Meus Olhos Estão Cansados
Entre o Silêncio e o Vento
Nasce a alvorada em olhos cansados,
sonhos que dançam nos céus apagados.
Cada lembrança é um fio de luz,
na teia do tempo que o destino conduz.
As palavras que o mundo calou,
guardam segredos que o peito escutou.
No eco dos passos, a alma se vê,
procurando um porquê sem saber o porquê.
O vento sussurra verdades antigas,
em línguas que choram feridas amigas.
E mesmo que o mundo insista em cair,
há um fogo em silêncio querendo insistir.
Pois há beleza no que se despede,
na flor que resiste, na folha que cede.
E o amor, esse instante que vive e desfaz,
é um sopro eterno que nunca se faz.
Dois corações andavam cansados,
num caminho longo, olhos fechados.
Falavam da cruz, da dor, da perda,
sem saber que a Esperança já estava por perto.
Eu o vi no caminho da dor,
Com os olhos cansados, sem direção.
Já não andava com o brilho de antes,
Levava no peito a contradição.
Beijo os seus
olhos cansados,
Aos teus passos
o meu consciente
e o inconsciente
entreguei devotados;
E em ti por onde
nem mesmo você
imagina hasteei
o meu pavilhão
e fiz território
ocupado o teu coração.
EM CLARO
Noites passadas em claro,olhos que
buscam alguém.
Assim eu sou pelos dias procurando
alguém que não vem.
São dias que se sucedem, noite após
noite espero que surja de algum lugar.
Os olhos já cansados, não consigo e não
os quero fechar.
Sofrimento igual não existe querer ter
a quem se ama, perto de nós para sempre.
À mim aliviaria se eu possuísse algo
que fosse só meu, e que por sorte tivesse,
um pouco do cheiro teu."
Roldão Aires
Membro Honorário da Academia Cabista.
Membro Honorário da Academia de Letras do Brasil
Membro da U.B.E
" Estou enganado, ou vi seus lindos olhos brilhar pra mim. Logo eu que não sei cantar, logo eu que não sei amar... Cansado de sonhar, de não amar, logo eu, logo eu"
