Metade
Ela nunca procurou a metade da laranja, a tampa da panela, o chinelo velho do pé torto, o queijo da goiabada, ela só queria ser uma laranja partida, panela sem tampa, chinelo sem pé e sem contar que não gostava de queijo e goiabada.
Esse lance de procurar o amor da vida, não era com ela. Que brega!
Provavelmente ela tropeçaria nele na rua, bateria no carro dele, furaria a fila dele no final da festa ou até derrubaria aquela bebida fedida na camisa dele, tudo sem querer.
Ela nunca foi de procurar. Ela acabava de uma forma ou de outra encontrando, sem querer, literalmente. Afinal, ela nunca procurou por ele.
Ela era uma graça, vivia tão leve, tão desprendida de crenças que causava inveja, quem tem aquele descuido todo com o mundo, com as pessoas, com os sentimentos?
Ela, ela tinha tanta coisa ao mesmo tempo, que não tinha nada. Nada de mais.
Ouviu certa vez, de um grande sábio que ela não lembra o nome, que a liberdade dela assustava. Mas e daí? Que gente medrosa!
No fundo ela acredita no amor.
"...Nós vencemos metade da batalha quando
mudamos nossas mentes e aceitamos o
mundo como o encontramos, inclusive os seus espinhos...!"
Por razões que desconheço, nossas aproximações foram sempre pela metade. Interrompidas. Um passo para a frente e cem para trás.
"Metade de mim agora é assim, de um lado a meiguice, a delicadeza, a verdade. Do outro a força, a esperança e a coragem para ultrapassar todas essas barreiras que insistem em me deixar assim, confusa, porém o que não me falta são forças para querer mudar e melhorar.."
"A imaginação é a metade da doença; a tranqüilidade é a metade do remédio; e a paciência é o começo da cura."
E que venha uma flôr!
Lá... do planeta Amor!
Pois metade de mim é sonho, segredo.
E a outra metade ... é Amor!
O segredo para viver mais e melhor é: precisamos comer a metade, caminhar o dobro, rir o triplo e amar sem fim.
Hoje, metade de mim quer sorrir e metade de mim quer chorar. Sorrir por lembrar que de ontem pra hoje eu dormi feliz e com toda a certeza do mundo de que ele me faz bem. Chorar porque ao acordar, me deparei com outra pessoa ao meu lado. Não era o mesmo que dormiu comigo, não era o mesmo que antes de pegar no sono disse que me amava. Era um menino, de 19 anos, com olhos claros que particularmente acho lindo, quase careca, magro e arrogante. Não me desejou bom dia, nem um beijo me deu. Bateu na minha perna e me despertou, não sorriu pra mim, gritou, se exaltou. Quem era ele ? Eu não sei , e se eu souber, quero conhecê-lo pra poder saber do porque disso tudo. Esse cara permaneceu comigo até uma certa hora da manhã, logo após isso, o que havia dormido ao meu lado e se declarado pra mim, me abraçou numa tentativa de aproximação. Mas aí, já era tarde demais. Meu dia já tinha ido por água abaixo, meu humor ? já não existia mais. a única vontade que eu tinha era a de sumir pra nunca mais voltar. eu tive coragem ? não, eu nunca tenho !
Não somos, metades procurando a outra metade.
- O amor não é isso.
Somos seres completos. Mas quem disse que tudo que é completo não precisa de complemento ?
A morte perde metade de suas armas quando negamos em primeiro lugar os prazeres e interesses da carne.
Sou impulsiva e não consigo viver nada pela metade. A superficialidade me irrita..... Tenho poucos amigos, mas faço qualquer coisa por eles. Tive um grande amor, mas a morte o levou..... sou uma romântica incurável... Pareço forte, e sou, mas menos do que as pessoas acham. Tenho uma fragilidade que poucos, muito poucos conhecem. Uma delicadeza e uma doçura que busco sufocar para poder viver. Em um primeiro contato,me acham pedante...mas é que sou tímida, e a presença de estranhos me coloca na defesa.....Não é fácil passar esta barreira. Gosto de dançar e de falar. Sou meio barulhenta... mas me refugio no silêncio. Erro e erro muito, mas reconheço meus erros. Sei pedir desculpas e lamento muito não poder corrigir o mal que fiz a algumas pessoas. Sou ética e tenho caráter, apesar de errar. Sempre acho que as pessoas merecem uma segunda chance e que podem ser melhores.
Minha intensidade não permite que eu seja metade. Prefiro assim. Sofrer por ansiedade, morrer de saudade, sentir de verdade.
