Minha Terra tem Palmeiras onde Canta o Sabia
No ponto ao ponto
Parada na esquina, esquecida, hipotérmica e febril está minha linda amiga fé. Ela está lá no ponto, solitária e aguando olhos passados e transeuntes cílios cíclicos que sempre voltam ao mesmo lugar e nunca chegam a ponto algum.
Mares que vem à bem
Só o sol é capaz de testemunhar minha dor. A noite calada trouxe consigo o silêncio. E o sono roubou-me a lucidez. Os sonhos se tornaram meu ser. Não sentia enquanto via. Não consegui me achar frente ao espelho. Tudo que meu consciente falho reservoou durante o dia, os sonhos embaralharam, e , sem fim e começo me encontro todos os dias ao despertar-me com pequenas faíscas da manhã que se anuncia. O silêncio fica cada vez mais longe. Ouço minha própria respiração. Os pássaros começam a voar para tirar de suas penas o orvalho da noite. E eu à duras penas tento aliviar o orvalho desses meus olhos chorosos cerrando-os em meio à escuridão e meia luz.
Entre o erro e o acerto, construí meu ego. Ego de banana, foi bacana porque todos a minha volta sambavam alá brasileirinha. E eu inquieto, obsoleto, zombei da sorte, achei graça na trapaça, aliás, só pode ser trapaça se couber nos meus conceitos (quebrados e falidos). Bom, agora vou seguir minha vida, não pode descrever minha dor, exceto eu, consegui vislumbrar minha bela imagem no espelho e, cá entre nós, não gostei nada do que vi. Eu que sempre sonhava com moinhos de ventos e dragões, agora vejo a lua e a luz que ela reflete na rua. Fui deus, de mim mesmo, fui parasita de outrem, fui rebelde de hoje e espetáculo de ontem. Mas, e daí? A vida é minha, eu faço o que quero e não pago nada, se você tem um pedaço de mão eu lhe estendo a mão, se não fique a nau, uma hora, um dia, um mês, depois de 84 dias, talvez você encontre o peixe de ouro que tanto procura, afinal; o sol também se levanta no reino da Dinamarca.
"Estou mudando meu modo de ver as coisas, minha paciência está se esgotando, agora só irei me calar, observar e segui meu caminho em outra direção."
A minha situação e só mais uma em um milhão e só eu sei o quanto me incomoda essa estagnação. Situação podre, padrões mais podres ainda, julgam uma pessoa pelo estilo da sua camisa. Terno, gravata, sapato social a forma comum de homem genial. Camisa de malha, bermuda jeans um cara comum com atitudes hostis...
Provações são como tinta em um tinteiro; nela mergulho minha pena e coleciono páginas de conhecimento que registram todos os meus pensamentos.
Oculto
Fartei-me de mostrar o meu encanto
De cair em pranto
De elucidar minha ternura.
Hoje sei de que nada adianta
O que me é sentimental.
O que eleva o meu feitio e
Coloca noutro coração
A minha galhardia
É o meu intencional.
Meus homens
Estou cansada das reverências
Tenho como liberdade
A antissocial
A minha própria forma de pronunciar.
Não quero nada que seja comedido.
Quero a relevância do meu próprio ato.
Quero os meus homens
E desejo amá-los a todos.
E nada que seja singular e exclusivista.
Nada de domínio público
Que exaurem os meus recursos mentais.
Não os quero fisicamente
Desejo-os de pés assentes
Mas sem muita intelectualidade.
Imagino-os com as suas esposas e amantes
Suas ternurinhas errantes e eu,
Os quero pelas suas melhores partes,
Aos meus pés pela minha genialidade
Na libertinagem de pensamentos,
Para que tenham sonhos
De um dia possuir, a mim,
A mulher intensidade.
E que ambicionem a minha extravagância,
Para que não morram as minhas nostalgias
E alimente as suas agonias
Daquilo que lhes é imparcial.
Que minha autenticidade
Sempre os deixem na busca
Da minha real personalidade.
Insatisfação
O teu elogio não cura mais a minha insatisfação.
As tuas ideias consomem a minha alegria.
O teu juízo desapareceu sem harmonia.
Os teus gestos declaram sempre falta de emoção.
Tudo em ti é insosso.
Tudo que praticas não é natural.
Tudo o que demonstras é em razão de um esforço hercúleo.
Tu não tens opinião.
Tu és um fantoche.
Não possuis uma personalidade definida.
Um adulto cheio de mentiras.
Não és capaz de atuar com a razão.
És um ser sem atitude, mas cheio de malícias.
És uma criatura que esconde sentimentos.
És o que trai na defensiva.
És sempre a vítima em cada situação.
Ser imundo que não satisfaz.
Verme maldito do pecado.
Traidor dos que o amam,
Fere sem compaixão.
Assalto ao coração
Bateram em minha porta
Eu a abri com um sorriso
E para a minha surpresa
Era um assalto.
Fiquei estarrecida
Numa mistura de êxtase e medo
Mas, durante aqueles momentos
Tentei fazer todas as leituras possíveis.
Mas, quando a porta se fechou
Notei que o meu estômago não mais aceitava a comida
Os meus pulmões já não queriam respirar
O meu coração sangrava.
As minhas pernas paralisavam
Os meus dedos começaram a esfriar.
Mas, na fuga do sentimento a razão sobressaiu
Pensei então…
Cometi um grande erro
Abri a porta desprevenida
Deixei entrar com um sorriso
Quem me era desconhecido.
Minha mente ferve ao forjar ideias. Quando estou lendo e escrevendo, sinto-me análogo a Hefesto e aos anões de Nidavellir.
Enquanto os dias se passam diante de mim.
Enquanto a guerra se faz perante minha face, encontro-me nos últimos dias de convivência deste pobre lugar. Aquele parasita que havia em mim, Eu o fiz sair. Na escuridão da tempestade Existe o Mal, " E esse sou Eu"
Ele
Sendo assim,
Meus olhos escondem a Alegria contida em minha alma,
Ele não suporta o meu sorriso,
Eu me fecho,,, me escondo,,,
E acho que a primavera ainda não passou
existem flores... Posso vê-las a brotar!
Eu aguardo atenciosamente a chegada do verão,,, eu sinto a vida!
Adoro o arrepio em minha pele suada,
A simplicidade do brilho do sol pela fresta da janela entre aberta todas as manhãs,
Guardo todos os meus sorrisos e alegrias
onde ele não pode alcançar,
Ele não sabe que o meu sorriso está contido em minha alma feliz!
Meu Caminho
Percorro a via
Procurando um caminho
Para te encontrar
Minha vida é um deserto
Sem motivos para sorrir
Mas quando penso em você
O meu coração dispara
Tenho saudades de te ver
O meu amor é tão imenso
E essa falta que me faz
Não me deixa lhe esquecer
Então saio para a rua
Procurando um caminho
Que me leve até você
Sombra
"Na parede vi minha sombra desenhada como espelho a refletir minha alma"
Então senti o abraço quente do sol
Que ao entrar pela janela
Seus raios, clarearam a minha face.
E em tão pouco tempo se foi
Pude perceber
O quanto momentos rápidos e únicos
Podem ser tão incríveis
Agarrei-me a vida como se fosse
A última gota de lágrimas que iria derramar...
Tudo é pouco, muito pouco e passageiro.
E ainda há flores no jardim a brotar!
Marlene Ramos Martins 2011
Metade minha é silêncio, a outra é vento a levar-me as mais profundas intenções da minha alma.
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