Meu Caminho e cada Manha
Quando eu quis acreditar no amor...
já não era manhã...
já não tinha o sabor de hortelã,
os desejos já tinham dormido...
OUTRA DIMENSÃO
Mas uma manhã se foi e o brilho dourado dessa aeronave vai ficando fusco, vou deslizando tonto nesse verde musgo desaprendendo lentamente a crer, querer e a ter fé. Camiho entre lápides de epitáfios saudosistas e originais numa névoa irreal de um labirinto que se confunde comigo mesmo; faz tempo.
Tenho a lembrança de um casamento, pessoas jogando arroz na entrada de uma igrejinha de uma pacata cidade interiorana, abraços e desejos sinceros de uma felicidade eterna; eu que sempre busquei e questionei o que era felicidade; naquele momento acho que era feliz. Agora atrás da roseira, percebo laura, seu amante, seu idílio e até “guy”, o pastor alemão, amigo fiel, nem percebe a minha presença.
Heloísa falou-me de uma outra dimensão... caminha sempre ao meu lado e só se veste de branco... não sei se ela fugiu de algum asilo, ou talvez eu não tenha capacidade para compreendê-la; ela tirou-me do mangue e conduziu-me ao pântano; propôs-me um plano superior e apontou-me as montanhas, prometendo-me fontes de luzes.
Ainda não entendo direito o que se passa, de vez em quando vejo pessoas que há muito eu não via, todas se vestem de branco; vi jairo melancólico, solitário e pensativo, sob uma árvore; olhou-me como se nunca tivesse me conhecido, logo ele que era o melhor dos meus amigos. Ao anoitecer volto ao vale onde existem mausoléus, capelas e túmulos, ali a lembrança de Laura se acentua, percebo ainda em mim um certo rancor por tudo o que vejo; heloísa some como por encanto e, da mesma forma, surge ao amanhecer. Com a luz da aurora, momentos do passado se acentuam, percebo uma laura carinhosa e apaixonada sua barriga saliente confessa uma gravidez e a cumplicidade que me traz saudade, tenho uma visão bem clara; dois individuos nos abordam numa esquina, o mais baixo tem uma arma apontada para Laura, eu me inteponho entre eles, a arma é disparada, ainda vejo o desespero de laura, tento consolá-la, mas ela não me percebe; há um aglomerado de pessoas ao redor de alguém, Laura chora inconsolável... alguém menciona o meu nome; estou caído numa poça de sangue.
Na outra dimensão, estamos sobre a montanha, eu e heloísa que confessou-me ser um anjo de luz e ter escolhido este nome em homenagen a minha filha e de laura, nascida depois que desencarnei naquele assalto... um novo sentimento invade o meu ser,percebo que tenho que ir.
Vejo Jairo na ponta de um penhasco, ele mergulha sobre um mar de luzes, é o nosso último ato de fé.
Eu quero entender, eu sempre quis entender
mas antes, o encanto de tudo dourava a manhã seguinte...
o gosto de hortelã, a fantasia de um beijo quase impossível...
era fácil esquecer qualquer pecado,
mas o tempo dizima qualquer fascínio
e fica só o desejo de revanche
ainda percebo um certo glamour
algo que ficou guardado como uma espécie de souvenir...
algo que, sem o encanto, sorrisos e palavras não podem mudar...
então, depois de tudo, pagamos pelos pecados do passado
com uma overdose letal de indiferença...
que nos deixa a pensar que foi tudo uma ilusão; não foi.
Não entendo como, sei que não foi...
quero entender, sempre quis entender,
mas antes o encanto de tudo dourava a manhã seguinte...
A manhã entra pelos portigos, insistente,
a dádiva de existir persiste,
a vida não deixa de ser vida
mesmo sendo alegre ou sendo triste,
a manhã me absorve em seus raios,
frestas conduzem sentimentos,
é um pouco do sol que nos envolve
tornando-nos partículas do firmamento...
Toda manhã tem um raiozinho
que entra pela fresta.
bate no espelho
e vem na direção da cama onde dumo,
aquece o meu rosto como um carinho
eu sei que é Deus dizendo que não estou sozinho...
Passa a manhã
passa a tarde
passa a noite
passa a morena
passam lembranças
passam saudades
passa a banda...
jumentos cabras cavalos num pasto...
cafezal, laranjal e canavial
passa o lago,
o gado,
a pipa a voar
passa a ponte,
passa o rio,
passa o pai e o filho
o campo, bola na rede
e comemoração
casa de taipa,
vereda, carroça, mula teimosa
casa de varanda,
Vila, quitanda
Igrejinha azul e amarela
mulher batendo roupa na beira da lagoa
crianças brincando à toa,
varal embandeirado delimitando a pobreza...
favela subindo o morro,
antenas e ”gatos” acessos indevidos,
passa o trem,
passamos nós
porque o comboio da vida segue seu destino...
SOBRE ONTEM, O ANTEONTEM E AMANHÃ
Eu tenho um olhar
Somente um olhar
Na manhã a passar na calçada
E os sonhos que eu tive
De um dia sonhar com a manhã
Já passaram
Ficou meu olhar
A olhar
O olhar da manhã a passar...
CIRANDA
Ela beijou a manhã porque ventava
E aqueceu a manhã porque aqueceria
Se fosse manhã de sol
Mas ela molhava a manhã
Ela chovia uma neblina mágica porque era primavera
E todas as primas cantariam
Se ela tivesse primas,
Uma ciranda harmonizaria a família
Se ela tivesse família
Ela só tinha o tempo, o vento, a rua
E as vezes, só as vezes...
Tinha uns sonhos esquisitos
Que guardavam o vento, o sol e a chuva
Sobre um teto bonito,
E alguém lhe penteava os cabelos
E lhe vestia um vestido azul anil
De babados bordados a bilros;
Era um sonho de um rosto bem parecido
Ou uma lembrança
Como se já tivesse sido criança
E já tivesse tido esperança...
A LUZ DA MANHÃ SEGUINTE
Tanta coisa aconteceu,
Circunstâncias drásticas, adversas
Sinto-me assim um sobrevivente...
Mas este filme continua, um outro cenário...
Poeira e teias de aranhas,
Algo sinistro e envolvente
Algo que nunca passou pela minha cabeça...
Os zumbis, vampiros e os bruxos dançam sob os astros,
Bruxos, vampiros e zumbis bailam nojentos
Sobre o lodo de seus instintos...
Administro bem os meus temores,
Me desvencilho de grandes amores,
Me penitencio sob a lua cheia,
Cama e mesa ficam fartas a meia noite e meia...
A ternura dos meus olhos lacrimeja sangue
Por tempo e amores perdidos,
Mas tenho este privilégio, sou um sobrevivente...
Sem sonhos não se contempla a luz da manhã seguinte
E eu conheço os tons dourados desse alvorecer;
Os vampiros, bruxos e zumbis dançam sob as estrelas
Mas ofuscam-se com os primeiros raios do nascente
A dor é o primeiro passo para a felicidade,
A queda é o primeiro passo pro equilíbrio,
O frio é a ausência do calor
Vampiros, zumbis e bruxos dançam sob a tênue luz das estrelas
E a solidão é a ausência do amor
eu tenho um olhar
somente um olhar
na manhã a passar na calçada
e os sonhos que eu tive
de um dia sonhar com a manhã
já passaram
ficou meu olhar
a olhar
o olhar da manhã a passar
MISTÉRIO
Quem sou eu?
Toda manhã diante do espelho
Eu me pergunto isso
E o espelho me mostra pelo avesso,
Minhas palavras se multiplicam
No vazio deste universo;
Quem sou eu; isso é perverso, penso,
Mas saber-me exato seria o inverso?
O passado o que é o passado, as manhã são as mesmas,
as quitandas adornadas por tangerinas,
alfaces nas feiras livres, uma ilusão green peace,
e as mulheres são felizes, por mais oprimidas,
as mulheres são felizes,
Deus lhes deu todos os poderes,
o amor a paixão, e a mão que lhes bate a cara, terá a maldição
sabes o que é ilusão... nunca lhes diga não,
elas são donas de tudo, elas povoam o mundo,
e pensam que são carentes, mas o que adentra suas entranhas,
germina como em solo fecundo, as mulheres são lindas,
são elas que fazem o amor, só somos matéria prima
Foi tão rápido, as coisas aconteceram assim
como se só uma manhã...pintasse de azul, de cinza, de púrpura
as cores que eu vi passar e se eu sonhasse antes o que eu sonhara
diluiria à acidez do tempo que enruga os olhares...
sempre fiz tudo tão certo,
que perto do que eu seria se eu não fosse feliz... certamente eu não seria tão sozinho
e não estaria escrevendo poemas
crendo que a vida é um jardim com acácias, açucenas e flores de lis
parte grande do que componho vem da minha imaginaçâo, outras partes eu invento, o resto é ficção...
como quando você caminha na minha direção
o resto é verdade, acordo sozinho e tarde,
uma fresta de luz bate nos meus olhos,
faço uma oração ao meu Deus. Sei que não custa sonhar, mas custa; pés-de- galinha e cabelos brancos...
Nesta manhã...
Numa prolixa e intrigante calma
Nesta manhã brotei como se fora uma
Rosa vermelha qual a saudade que me tocou a alma
Há nos dias ditosos um juramento do eterno
Um oceano onde se agitam mil ondas
Uma melodia rompe o meu silêncio
Pássaros cantam na minha janela...
Hoje é o Início de todos os outros dias!
DE MANHÃ...
Escrevo com a ponta da caneta que brilha
Enquanto as letras choram as saudades de ti!
Do teu lindo sorriso... dos teus silêncios
Do profundo do teu beijo... e das muitas canções...
Que a brisa tocou pra nós!
Inebriei-me de solidão... É de manhã...
distante de ti...
E porque te amo a ferida sangra...
E o meu coração arde por ti...e mais versos
E mais paixão...e escrevo te amo...te amo...
Simplesmente porque te amo!
Penso que rabiscando minhas dores
Assim, a espera se faz breve...quem sabe
ventos soprarão em teus ouvidos as lindas
cartas de Amor...
...e uma profunda melancolia
Mesmo longe de mim
te envolverá qual redemoinho
e teu coração vazio ouvirá a melodia
incansável... alucinante...volta pra mim
E nesta manhã além do contemplar...
irei além dos passos da saudade!
Um pássaro chamado PAIXÃO!
Acordei nesta manhã impregnada com
O perfume da minha própria loucura... E
Suavemente flutuei nas asas de um pássaro
Chamado Paixão...
São voos nos qual mergulho no despenhadeiro
Do tempo...
Tenho medo... Vejo as ondas que quebram nas pedras...
Com o coração batendo forte... E as lágrimas escorrendo fáceis...
Abraça-me silenciosamente
Esta ansiedade fixada às asas
Deliro sussurros... E num rodopiar de emoções
Escuto melodias... As que cantam os ventos...!
Num eco sonoro de brados matizes... E me encantam...
Três horas da manhã
Eu devo falar
Para a semente temporã
Crescer e germinar
São quatro horas agora
Eu devo abençoar
Para o Deus do céu sem demora
Suas bençãos derramar
São cinco horas,aleluia
Eu devo glorificar
Está clareando o dia
Vamos nos alegrar
São seis horas do dia
Eu devo orar
Entrar em harmonia
Para o Pai do céu nos perdoar!
Quando eu acordar de manhã
Com o céu enfeitado de cores
Apressadamente correrei no afã
Entregando a ti do jardim primeiras flores!
Quando o céu não mais te satisfazer
Nem as lindas flores enfeitando vosso jardim
Mostrarei a inspiração do poeta em reviver
Eternos sonhos de amor enfim.
Quando o sorriso do lábio intocado
Para o mundo bem querer
A felicidade do ser amado
Sempre assim quero viver
Viver desejando este momento
Passar ensinando esta felicidade
Tudo passa feito o vento
Só o que permanece é a Palavra da Verdade!
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