Minha Terra tem Palmeiras onde Canta o Sabia
Em vez de fugir da tempestade, decidi dançar na chuva — e cada trovão virou trilha sonora da minha superação.
Eduardo Santiago
Prefiro viver minha inocência de pensar que quem ama não trai. A traição é uma escolha infeliz de quem quer fugir da realidade em que vive, sem ter o caráter de se importar com a realidade do outro.
É você que ilumina minha vida e aquece o meu coração. Com todo respeito ao brilho do sol, que deixa os dias mais lindos, convenhamos; você, filha, é minha luz preferida.
O Cativeiro da Agonia.
“Faço da minha vida um cenário da minha tristeza.”
E assim, a existência se converte em palco, e eu, ator sem aplausos, caminho entre sombras que se arrastam nas paredes da própria alma.
Agonia…
Tu que me encarceras e me vigias como sentinela antiga, tens mil portas abertas em tua fortaleza austera.
Eu, porém , cativo, não tenho nenhuma, ou talvez apenas uma:
o meu pensamento.
E o pensamento, este frágil portal para mundos possíveis, treme. Ele poderia ser fuga, ruptura, salto.
Mas não fujo.
Porque o dom dos abismos se levanta silencioso entre nós dois, entre tu e eu, como muralha feita de memórias, silêncios e ausências que se recusam a morrer.
E nesse intervalo, nesse vão entre o que sou e o que me dói, a vida permanece suspensa, hesitante, como vela acesa no vento que sopra de dentro.
LITURGIA DO AMOR QUE NÃO VOLTA.
Capítulo V - LIVRO: DOR DA MINHA DOR.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Ano: 1995.
Em minhas mãos há muitas mãos.
Nenhuma é inteira.
Todas tremem.
Escrevo como quem toca uma ferida antiga que jamais cicatrizou.
O amor não partiu.
Ele permaneceu distante.
E a distância é mais cruel que a morte.
Há um amor que não passa porque nunca se foi.
Ele apenas se deslocou para um lugar onde a memória não alcança e o corpo não suporta.
Desde então carrego no estômago um vazio que dói como fome etérea.
Não é ausência de pão.
É ausência de alma.
A noite entra pelos olhos, é linda.
Não pede licença.
Ela se senta ao meu lado e sussurra o que perdi, não, não foi um assassinato foi um suicídio.
Cada lembrança é um sino fúnebre tocando dentro do peito.
Cada silêncio é uma pergunta sem resposta, corta o segredo do nosso silêncio.
A tristeza aqui não grita, não é preciso é existência.
Ela se ajoelha.
Ela reza com palavras quebradas.
E eu me ajoelho com ela porque amar assim exige humildade diante do irreparável realizado por nós.
Meu amor não foi um erro.
Foi um excesso.
Amei com tamanha profundidade que o fôlego do mundo se tornou insuficiente para contê-lo.
Quando partiste algo em mim continuou indo ao teu encontro todos os dias,todos os dias...
Há dores que não querem cura.
Querem testemunho.
Esta é uma delas.
Carrego o amor como quem carrega um cadáver querido nos braços como judeu errante da profecia.
Não o enterro.
Não o abandono.
Aprendo a conviver com o leve peso.
O coração já não bate.
Ele ecoa.
Cada pulsar é um chamado que ninguém responde.
Sei que este amor não terá redenção no tempo e nem no vago.
Ele pertence ao domínio das coisas que só existem para doer com beleza.
E é por isso que volto a estas palavras.
E voltarei aqui quantas vezes me doer e me querer esse amor. Suas veias finas, lindas nessa pele translúcida, é nelas! É nelas que eu leio-as outra vez uma impossível esperança.
E outra vez.
E outra vez me perco de mim em teu roubo fácil de mim mesmo.
Não paramos esquecer, estranho, o nada não tem vez aqui.
Mas para manter viva a única forma de eternidade que me resta.
É admitir-me imortal em humilde homenagem a dor fiel que me ama mais, e sempre mais além de mim.
Eternamente infeliz
Por minha causa?
Normalmente todos culpam
a própria pessoa,
posso até assumir,
mas tudo que foi
feito de bom,
também foi por mim.
Batatinha quando nasce esparra a rama pelo chão, se eu não gosto de berinjela, quem roubou minha bicicleta?
Gaiola doida
O relógio parado
Fixado na parede
Não falta água
Só não tenho sede
A minha causa rara
Afirma-se em solidão
Sem perspectiva do amanhã
E o hoje sem a tal emoção
O velho sábio pensa
Indefinições que voam
Como pássaros embriagados
Sonhos que são lamentados
Nada é como outrora
O pôr-do-sol se extinguiu
Nunca pesquei naquele rio
Minha empresa já faliu
Antes de nascer eu previ
Na gaiola doida estaria
Segue então o rumo do baile
Fantoches em total monotonia
O meu esconderijo maior
Esconde aqueles sentimentos
Cada vez mais realçados
Num poço de lamentos
Não vejo as cores
Tal como elas são
O daltonismo cai
A luva serve na mão
Razão na pura emoção
Comoção sem sentir
Um amor que aflora
Na cova vou partir
Quase nunca nada
Jamais te conheci
Nada serei sem ti
Estrela da madrugada
Adeus ao navio negro
Leve todas as vítimas
Eu aqui ainda aguento
Mesmo sem carícias.
A minha maior preocupação não reside naqueles que não acreditam em Deus, mas sim em quem não acredita em si mesmo.
Casa azul
Passei pelo portão da minha avó
Cruzei uma rua sem asfaltamento
Me dirigi à convidativa casa azul
Bati na porta por algum momento
Um homem de meia-idade abriu
Cumprimentei ele e segui o rumo
As escadas eu subi sem fraquejar
Havia lá uma garota com aprumo
O quão real pode ser um sonho?
Desejo muito então que se repita
Para tentar recordar o nome dela
Seria este um relato enfadonho?
A magia conhece quem acredita
E eu estou persuadido pela bela.
Zero avaliação
Vou devolver a minha avaliação
Estou cansado de ser reduzido
Número nenhum mais convém
Esse sistema está me partindo
Que se danem as suas provas
A fogueira necessita de papel
O aquecimento será bem-vindo
Para aniquilar o registro cruel
Nota 10 não me significa nada
Mesmo o 0 deixou de impactar
Corro atrás de premiação real
Sem trivialidades para se gabar
Guardem as suas vis honrarias
Parem de nos nivelar por baixo
É um prazer terminar a escola
Elite? Os chamo de populacho
Enquanto me estendo na rede
E saboreio outra água de coco
Centenas de exames são feitos
Piedoso, eu imagino o sufoco.
Nas minhas veias
Tua indiferença cruel
Tua pele fria como gelo
Um toque poderia matar
Minha dor, tua excitação
Eu quero te abraçar, mas algo me diz pra não chegar perto
Eu quero te beijar, mas os meus sentidos pedem pra parar
Eu quero te provar, mas prometi não me entregar ao vício
Eu quero te amar, mas pode ser que eu não volte mais
Tu és uma droga injetada nas minhas veias, uma droga
O ritual precisa continuar
Tua boca tão atraente
Teu jeito tão misterioso
Meu coração bate forte
Estou prestes a delirar
Eu ouço tua voz me chamando às quatro da madrugada
Não consigo mais dormir e tenho medo de te encontrar
Não quero me envolver, mas tu estás sob a minha pele
Eu quero te possuir, mas só se primeiro fugir da tua teia
Tu és uma droga injetada nas minhas veias, uma droga
O ritual precisa continuar.
A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo.
