Moradores de Rua
Sou o muleke da cria então não vacila,na rua de cima pode ser a sem saida,seja fiel aos que te facina te inspira, por que sempre é os que vão estar contigo na pista,seja verdadeiro por que os falsos sempre cairão e nunca serão espelho.
Nestes dias em que a chuva umedece a rua e o céu escurece, observo a vida na minha cidade.
As luzes até ascendem brincando de anoitecer.
Com a chuva intensa sinto medo de temporais, enchentes, tragédias naturais...
Na juventude em dias de chuva a gente se divertia pisando descalços nos atoladores das ruas.
Era lindo acompanhar a emoção das crianças pisando no barro pela primeira vez.
Anoitece.
Agora há o espetáculo das luzes dos veículos refletindo nos pingos d’água.
É agradável adormecer ouvindo o ruído das goteiras, ou acalentando algum sonho no conforto da cama.
É gostosa a sensação de acordar durante a madrugada com frio e reforçamos as cobertas.
A noite passada eu sonhei.
No meu sonho todos compreendiam que os homens sobrevivem a tudo exceto a solidão das noites chuvosas.
A humanidade se abraçava num gesto de ternura jamais visto. A felicidade invadia cada coração e todos riam alegremente.
Ao amanhecer a realidade era outra, mas sonhar, ainda que seja utópico, é um exercício que acalma a alma das suas angústias.
👉Depois que acabaram com as faculdades de arte e qualquer mendigo analfabeto pode ir pra rua pintar um papelão com tinta de parede e com os dedos, qualquer coisa é arte. Até uma bosta é arte. Daí passaram a dividir em "Fine art" e "shit art".
Há quem prefira "shit art" e faça disso uma verdadeira militância política, já que ninguém gosta, nem vai comprar ou levar pra casa, nem os que defendem. 🎨
Eu sempre desejei viver numa destas casinhas sem número. Endereços que não parecem reais: Rua das Flores S/N.
Isso sim seria morar num poema.
"Se você acha que sua vida está difícil demais, durma um dia na rua ou experimente ficar 2 dias sem comer."
bichomem
um bicho e um homem
na rua que adormeceu
procurando comida
reviram e juntos comem
na cidade esquecida
do mesmo lixo
que o outro bicho
em casa comeu
Eu ando com meu Deus na rua
E quando chego em casa Ele está comigo
Eu falo com meu Deus na hora de dormir
E logo quando acordo digo: Eis-me aqui
Hoje a rua amanheceu sem folhas,
não rolavam mais
no turbilhão de Agosto...
Hoje a rua despediu os sonhos
de coisas caídas
que vagam à esmo...
Pra onde vão as folhas
pra onde vai a poeira
pra onde foi o vento
& o alento do Outono?
Hoje... é o dono das lembranças
marcadas agora desde sempre
no nunca-mais-será
junto a tudo que se foi...
Hoje... tudo sempre vai
para o eterno 'hoje'... só por hoje...
Amanhã & ontem
pertencem aos sonhos
que aconteceram & acontecerão...
Fuzilamento sumário
Daqui observo uma rua
estrada, avenida, caminho;
sequência infinita de máquinas,
motores, motoristas, matadores,
funil escoante de dores e dúvidas.
No intervalo para o comercial
as futilidades, as inutilidades e o fuzil,
furioso fuzil ,
vingativo fuzil:
“morre nego safado, vagabundo!”
E oitenta vezes vomitou o fuzil
do Brasil,
fuzil verde amarelo
que cospe chumbo,
saudoso daqueles negros anos.
“Taí, pátria amada idolatrada;
sou teu filho,
patriota varonil
e um filho teu não foge à luta...”
Não, não, não; teu filho assassina!
Mata em teu nome,
pátria pútrida,
paródia mal feita;
torrão torto e torturante,
mata sob aplausos teus!
(da prosa poética de Luiz A. Vila Flor)
Néctar do amor
E ao passar pela rua,
senti o melhor perfume,
enquanto eu seguia o cheiro,
a lua ia clareando.
Olhei ao longe o céu,
todo iluminado,
quem por alí passou,
deixando seu aroma encantado.
Continuei seguindo o trajeto,
do perfume doce amado,
o dono daquele mistério
me provocou
um desejo incontrolável.
Conforme o vento soprava,
eu ia tentando alcançar,
como um beija-flor
pairando pelo ar.
De repente naquele silêncio,
ouvi o barulho do vento
e bem ao longe seguia,
o dono daquela magia.
Coisa mais bonita que já vi,
é igual a um bem-te-vi,
como se o perfume gritasse,
meu amor eu passei por aqui.
Chegando bem pertinho,
senti o aroma gostoso,
minha alma de emoção
entrelaça naquele moço.
Moço muito bonito,
do sorriso iluminado,
olhar cheio de ternura
e perfume amadeirado.
Quão lindo o anoitecer
com perfume de enlouquecer,
um cheiro que me acalma,
me arrasta por te querer.
Como bálsamo
para minha alma,
estrelas me são teus olhos.
Onde a mais linda delas,
me trouxe o néctar
do amor.
Agora vivo querendo,
te amar enquanto viver.
Me olhe dentro dos olhos
e nunca me peça
para te esquecer.
Autora: #Andrea_Domingues ©
Todos os direitos autorais reservados 15/04/2019 às 11:30 horas
Manter créditos ao autor original
Por Andrea Domingues
Mesa entulhada de trabalho, sons de vida na rua, o sol que insiste em brilhar e clarear os fios ruivos dos meus cabelos, e eu aqui... Sonhando em ser feliz.
Menina valente que mora na rua bem perto do mar
em troca de comida vende a sua força de trabalho
para um maldito empresário da banda de lá
quando sente calor vai até o mar se banhar
na hora do frio usa o tal crack pra se enrolar
pergunto o seu nome e logo descubro que é minha xará
Menina valente que mora na rua bem perto do mar
como você faz para sonhar?
E esse olhar de criança quem a ensinou preservar?
E o medo da solidão quem lhe abraçou para passar?
E nas suas quedas alguém um dia estendeu a mão?
Menina valente que mora na rua bem perto do mar
como o mundo insiste em lhe julgar apenas com um olhar?
longe, raso, apressado...
Que tudo vê mas não é capaz de lhe enxergar
Divide a sua história comigo menina valente
que mora na rua bem perto do mar
prometo que não vou lhe julgar
Não menina, eu não posso me calar
E nem a sua história naturalizar
A poesia às vezes nos faz sorrir
outras vezes nos faz chorar
Um dia menina valente que mora na rua bem perto do mar
espero lhe reencontrar e um final feliz para sua história poder contar
É por você, por mim, por nós e tantas outras que eu insisto em lutar
Anda tão perdida
De rolê na rua com suas amigas
Quando a noite começa seu juízo termina
Já se vingou de vários e foge de rotina
Mas não esquece um beijo meu
O amor que era seu
Não fala do passado
Mas seu quarto ainda lembra
Que era eu, o amor que era seu
Se beijar outra boca, eu saio de cena
Ouro
Em cada esquina, cada rua...
Sinto no ar
Outra chance, um novo despertar...
Aquelas lembranças da infância
O piso que ando, as paredes e as plantas...
Fazem meu coração de abrigo
Para as memórias profundas
Que trago comigo...
Todo hoje é um novo começo...
Pra uns é apenas uma manhã...
Pra mim é a liberdade
Cantando em mente sã
Os tempos são outros, mas o lar é o mesmo...
Conheci o valor do outro e não parei de lutar...
Mergulhei em águas profundas
Pra aprender a me renovar...
E assim sigo...
Brindando à vida.
Deserto
Rua ecoa o silêncio intenso
Extenso horizonte
De caminhar pensativo
Passos e compassos
Serei deserto caminhante.
