Morre Lentamente Marta Medeiros
RM DE UM "SER VICAL"
em transição crânio-cervical normal
percebe a leve artrose atlânto-axial
pelos osteófitos marginais difusos
realiza como tudo isso é confuso
ainda que fisiológica a retificação da lordose
observa artrose interfacetária com esclerose
o disco C2/C3 encontra-se bem posicionado
mas percebe o abaulamento C3/C4 acentuado
o complexo disco-osteofitário C4/C5
comprime o saco dural com afinco
há redução da amplitude dos forames neurais
de fato, são detalhes tão pequenos, estruturais
o complexo disco-osteofitário C5/C6
comprime o saco dural dele, não de vocês
com redução da amplitude dos forames neurais
e novamente, mais problemas cervicais
o complexo disco-osteofitário C6/C7
também comprime o saco dural. Muito legal!
há redução da amplitude dos forames neurais
mas, neste caso, é moderada, e nada mais
a conclusão é espondiloartrose cervical
e discopatia multissegmentar... nada mal!
O ser humano é beligerante por natureza. Tudo é uma batalha constante, por alguma coisa, e tudo é incerteza. O que muda é o nível da luta, que aumenta, conforme o interesse incrementa. E, contra nós mesmos, vivemos em luta incessante, cujo fim será a morte determinante. Lutamos para nascer, para viver e, lá no fim, para simplesmente não morrer.
POEMA MELANCÓLICO
também quero um poema com um quê bucólico
mas não conheço cantos e seus passarinhos
nem mesmo cores e suas lindas flores
tampouco encantos e seus vastos campos
o que me leva, sem demora, ao poema melancólico
pois conheço a dor que dilacera e apavora
a escuridão que traz o medo mais que a solidão
e os desencantos desta vida, em cada canto dividida
3 SÍLABAS
não fala
sem paixão
se cala
e pensa
diz então
vai amor
retorne
e volte
à vala
eu jamais
poderei
amá-la
Quem sabe?
Eu não sei,
Mas vou averiguar
Se me calhasse
Fazia para resultar
Mas eu não sei
Até pode acontecer nunca saber,
Só queria um pouco enxergar,
Pelo o escrever
Não pelo o amar.
E se eu não souber?
Apenas devaneio
Não pelo o que escrevi
Mas por aquilo que leio.
Algo é tão inútil,
Algo que vivo de forma subtil.
Com tanta subtileza,
Eu tenho a certeza,
Que este algo é a vida,
Ou talvez algo que se pareça.
Ócio
Já estou predestinado,
Com alguma sapiência acumulada,
No meio da sabedoria
Nunca me sai nada.
Se calhar viajo muito
Concretizo pouco,
Com tanto intuito
Continuo cego e mouco.
O tempo já me rasteirou
Mais de mim acordou,
Foi só tempo perdido
Que já se finalizou.
Amanhã é mais um dia
Nova oportunidade
É desta que me Safo
Não Caio na mediocridade.
