de abril
Olhos fechados
Ninguém viu
Edson Ricardo Paiva
Eu hoje abri a janela
Vi que o Sol brilhava lá no Céu
Ainda outro dia
Eu estava num lugar distante
Ainda outro dia
Eu era outra pessoa
Ainda outro dia
O Mundo era um lugar muito bom
E a vida era boa também
Agora
O Sol ainda brilha lá fora
As outras estrelas
Se apagaram quase todas
Os ventos que sopravam
As folhas que caiam
A água me parece
Ter-se evaporado
Hoje o novo dia
Me trouxe a vida nova
Mas hoje eu vejo
O quanto envelheci também
Talvez eu tenha me esquecido
A outra vida e o outro eu
Num canto qualquer do passado
Hoje, além de mim
Ninguém percebeu
Que o Sol ainda brilha lá fora
Com a mesma linda intensidade
dos dias de outrora
E os dias tem sido assim
Parece que agora ficamos
Eu e o Sol
E talvez por algum tempo
O Sol ainda brilhe lá fora.
Edson Ricardo Paiva.
Procura.
O real saber
Não é saber onde fica
O lugar em que a gente se machuca
Quando vai lá
...e por isso não ir
Nem tampouco saber
Como não se machucar
Bom mesmo é não saber.
Desconhecer que o dia renasce
Pois o mesmo dia
Nunca existiu duas vezes
Pra isso é preciso sorver
Um novo cálice de vida
Assim que o dia amanhece.
Entender
Que não existe um novo amanhecer
Pois, quase sempre
Amanhece de novo
Mas que nada
Nunca é novo eternamente.
Guardadas as devidas proporções
Olhar um pouco além
Do lugar onde a rua termina
Comer doce de Lua
E quando precisar
Parar um pouco e descansar
Se possível
Que seja lá no alto da colina.
O calor do asfalto incomoda
E se acaso a roda gira
Que seja uma roda gigante
Pra poder passar a vista
Lá do alto do mirante.
Cada segundo de vida
Que se vive neste mundo
Dura somente um instante
O Mundo gira
O tempo passa
O giro é pra frente
Se a gente olha em derredor
Lugares iguais
São iguais
Por mera opção de escolha
Nada mais.
É preciso aprender
Que cicatrizes
Não são cura
Antes, lembranças
de lugares que não guardavam
Aquilo a que se procura.
Existem noites claras
Manhãs escuras
E nunca é tarde pra saber
Que apegar-se à dor
É algo que ninguém queria
Mas um dia, sem perceber
A gente jura.
Edson Ricardo Paiva.
Eu tenho uma esperança
Que eu trouxe de lá
Do lugar de onde eu venho
Era lá nesse lugar
Que todas elas nasciam
Bonitas como Luas
Refletidas no espelho dos lagos
Eu a trago de lá
Porque lá elas eram doces
Essa é a minha
Muita gente as perdeu
Mas não eu
Que também não troquei por nada
Cada qual, conforme a vida
Não faz mal
Se alguém tiver outra igual
Pode ser que parecida
Elas podem sempre
Ser divididas ou compartilhadas
Mas quando são perdidas
Sobra pouco tempo
Pra que não sobre mais nada
Por isso eu escondo essa minha
Lá dentro do meu coração
Junto da alma
Perto da vida
Pra que nunca seja confundida
Com algo que se deixa ficar
Naquela triste escuridão
Onde perto não cresce nada
Um lugar deserto
Chamado ilusão.
Edson Ricardo Paiva.
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