Minha Terra tem Palmeiras onde Canta o Sabia
As mulheres tem o direito de chorar em duas ocasiões: em casamentos e velórios, no restante elas tem o direito de sorrir.
Eu sou saudade
Feito um samba que ainda não está pronto
Mas se canta há muito tempo.
Cheio de lembrar.
Última Montaria
Vaqueiro no pasto aboiando
chapéu de couro e gibão
espora que canta o alazão
pelo sertão galopando
bezerro que cresce mamando
tem mais valor do que ouro
escolhido na reprodução
primeiro na exposiçao
ninguém segura esse touro
É chegada a sua hora
vaqueiro procure seu canto
e reze pra tudo que é santo
e pode afiar a espora
que esse touro não demora
pra acabar com valentia
da região é o mais temido
e por aí é conhecido
como última montaria.
O passarinho canta porque está feliz, ou está feliz porque canta? Não importa! O que importa, é que ele canta e nos encanta.
No raiar da alvorada no começo do roçado
Quando canta o zabelê tendo o dia começado
Me levantando da rede peço pra o nosso Senhor
Um dia de esperança na luta do sofredor
No sertão de terra seca tudo tem sua beleza
O valente pode ver mesmo não tendo certeza
Botar sentido na vida com o pouco que Deus dá
E lutar por quem precisa até a chuva voltar
(en)canto
no cerrado canta a cigarra
quer o (en)canto dum par...
canta, numa tal algazarra
até o teu peito estourar...
e neste som de guitarra
baila, seduz, sem parar...
de carência ou garra
a cigarra quer casar...
é sofrença ou farra
ou carma a carregar?
neste mantra se agarra
até a lua raiar...
é fanfarra
é verão à anunciar...
então, canta cigarra
a vida tem de continuar!
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
outubro de 2019
Cerrado goiano
Na noite fria
lá no cemitério,
canta solito
o sapo gaudério.
Ao longe uma vaca muge
e uma coruja canta,
mas quem acorda todo mundo
É a anta do sapo gaudério.
Na noite fria
lá no cemitério,
canta solito
o sapo gaudério.
Não tenha medo
não tem mistério,
que este som feio
é só o tal do sapo gaudério.
Na noite fria
lá no cemitério,
canta solito
o sapo gaudério.
Sonha minha prendinha,
dorme meu amiguinho
que lá no céu nos cuidando,
sempre tem um anjinho.
O passarinho na gaiola.
Ele observa o céu e canta com mais intensidade... seria um canto ou grito de socorro? Olho pro céu e sonho em ta lá, no alto, distante... Imagine quem tem asas. Nós realmente temos costumes estranhos ao engaiolar o que amamos. É o "tomar pra si" falando mais alto. O mundo interior ainda vai acabar muitas vezes, até que se entenda que não possuímos seres, e até mesmos os sentimentos vão embora. O sentir é livre. Depois disso, o mundo lá fora vai ser mais bonito... Mundo livre!
Se a noite é uma criança,
quero ser uma noite que pula,
que brinca, que sorri, que canta e dança
a luz da lua, em plena rua...
