Mistério
Quando alguém está predestinado a ser seu par pelo resto da vida, não há nada que mude o mistério insondável do amor, nem mesmo o tempo gasto e escasso dos dissabores espalhados pelo mundo
Mistério no olhar com um ar sedutor,
seus atos, às vezes, são planejados
outras, como o amor, são impulsivos,
insensatos e age por instinto,
seus desejos são saciados
ou, temporariamente, contidos.
Devo confessar-te com toda franqueza que este teu olhar seguro com ar de mistério causa-me um grande impacto, um forte sentimento, tanto que logo sinto uma vontade avassaladora de conhecer-te de fato como se fosse desbravar um mundo belo e intenso, sem nenhum momento desperdiçado.
És um livro de ação e suspense, um filme de romance e veemência, uma linda jovialidade com uma personalidade clássica que se assemelha a uma obra cativante da renascença, uma arte moderna com a qualidade exigente à moda antiga, então, graciosa de físico e essência.
Se eu for capaz de acelerar agradavelmente os batimentos do teu coração, fazendo valer cada um deles quando estiver contigo, soarão pra mim, semelhantemente a uma melodia deleitável, irresistível, que ficará gravada na minha mente pra que estejas sempre comigo.
Na profundez de um olhar sincero, um mundo expressivo que pra muitos é um mistério, onde há uma busca constante por algo que faça sentido de verdade, já que fingir é muito desgastante, um ato de maldade consigo, além do fato de o tempo terreno ser cessante, portanto, sabe é preciso amar-se até o seu último suspiro.
Mulher incomparável e muito interessante, cujo aspecto é belo, sedutor com um ar de mistério e graças a ela, a noite fica mais emocionante, desfrutar da sua presença é tomar uma taça calorosa de vividade e bastante veemência.
Suas curvas são bem desenhadas e atraentes, sua beleza é inegável, traz uma certa impetuosidade nos olhos, cada um de seus fragmentos é admirável, corpo e alma, portanto, difícil de não notar uma rica composição que tanto se destaca.
Sendo assim, trata-se de um encanto noturno que resplandece na escuridão, mas é apenas uma amostra de um mundo audacioso, responsável por uma forte atração como um fogo incansável que esquenta constantemente o coração.
És uma mulher excitante
com um ar de mistério
de um olhar expressivo,
que provoca o desejo de conhecer-te,
de fazer parte dos teus pensamentos,
de mergulhar na tua intensidade
de vividos sentimentos,
sem perder nenhum detalhe
de memoráveis momentos.
Um olhar sério de quem não tem tempo a perder, possui um ar de mistério, é uma mulher instigante, conhecê -la pode trazer algum refrigério, sua presença é inquietante, sua intensidade é evidente e expressa-se perfeitamente mesmo sem usar palavras, nem parece ser desta realidade, talvez, tem saído de um conto de fadas ou nem seja deste mundo, pode ser até mesmo de outra galáxia, contudo, nada disso me afasta, só aumenta a minha vontade de decifrá-la, pelo menos, uma parte e poder compensar a minha audácia.
Teu ar de mistério é evidente,
boa parte de ti não é exposta,
contudo, isso deixa-te ainda mais interessante,
pois fragmentos da tua existência
já são suficientes para aguçar
a curiosidade a teu respeito
o que força a minha mente
a ser mais atenta
como se eu estivesse
diante da Monalisa de Da Vinci
com o seu semblante enigmático
ou lendo as histórias de Sherlock Holmes com sua inteligência surpreendente, onde cada detalhe importa, já que nem tudo é o que parece
ou ainda, quiçá, sejas semelhante
à caixa de pandora
por guardar no teu íntimo,
algo tão valioso e de tanto poder
que muitos não estão preparados,
sendo assim, és uma instigante mulher, cuja beleza é notável
e que, de fato, é capaz de surpreender.
A vida é um mistério que nos envolve desde o primeiro até o último suspiro. Estamos aqui por um motivo, embora ninguém saiba como era antes de chegarmos nem o que nos espera depois de partirmos. Apenas sabemos que, enquanto estamos aqui, carregamos uma missão. Cada um de nós recebeu um propósito, e, em sua essência, ele se alinha aos mandamentos de Deus — são as regras que orientam nossa existência, os guias para o curto período que passamos na Terra.
A vida, em sua simplicidade, é como um presente sagrado, mas somos nós que a complicamos. Chegamos ao mundo puros como anjos, e Deus nos concedeu o livre-arbítrio para escolhermos o nosso caminho. As decisões que tomamos são exclusivamente nossas. Cada escolha e ação, tudo o que fazemos e deixamos de fazer, impacta não só a nós mesmos, mas também aqueles ao nosso redor e até a natureza. Assim, a vida aqui é passageira. Nascemos sem posses, sem nome, e a única coisa que realmente levamos quando partimos é o nosso legado.
Nosso nome é mais do que uma simples palavra; ele carrega uma impressão espiritual única, um reflexo de quem somos. Essa marca que deixamos é intransferível e individual, representando o peso ou a leveza que acompanharemos em nossa jornada espiritual. Quando nossos corpos terminam sua missão terrena, o espírito segue em direção a um plano superior, ou, caso tenha falhado em sua essência, é excluído do ciclo eterno. Não basta viver uma vida de erros e pedir perdão no último momento, pois o espírito carrega as consequências de suas escolhas.
Ao observar a morte, seja em um velório ou na despedida de um ente querido, é possível perceber diferenças sutis. Existem corpos que, mesmo sem vida, ainda emanam uma certa energia, como se a presença do espírito se fizesse sentir ali. Outros corpos, em contraste, estão simplesmente inertes, sem qualquer sinal de vida espiritual, como se a essência tivesse se apagado completamente. Os profissionais que lidam com o preparo dos corpos muitas vezes também notam essas distinções — algo que desafia o entendimento comum, mas reforça a ideia de que nem todos os espíritos partem da mesma forma.
Como já expressou o próprio Papa, o inferno não é um lugar físico de punição eterna, mas sim uma forma de exclusão espiritual. Os espíritos que, por suas ações, se afastam da luz podem se perder. Enquanto a bondade e a verdade são forças que elevam o espírito, a maldade e o desvio da essência humana o condenam ao esquecimento.
A vida na Terra é breve e cheia de significados profundos. A energia que cultivamos em nosso espírito é eterna e continuará a vibrar muito além do corpo. Em nosso último momento, o que permanecerá não são bens ou status, mas a marca que deixamos, a vibração que irradiamos e o legado que nos tornará eternos. Que possamos viver de maneira a deixar uma leveza, uma energia que permaneça, pois, no final, é essa a verdadeira eternidade.
A vida é linda, um grande mistério,
Uma viagem de ida e volta ao etéreo.
De onde viemos? Para onde iremos?
Nada sabemos, mas aqui estamos.
Um dia partimos, isso é certo,
Para um destino longínquo e incerto.
Mas enquanto cá estamos, no mundo mortal,
Vivemos um milagre, um dom celestial.
Nos sentidos, a graça do Criador,
Nos olhos, nas mãos, no toque, no amor.
Ganhamos pais, irmãos, amigos,
Enlaces da vida, destinos cruzados.
Entramos nas vidas, deixam-nos entrar,
Amamos, odiamos, tentamos lidar.
E há almas que tocam, que fazem vibrar,
Como reencontros de um lar familiar.
Seriam da mesma origem distante?
Fragmentos de um tempo eterno, brilhante?
Essas almas nos fazem sentir imortais,
Como se o infinito vivesse em sinais.
A vida é bela, um sonho encantado,
Um laço divino, eterno, sagrado.
E mesmo sem saber de onde viemos,
Na jornada da vida, é certo: vivemos.
A vida é um mistério encantador, uma viagem com passagem de ida e volta. Não sabemos ao certo de onde partimos antes de chegar ao planeta Terra, e tampouco sabemos o destino final quando chega a hora de partir. É um enigma que permeia a existência. Mas, ainda que muito nos seja oculto, há algo que todos reconhecemos: a vida é um milagre. Viver é uma dádiva, um presente belo e extraordinário.
Durante nossa estadia neste mundo dos mortais, temos o privilégio de vivenciar a obra do Criador através dos sentidos. Ganhamos pais, irmãs, irmãos e amigos. Nos conectamos com outros seres, cruzamos histórias, tocamos vidas e permitimos que toquem a nossa. Amamos, odiamos, somos indiferentes. Entre tantas interações, há momentos mágicos em que encontramos almas que despertam em nós uma alegria inexplicável, uma sensação de reencontro. É como se essas almas fossem antigas conhecidas, vindas de um mesmo lugar ou de uma origem comum, antes de nossa chegada aqui.
Essas conexões transcendentais nos fazem sentir imortais, como se existíssemos além do tempo e do espaço. As almas que nos tocam profundamente nos ligam a algo maior, algo eterno. Talvez sejam um lembrete de que, mesmo nesta viagem cheia de mistérios, há uma essência imutável que nos conecta e nos faz lembrar da beleza infinita de simplesmente viver.
Certamente, uma desenvoltura muito peculiar, emocionante sob um provocante ar de mistério, na penumbra da noite, quando o tempo avança sem ser notado e seus belos traços são revelados aos poucos, causando um lapso na realidade, trazendo a viveza do lúdico, do sonho desperto, o impacto de uma arte imponente, essência entre as suas cores e texturas, personalidade envolvente, entusiasmante, sabor de loucura que alegra a mente, mulher de intensa ternura, emoções veementes, simplicidade nortuna, o destaque de experiências consistentes, que as fazem ser bem diferentes de outras.
Sensação de mistério, um breve momento raro, excêntrico, mágico, movimentação de pensamentos ao olhar para uma belíssima arte que aparenta estar olhando serenamente de volta ou talvez, esteja olhando para dentro de si mesma, em busca da sua própria essencialidade, fazendo valer a frase "os olhos são o reflexo da alma", a bênção de se reencontrar, de voltar a se tratar com amor, externada num belo trabalho artístico, quando o verbo amar está lindamente representado em cores intensas muito bem escolhidas em harmonia com lindos traços, refletindo a essência de um(a) artista, um resultado simples de uma compreensão complexa, que traz um fôlego de vida e assim, apresenta um certo significado entre detalhes e tintas.
O Preto e o Branco, elegância e pureza, mistério intenso da noite com a linda clareza do dia, essencialidade naturalmente exposta, porém, algumas peculiaridades permanecem abrigadas nas entrelinhas.
A seriedade também tem o seu momento, equilibrada com um tom de alegria, uma harmonia calorosa, deslumbrante como as palavras certas presentes em cada linha de uma simples poesia emocionante.
Elegante no entrelaçamento de cores no seu vestido gracioso, que faz menção a sua personalidade e confirma o seu bom gosto atrelado à riqueza da romanticidade, significados inspiradores e é apenas uma parte.
Pauso um pouco o tempo para observar o fulgor misterioso nos teus olhos, um mistério sedutor no teu jeito intenso de olhar, refletindo a junção de amor e desejo, sendo este lindo reflexo confiante, caloroso, bastante peculiar, que parece conversar facilmente com o imaginário, que consegue se destacar no teu belo rosto, além da tua boca pequena de lábios suaves naturalmente harmônicos, detalhes cativantes embelezados por tua rica essencialidade,
Cada instante pode se tornar grandioso, desfrutado na tua companhia, mesmo em um acontecimento lúdico, construído pelos meus pensamentos dedicados a ti, emotivos, autênticos, criativos, vivenciado com a intensidade do vermelho, emoção à flor da pele que floresce nos nossos corações, sentimentos, naturalidade, gentilezas e atrevimentos, viveza de um sonho a dois, beijos, diálogos, entrosamento, afetos trocados, linhas e versos do nosso memorável momento
Talvez, algo bem distante da realidade, mas no mínimo deixa fácil chegar ao entendimento que a tua simples presença é poderosa, ainda que estejas em silêncio ou apenas em uma foto devido a tua grandiosa expressividade, uma beldade maravilhosa, cuja sedução é farta, integridade respeitosa de corpo e alma, uma forma de arte enriquecedora, valiosa singularidade, iluminada, muito inspiradora, que faz valer com eficácia todas estas palavras que acabei de usá-las agora.
Há mais coisas a serem ditas do que o silêncio pode explicar…
A existência humana é uma misteriosa tapeçaria de pensamentos, decisões e crenças, cujos fios se entrelaçam em padrões que, muitas vezes, apenas o tempo revela. E, ainda assim, há algo que transcende o tempo e a lógica. Uma força superior, um Criador, que não apenas ordena a vida, mas a sustenta. Minha prioridade absoluta é Ele, o cerne de tudo o que existe. Não há como contornar essa verdade: sem fé, o homem é uma casca vazia, um barco à deriva em mares revoltos. A fé não é apenas o alicerce do que esperamos, mas a audácia de acreditar no invisível, naquilo que não vemos, mas sabemos ser real. Noé construiu uma arca não porque viu a tempestade, mas porque confiou no aviso. E essa confiança, esse temor reverente, é o que move montanhas e nos salva de nós mesmos.
A vida sem o Criador é frágil. Tão frágil quanto uma teia de aranha, que brilha ao sol, mas se desfaz ao menor toque. E, no entanto, é curioso como as coisas mais sólidas da vida vêm de lugares aparentemente simples. Para mim, há uma verdade que não posso ignorar: o conselho da minha mãe. Em um mundo tão barulhento, onde opiniões são lançadas como flechas, há uma sabedoria silenciosa e firme naquilo que ela diz. É como se suas palavras carregassem um peso que o tempo não consegue apagar. É o tipo de verdade que não precisa gritar para ser ouvida.
E falando em verdades que se cravam em nós, uma frase me assombra desde que a li: "Aceite os sinais confusos como um não, porque o sim é inconfundível." Tantas vezes na vida ficamos presos em uma teimosia cega, tentando decifrar indecisões que, na verdade, já carregam sua resposta. Aprendi que insistir onde não há reciprocidade é como tentar encher um balde furado: desgastante e inútil. Então, passei a colocar as pessoas no mesmo lugar que elas me colocam. Não por orgulho, mas por equilíbrio. É preciso dar o que se recebe, e nada mais.
Quando me entrego, entrego tudo. Não sou de metades. Sou do tipo que se atira no que acredita, mas, se recuo, não volto. Há uma linha invisível que, uma vez cruzada, não permite retorno. Isso não é fraqueza; é respeito por mim mesmo. E respeito é algo que se constrói com coragem. A coragem de entrar na arena e fazer o que precisa ser feito, enquanto tantos se acomodam na arquibancada, apontando o dedo. Quem está na arena entende que a vitória não vem do conforto, mas da ação. E, para agir, nem sempre é preciso estar motivado. Descobri que a motivação não é um ponto de partida, mas uma consequência do movimento. Você começa, e a motivação chega. É simples assim.
Já vivi momentos em que um oceano inteiro me esperava, mas eu insisti em nadar em uma poça d’água. Por medo? Por comodismo? Talvez. Mas, com o tempo, entendi que todo grande resultado nasce de pequenas ações diárias. Cada página lida, cada detalhe resolvido, conta. O progresso não se constrói em saltos, mas em passos. E, ainda assim, só quem está em silêncio entende o barulho que a própria mente pode fazer. Quem se cala, muitas vezes pensa mais do que deveria.
Por isso, empenho-me em construir minhas próprias alegrias. Delegar essa responsabilidade a outros é um erro colossal. Felicidade não é algo que se terceiriza. E, se há algo que aprendi, é que ninguém inveja o medíocre. Ninguém odeia o irrelevante. Ser verdadeiro, ser sólido, ser “de verdade” assusta muita gente. E gostar de mim é perigoso, porque não finjo. O mundo está cheio de máscaras, e quem não usa uma sempre será uma ameaça.
A maturidade ensina lições curiosas. Às vezes, é preciso silenciar, mesmo quando há muito a dizer. Não porque não se tenha razão, mas porque o silêncio, em certas situações, é mais eloquente do que qualquer palavra. Também aprendi que sou substituível no que faço — qualquer um pode desempenhar minhas funções. Mas quem eu sou, na essência, é insubstituível para aqueles que me amam de verdade. A vida é curta demais para ser o “talvez” de alguém. Curta demais para insistir onde não há espaço para mim.
E, talvez, o maior aprendizado seja este: o que é meu me encontra. Mas não espero esperando. Espero vivendo. Não se trata de passividade, mas de confiança. O caminho certo é sempre aquele que me aproxima do que me faz sentir vivo. Todo o resto é perda de tempo. E, por mais que o ego possa nos levar longe, ele nos deixa sozinhos. A gentileza, por outro lado, constrói pontes. Está todo mundo se curando de alguma coisa que não conta para ninguém. Ser gentil é um ato de coragem em um mundo endurecido.
E assim sigo, com a certeza de que ninguém passa pela minha vida sem deixar uma lição. Algumas pessoas partem, outras ficam, mas todas ensinam. E, ultimamente, tenho imaginado que o que está por vir é maior do que qualquer plano que eu possa traçar. Há um propósito que supera minha compreensão. Por isso, sou bom, mesmo quando o mundo é cruel. Ser bom não é fraqueza; é força.
E, quando percebo que algo não faz diferença, eu paro de insistir. Afinal, a vida é curta, e eu sou a versão mais jovem do resto da minha existência. O que quer que eu esteja pensando em fazer, faço agora. Porque o tempo, esse mestre implacável, não espera por ninguém.
A busca espiritual e o materialismo…
Mergulhar no insondável mistério da existência é adentrar uma tapeçaria viva, onde cada fio revela a complexidade da Criação e a profundidade do Criador. Nesse cenário, uma pergunta se ergue como baluarte da reflexão: buscamos o Criador em sua essência inefável, enquanto origem e fim de tudo que existe, ou limitamos nosso anseio à obtenção de dádivas, restringindo o Infinito às molduras de nossas necessidades e prazeres efêmeros? Tal questionamento não é meramente teórico, mas ecoa na prática de uma sociedade que, demasiadas vezes, parece instrumentalizar a transcendência, transformando-a em serva de suas ambições mais materiais.
Vivemos em um tempo em que o sagrado é frequentemente diluído pela lógica do utilitarismo. O Criador, na percepção de muitos, é reduzido à condição de fornecedor celestial, cuja função primordial seria atender aos caprichos humanos. É como se a eternidade fosse invocada para resolver as questões do instante, e a infinitude divina fosse comprimida nos estreitos limites do desejo humano. No entanto, esse tipo de relação, em que o Divino é medido pelas benesses que concede, não apenas empobrece o significado da espiritualidade como também aprisiona o indivíduo em uma visão de mundo truncada, onde tudo o que é transcendente perde seu caráter absoluto e se torna apenas um meio para fins terrenos.
Essa inversão de valores, onde o Criador se torna acessório e o material se torna o objetivo, é um reflexo de um profundo desvio existencial. Quando a busca pelo Divino se esvazia de sua dimensão genuína e se contorce sob o peso do interesse egoísta, o indivíduo não mais caminha em direção à transcendência, mas retrocede rumo à estagnação. A espiritualidade assim concebida não é mais que um simulacro, uma sombra de sua verdadeira natureza, incapaz de conduzir à plenitude.
Por outro lado, há aqueles que, em meio ao ruído das ambições mundanas, conseguem perceber algo mais profundo: a comunhão com o Divino como fim último e absoluto. Para esses, o Criador não é um recurso a ser explorado, mas o horizonte supremo que atrai a alma em sua jornada. Esse caminhar espiritualista não se define pela negação do mundo, mas pela superação de sua superficialidade. As posses, os prazeres e as honrarias podem surgir como circunstâncias do caminho, mas jamais como destinos finais. O verdadeiro buscador almeja a Fonte, não as gotas; deseja o Sol, não os reflexos dispersos de sua luz.
Contudo, essa perspectiva elevada é rara, e sua raridade é um espelho de nossas limitações enquanto espécie. Muitos se aproximam do Criador movidos pelo temor da perda ou pela esperança de ganho, e, embora tais motivações possam ser um ponto de partida, tornam-se insuficientes para sustentar uma relação autêntica com o Absoluto. Uma espiritualidade fundada no "dá-me para que eu creia" ou no "protege-me para que eu te louve" permanece enraizada no materialismo, ainda que mascarada por rituais e doutrinas. É necessário transcender esse estágio inicial para que a alma, livre de suas amarras, possa contemplar o Divino em sua plenitude.
Buscar o Criador em sua essência é, antes de tudo, reconhecer que Ele não é um meio, mas o próprio fim. Essa busca exige uma entrega radical, uma disposição a abandonar tudo o que é transitório em prol do que é eterno. Não se trata de negar o mundo, mas de perceber que ele é um reflexo pálido de uma realidade maior. Como seres criados à imagem e semelhança do Eterno, somos convocados a manifestar em nós os atributos divinos: amor incondicional, justiça perfeita, unidade inquebrantável. Essa manifestação não é um ideal distante, mas um chamado urgente, uma necessidade que brota da própria essência do ser.
A intimidade com o Criador não se constrói no âmbito das trocas, mas no espaço da transcendência. É um relacionamento que demanda silêncio interior, humildade e a coragem de deixar para trás as ilusões que nos prendem à superfície da vida. Quem busca o Divino por aquilo que Ele é, e não pelo que pode oferecer, encontra, paradoxalmente, tudo aquilo que jamais poderia imaginar. Pois é na entrega ao Infinito que a alma se plenifica, e é na comunhão com o Absoluto que o ser encontra seu verdadeiro propósito.
Assim, o convite que ecoa pelas fibras da existência não é outro senão este: abandonar a cobiça do efêmero e mergulhar no mistério do Eterno. Que cada anseio, cada pensamento, cada ato seja uma oferenda ao Criador, não como um meio de obtê-lo, mas como uma celebração de sua própria existência. Pois Ele é, ao mesmo tempo, a origem e o destino, o princípio e o fim, o fundamento de tudo o que é e a razão de tudo o que pode ser. Buscar a Deus por amor ao próprio Deus – eis a mais elevada de todas as aspirações. E nela reside a verdadeira liberdade.
