Meu Coração
Quando a tarde vai embora
meu coração se entristece
fica aguardando nova aurora
s noite toda em prece
02 de dezembro/ Dia Nacional do Samba
Samba, Brasil !
Entra em cena meu coração
no palco da vida batucando
sons que fazem a alegria
junto ao povo que dança gingando
O samba é do pandeiro
mais agogô e reco reco,
o cavaco só chora ligeiro
pelo banjo que faz o eco,
O samba não tem preconceito
alegra a todos sem distinção,
samba até que não leva jeito
porque traz alegria ao coração
No vai e vem da maré,
qual grão de areia, arrastado,
vai meu coração sem rumo,
por amor, aos poucos, despedaçado !
Vem de longe
o vento mansinho,
perfumando a noite,
a bailar,
traz vozes em carinho
meu coração quer tocar
fico em êxtase, vou ouvindo
a canção que talvez
seja só minha
e ainda não consegui decifrar
Eis uma vaga trova,
bem leve, e como vaga,
a minh'alma renova,
meu coração ela afaga!
Penso num vago amor,
vagando sempre sozinho,
do qual se pode supor,
vago amor, vago carinho...
METAFISICA HUMANA:
(Nicola Vital)
Meu coração bate!
Porque bate às ondas do mar,
Minha liberdade é transparente
E confluente.
Mas às vezes, é preciso sofrer
Para ser natural,
Em outras, é preciso fingir
Para ser real.
Todo dia, toda hora, a todo instante,
Deixamos cair cada máscara! ...
E o sonho de ser feliz
Flui, quão nossos intrínsecos
Personagens cotidianos,
Esta é a metafisica humana!
SONHO AZUL:
Meus olhos te veem
Como o sol a brilhar.
Meu coração te absorve
Como o pulsar do sangue...
Meus ouvidos te ouvem
Como a praia escuta o mar.
Meu olfato te sente
Como a abelha poliniza o ar.
Minhas mãos? Ah, minhas mãos!
Te afagam como o vento ao mar.
E tua pele a transluzir
Me reluz teu âmago.
No meu sonho azul
De te amar.
CORAÇÃO DEVOLUTO:
Este silêncio que a madrugada aspira
É o medo que em meu coração
Ausculto.
Este medo que em meu coração
Ausculto.
Prelúdio de um sentimento astuto
Que aspira este coração
Devoluto.
FARSA:
Não me apraz
O ouro ou a prata
Eu nasci sob a casta
Que mata...
Meu coração?
Um misero palhaço
Não me impunha raça...
Não me faculta graça...
A construção poética, uma carcaça
Uma medonha farsa!
É flor sem perfume
Sonho que se sonha sem sonhar.
Não me apraz
O riso vulpino do poeta
Sobre a dor que tingida
De certo é dor fingida...
NINGUÉM DE MIM SABERÁ
Ninguém me ver...
Ninguém me sabe!
Meu coração um perfeito
- Pretérito...
Nada do que fui tornará
Nada do que sou sobreviverá!
E minha alma em algures
- Preterida está.
Só a morte me resta como única
Essa pantera, conclusão me fará.
Ninguém me ver
Ninguém de mim saberá.
ENTRE AS MOSCAS
Toda vez que o telefone toca meu coração dispara como cancioneiro errante.
Testando o cheiro hediondo da gasolina.
Antes do sorriso, da flor e do “amor”.
Existe o morro, a fome e pessoas pobres.
E o sonho de ser feliz que permeia-se no gemido calado do filho mal nascido da madona que nutre os filhos de uma realidade perenal fundada na tônica que embala o discurso formal.
Não devemos romantizar essa realidade que sangra!
Meu Brasil...
De onde veio meus destinos.
Tantas almas espichadas no curtume sob o negacionismo estrutural.
Funde minha cuca...
Essa noite eu deixei uma luz acessa todo o tempo.
E sob seus poucos lumes, me transportei a um passado presente.
A morte não é cessação da vida!
abraçar, beijar, amar, sorrir, chorar, sonhar. Por que guardar isso?
Eram poucos os fios prateados do vovô.
Seus parcos sonhos divergentes aos da criança que queria ser grande.
Mas ele nunca contou nem me deixou saber que a vida depois de crescido
Rala o peito.
SOLIDÃO.
Meu coração se fez plumas.
Percorreu os caminhos da razão, solidão.
Eu nunca ansiei afastar-me dessa pantera austera.
Nunca tive medo de me sentir sozinho, porque sempre estive ao lado dos meus demônios e guardiões.
Antagônicamente, a solitude é dor que sara!
Condição sine qua non do ser humano.
Paradoxalmente carente de afetividade
À medida certa
