Meu Eterno Amor minha Filha
Até com a minha carne eu construía um cavalo branco para aquele príncipe. Mas ele não queria, acho que ele não queria. Eu não tive tempo de dizer que quando a gente precisa que alguém fique a gente constrói qualquer coisa, até um castelo.
Dessa vez não vou evitar dizer o que está na minha cabeça só porque eu sei que minha mente geminiana vai negar no dia seguinte.
Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar como entrei no inexpressivo que sempre foi a minha busca cega e secreta.
Talvez eu esteja com receio de ter ido longe demais desta vez e esteja preparando a minha defesa, caso alguma coisa não saia como esperado. O que eu espero? Não espero nada, espero tudo, estou à deriva nessa aventura. Eu queria cristalizar esse momento da minha vida, mas estou em alta velocidade, e não sei se quero ir adiante, só que eu não tenho opção. Acho que é isso. Eu tinha opções, agora não tenho. Não consigo parar esse trem.
Em certos momentos paro e me pergunto da onde se origina essa minha particular filosofia e pensamentos que me levam a tão peculiares conclusões. Sou apenas um recém-adulto que aprendeu desde pequeno a arte de indagar. Questionamentos incessantes que me atordoam os pensamentos, mas muitas vezes apaziguam minha alma. Todos necessitam de uma palavra de conforto ou de uma crença que os levem a seguirem em frente. Sou um eterno curioso que não se contenta em somente ver o resultado final, me importo com a origem, com o meio, com os erros que foram cuidadosamente ocultados pelo caminho na tentativa de se conquistar um status de perfeição… Esta que jamais existirá. Às vezes sou chato, em outras sou somente indiferente, mas em alguns momentos consigo ser fascinantemente coerente. Tenho meus dias de teimosia, minhas horas de loucuras e alguns segundos de insanidade, mas possuo a dádiva de ser exatamente como sou sem a necessidade de me mascarar para agradar um mundo que não se importa com quem você realmente é, mas como se apresenta. Sim, infelizmente aqui o rótulo vale mais que o conteúdo.
Minha mente é um turbilhão de pensamentos no qual alguns me atropelam, entretanto, há sempre outros prontos a me resgatar devolvendo-me o equilíbrio. Não sou filósofo nem gênio, tão pouco sábio. Sou simplesmente aquilo que a ocasião me permite ser enquanto luto para me tornar o melhor que minha mente consegue idealizar. E nesses vai e vem da vida vou curando as feridas das quedas, pois embora tenha tropeçado inúmeras vezes, jamais fiquei imóvel ao chão… Não que eu seja forte ou inabalável, mas porque sei que a vida é muito mais do que um tombo e que o tempo não pára esperando que eu me recomponha. Recomponha. Não adianta juntar os cacos, eles serão sempre o resto ou o excesso, a solução é viver com o cristal intacto de alma que sobra… E continuar fazendo dele seu maior tesouro, seu bem inviolável com o passar dos tempos e das tempestades.
E, ainda sim, continuo sem me entender por completo. Sou um mistério até para mim. Ser traIndagações, dúvidas, teorias, pensamentos, convicções, certezas, anseios, receios, tudo e nada, muito e pouco, desejo e repulsas... minhas complexidades.
Acho que se um dia eu sair desse meu estado parcial de ignorância tudo o mais perderá seu sentido, a vida não é nada sem a possibilidade de descobertas. Não há surpresas no conhecido, tampouco emoção no que já foi desfrutado e esmiuçado. Nem todas as surpresas são boas, mas nem todos os desastres causam prejuízos. Depende da forma como você visualiza e pensa!
Presa fácil da minha cerebrotânica labilidade
À terrível lucidez do medíocre.
Negar que é pestilento, jamais.
O mais e o menos são valoráveis.
Porém de nada se extrai
Da média-ocridade
Idade da pedra.
Me incomoda
A dúvida que, mascarada em cão,
Ladra e morde enfermamente.
Não quero interferências banais
Interferindo no meu espírito.
Ele me perguntou qual era a minha pedra preciosa favorita, e eu respondi que era o topázio sem pensar. Meu rosto ficou vermelho porque, até pouco tempo atrás, minha pedra preciosa favorita era o Ônix. Era impossível olhar pra os seus olhos da cor
do topázio, e não entender o motivo da troca. E, naturalmente, ele não ia descansar enquanto eu não admitisse porque estava envergonhada.
Edward: Me diga
Bella: É a cor dos seus olhos hoje.
Combaterei todo aquele que, pretendendo que a minha caridade honre a mediocridade, renegue o Homem e, assim, aprisione o indivíduo numa mediocridade definitiva.
Combaterei pelo Homem. Contra os seus inimigos. Mas também contra mim mesmo.
Me importo sim com o que dizem de mim, mas isso não quer dizer que eu vá mudar a minha vida por causa de um comentário de alguém que acha que pode me julgar.
Somente no moral se vê minha elegância.
Enfeitar-me não sei; nem dou para casquilho,
Julgo estar muito bem, não sendo peralvilho.
O que eu não faço nunca é, franco e por incúria,
Sair sem lavar bem a recebida injúria
Trazer o pundonor ébrio de sono e vinho,
Ter os brios de luto e a honra em desalinho!
Ando, sem nada ter que pela cor agrade,
Emplumado de orgulho e garbo e liberdade;
Se não prendo a cintura esbelta num corpete
A vergonha ajustou minh’alma num colete.
São-me os feitos e ações as fitas que apresento;
Qual bigode gentil, retorço o meu talento;
Faço, por onde vou, tornando-as bem sonoras,
As verdades vibrar como tlintlins de esporas!
Ora, não sou linda. Mas quando estou cheia de esperança, então de minha pessoa se irradia algo que talvez se possa chamar de beleza.
Eu passei mais de 60% dos segundos da minha vida assustada. Muito assustada. Mas rindo, mas fazendo todo mundo rir. E por dentro, um poodlezinho com medo da tosa. Fofo e fresco. E afiando dentes na madrugada caso me tirassem os pêlos bem no inverno. Você precisa ser menos agressiva, poodle. Ah é? E quem me garante então que não vão me arrancar os pêlos bem no inverno?
E eu continuava assistindo à erosão da minha vida, sem que pudesse fazer nada. Muitos menos compreender Isabel.
Até que um dia resolvi imitá-la.
